SRZD



Nyldo Moreira

Nyldo Moreira

TEATRO E MÚSICA. Jornalista, especializado em cultura e economia. Ator e autor de peças de teatro. Apresentou-se cantando ao lado de artistas, mas não leva isso muito a sério. Pratica a paixão pela música em forma de textos e críticas. Como diretor, esteve a frente de dois curtas, um deles que conta a vida no teatro. 

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



12/02/2016 13h15

Carnaval em Salvador: das ruas ao Expresso 2222
Nyldo Moreira

Em pleno ano em que Maria Bethânia foi vitoriosamente homenageada pela Mangueira resolvi passar o carnaval em Salvador. Sem qualquer arrependimento, mas com o cotovelo doendo de estar longe daquela linda farra na Sapucaí, tomei o caminho para o primeiro dia em ruas baianas. Na quarta-feira os blocos comandados pelas tradicionais fanfarras tomaram o circuito Barra-Ondina. O Carnaval de Salvador estava oficialmente aberto. Os camarotes testavam o som, as luzes, para no outro dia abarrotarem seus metros quadrados do máximo de gente possível. Eu, no Expresso 2222, de Gilberto e Flora Gil, acompanhei o bom e o ruim dessa famosa festa popular.

Foto: Alexandre Nicotelli

O carnaval de Salvador, na verdade, está voltando a ser popular. Longe de observações políticas, acredito que uma festa de rua não pode custar tão caro para o folião. Pular no delimitar das cordas que cercam os trios custa muito caro e para contrariar isso, nesse ano, inúmeros blocos saíram sem cordas, ou seja, de graça para quem queria correr atrás. Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Saulo Barbosa e Margareth Menezes foram alguns que percorreram os tradicionais circuitos sem cobrar nada de seus foliões.

O Expresso 2222 é um dos mais conceituados camarotes defronte a beleza da orla da Barra. Muito organizado, limpo e confortável. Muito diferente do que é possível observar dos vizinhos. Varandas lotadas, salões abarrotados e filas para se hidratar e acessar os sanitários. Falando em sanitários, as ruas estavam tomadas de banheiros químicos, mas naquele esquema: o mais fedido possível! Sobrou para as areias das praias e os muros receberem a rebordosa.

Foto: Fabio Couto

Chegar aos circuitos do carnaval de Salvador é uma das tarefas mais tortuosas da folia. A prefeitura disponibilizou linhas especiais de ônibus para levar os foliões. A ida e a volta juntas custava R$ 25,00. Um tanto absurdo, né? Total falta de organização no trânsito. Vias que não comportam o fluxo que triplica nessa época do ano. E mesmo após muito tempo de tradição o governo baiano não aprendeu a organizar o carnaval.

"As Vingadoras" e sua música, aquela do "tra tra tra tra tra, as que comandam vão no tra", tocava em qualquer esquina. O cachorro na rua sabia cantar!

É imprescindível aplaudir cada vez mais o desempenho dos artistas que passam horas em cima dos trios. Ivete, Daniela e Margareth como sempre imperam nesse quesito. A beleza e energia dos Filhos de Gandhi e a irreverência das Muquiranas, em que os homens saem de mulher.

Mas, o carnaval de Salvador vem enfiando goela abaixo algumas coisas que considero desnecessárias. O povo até gosta, mas acho que nada tem com a festa. Trios com duplas, bandas que precisam se apoderar da música baiana para estarem característicos ao lugar. Acho que cada coisa tem que estar no seu barco!

Foto: Alexandre Nicotelli

Curta a página do SRZD no Facebook:


Veja mais sobre:CarnavalSalvador

Comentários
Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.