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Francisco Ucha

Francisco Ucha

QUADRINHOS. Jornalista, desenhista, designer gráfico, publicitário e produtor cultural. Trabalhou no "Jornal do Commercio" e "O Globo". Reformulou o projeto gráfico do "Jornal dos Sports", em 1982, e do jornal "Folha Dirigida" e dos produtos de turismo do Grupo Folha Dirigida, em 2006. Trabalhou na Globo Vídeo, onde desenvolveu o "Jornal da Globo Vídeo", publicação mensal que chegou a alcançar 200 mil exemplares. Foi gerente de Comunicação e Marketing da Herbert Richers Video, e gerente de Marketing da Look Filmes. Editou o "Jornal da ABI", publicação oficial da Associação Brasileira de Imprensa, por 10 anos. Foi o curador da Mostra Quadrinhos'51 e do Festival Bruce Lee | 75 Anos. É gerente de Comunicação e Marketing da Sato Company.

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16/02/2016 14h03

A guerra do enganador
Francisco Ucha

Quero abrir um parêntese nesta coluna de quadrinhos para comentar um grande fenômeno da atualidade, o tal "Despertar da Força", que faz parte da enorme e poderosa franquia de "Guerra nas Estrelas", que inclui games, animação, bonecos... quadrinhos e tudo o que movimenta o mundo nerd. E que já é a terceira maior bilheteria da História, só superado pelos dois filmes de James Cameron ("Titanic" e "Avatar"). 

Já faz um tempo que assisti a esse novo filme dirigido pelo queridinho dos moderninhos, J. J. Abrams, o destruidor de franquias; o maior enganador de Hollywood dos tempos modernos. Claro que não fui com expectativa alguma. Até porque gosto de ser surpreendido quando não espero nada de um filme e ele acaba me agradando. Obviamente não foi o caso desta produção da Disney.

Darth Vader não tem alguém à altura no novo filme. Foto: Divulgação

"Guerra na Estrelas - O Despertar da Força" é uma enorme bobagem para faturar em cima de incautos e de fãs, e não passa de uma reunião de clichês já apresentados no primeiro filme da trilogia. Ele é praticamente uma refilmagem do "Guerra nas Estrelas" original, com muito menos talento e mais efeitos especiais. Mas antes de continuar, quero esclarecer umas coisas:

1 - "Guerra nas Estrelas" é "Guerra nas Estrelas", tal como foi lançado originalmente, na década de 70, e não "Star Wars" como o marketing de George Lucas (quando ele era dono da franquia) e a Disney (atual detentora) tenta impor ao mundo (afinal, estamos num país onde se fala o português);
2 - A tal "prequel" que Lucas fez anos e anos depois da trilogia original é outra bobagem que nem deveria ser levada a sério.
3 - "Guerra nas Estrelas - O Retorno de Jedi", o terceiro filme da série, é quase uma refilmagem do primeiro filme, com alguns elementos a mais e a inclusão dos indefectíveis, insuportáveis e desnecessários Ewoks.

Dito isso, vamos relembrar o filme original:

Em "Guerra nas Estrelas", um rapaz vive insatisfeito num planeta desértico, consertando e vendendo robôs para o tio. Ele acaba se afeiçoando a um robô simpático que tem uma misteriosa mensagem que pode ajudar os Rebeldes. Por isso mesmo, ele é envolvido numa trama intergalática contra o maligno Império.

Há um vilão muito mau que tem o lado negro da força muito evoluído. Há uma Princesa que tem que ser resgatada de uma nave inimiga. Há um misterioso personagem que desapareceu há anos sem nenhuma razão aparente e é a chave para derrotar o vilão muito mau que se veste de negro. E os heróis estão à procura dele para entregar uma gravação da Princesa. Há um personagem simpático e independente, um renegado que só quer se dar bem, mas decide ajudar os Rebeldes e heróis. No ponto alto e dramático do filme, o vilão mau, muito mau mesmo, mau pra cacete, mata o personagem misterioso que não era mais misterioso e que estava começando a treinar o jovem herói nos segredos da "força". Esse vilão mau pra cacete e que conquistou uma legião de fãs, tinha uma arma secreta, a Estrela da Morte, que na realidade era mais parecida com uma Lua da Morte, e tinha a capacidade de destruir planetas inimigos. Os Rebeldes então tinham que destruir essa lua da morte? quer dizer, Estrela da Morte. Os Rebeldes descobrem que essa arma secreta tinha um ponto fraco, um único ponto fraco, que se atingido, ela explodiria. Então, nosso herói, já de posse de um pouco de sua "força", consegue atingir o ponto fraco depois de inúmeras tentativas. E Bum! O vilão mau pra cacete consegue fugir e os Rebeldes vencem!


Antes de ser assassinado pelo próprio filho, Han Solo entrega o sabre de luz do pai, Luke Skaywalker, à sua sobrinha, herdeira da Pois é. O resumo do resumo que acabei de contar não parece igualzinho ao novo filme da Disney? É uma cópia! Só com alguns detalhes diferentes. Por exemplo, o vilão mau pra cacete do primeiro filme, Darth Vader, é realmente o exemplo de como um vilão espetacular tem que ser. Já o vilão do novo filme, Kylo Ren, não passa de um garoto malcriado, pirracento e sem moral nenhuma. Muito longe da imagem do seu avô, Darth Vader. Mas, de modo geral, tudo o que acontece nesse filme é uma réplica do filme original, só que com outros atores: a mocinha presa na nave que tem que ser salva; o cara que não quer saber de lutar ao lado dos rebeldes e só quer ir embora, mas desiste e retorna para ajudar os heróis. E a cena em que o vilão Kylo mata o próprio pai, Han Solo? Tinha algo mais clichê e previsível do que aquilo? Lembrou muito a cena em que Darth Vader mata Obi-Wan Kenobi, sem a surpresa do filme original, claro.

A destruição da "Estrela" da Morte, então? Neste filme ela é gigantesca, bem maior que a original, mas foi bem mais fácil destruí-la! Rey, a moça que é filha de Luke Skywalker e sobrinha de Leia e Han Solo, faz o que Luke fez no primeiro filme. Ela, aliás, é a melhor atração desta nova "Guerra nas Estrelas"! Mas, realmente, esse é um filme chatíssimo.

Rey: um colírio no deserto de criatividade de J.J.Abrams. Foto: Divulgação

Mas uma coisa é diferente: na época do lançamento de "Guerra nas Estrelas", o vilão Darth Vader era o maior representante do Lado Negro da Força. Hoje em dia, substituíram "negro" por "sombrio". Mais uma sutileza idiota desses tempos onde o "politicamente correto" impõe sua implacável censura.

Mas, o que me espanta não é a Disney ter realizado essa produção. Afinal, o que eles querem é faturar de todas as formas possíveis. Nem me espanta o fato de os fãs adorarem o filme e não terem um sentimento de déjà vu. Afinal, fã é fã e não tem, necessariamente, visão crítica. O que me espanta é que tem gente inteligente e com um certo nível intelectual que GOSTOU do filme e já está esperando o próximo! Isso sim é um horror!


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