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Haroldo Monteiro

Haroldo Monteiro

VAREJO. Formado em Administração de Empresas e Engenharia Econômica pela UERJ. Possui vasta experiência no mercado de varejo tendo atuado como executivo em várias empresas deste setor. MBA em Business Administration pela Ohio University, e sócio da Planning & Management, consultoria especializada em gestão e estudos de tendências econômicas para o varejo. É professor convidado do Coppead, onde ministra Administração Financeira de Curto Prazo.

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16/02/2016 18h04

O corno e a economia brasileira
Haroldo Monteiro

A economia brasileira atualmente vive em uma "síndrome de corno". Ou seja, parece o parceiro traído que ainda ama sua cara metade, e quer continuar o relacionamento, acha que tem salvação, mas a pessoa amada não age de forma satisfatória, não passa confiança em suas ações, de forma que ele (a) não se sente seguro para entregar o seu amor aquele relacionamento que um dia foi maravilhoso. Desta forma o corno começa a imaginar: Vale a pena arriscar? E se meu parceiro não gostar mais de mim? Vou "quebar a cara" e sofrer! Acho melhor dar um tempo e observar suas atitudes, se realmente gostar de mim ele (a) irá me mostrar, mudará sua atitude, e então voltarei o relacionamento. Caso contrário vou investir em outra pessoa que realmente me ame e saiba retribuir a altura meus sentimentos.

Poderíamos dizer que o que está escrito no paragrafo acima tem uma correlação com o pensamento do investidor, e também dos agentes economicos que movem a economia de nosso país? Certamente poderíamos falar que sim. A economia tem um apelo subjetivo muito forte. Por isso um governo que não passa uma mensagem de confiança a seu povo, aos investidores, e aos agentes economicos , não receberá em troca investimentos que farão o país crescer, os agentes economicos vão remarcar os preços dos seus produtos e serviços gerando inflação, e a população não irá consumir com medo de perda de seus empregos.

As recentes medidas do governo só fazem ir no caminho contrário ao que seria a construção dos pilares da confiança na economia de um país. Aumento de impostos generalizados sem contrapartida na melhoria de serviços, défcit das contas públicas, e a teimosia em não fazer cortes de despesas fazem o cenário ficar ainda pior.

Assim acabaremos sofrendo novo rebaixamento pelas agências internacionais, fazendo com que as novas captações se tornem mais caras ainda, e os investidores fiquem mais receosos de investir pois os riscos das incertezas políticas fazem com que novos projetos percam a atratividade e em alguns casos até procurem outros países com uma melhor relação risco x retorno para investir. Os empresários também passam a aumentar preços ainda que a demanda esteja fraca, como forma de se proteger, e nem estímulo ao crédito que o governo concedeu fará com que os consumidores também "desconfiados passem a consumir".

Assim como um corno em um relacionamento, a economia Brasileira precisa de confiança, precisa crer que os governantes querem realmente mudar, o executivo federal precisa dar o exemplo; potencial nossa economia tem, somos um país de 200 milhões de consumidores, portanto aquele romance que um dia foi lindo vale a pena continuar, mas para isto os cornos precisam se sentir mais seguros.

Que tal o governo cortar o número de ministérios pela metade? Mesmo que não gere muita economia, este ato irá mostrar uma disposição do executivo em gerar confiança no sistema economico e a economia passar a "andar novamente". Da mesma maneira um corno ficaria feliz e perdoaria seu parceiro dando uma nova oportunidade, vendo-o não voltar mais de madrugada. Não que o corno terá certeza de que não será mais traído, mas pelo fato de seu parceiro estar mostrando que investir no relacionamento pode ser que valha a pena!


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