SRZD


07/03/2016 16h09

Graças a projetos sociais, Carnaval de Porto Alegre não vai morrer
Carlos Henrique*

Ouçam o épico "Não Deixe o Samba Morrer" na voz inconfundível de Alcione... Pois ele será a trilha sonora ideal e que traduz fielmente a mensagem desse texto!

O Camarote Cultural realizou a entrega de seu troféu para os "Melhores do Carnaval de Porto Alegre Edição 2016" no mês de fevereiro, na capital gaúcha. Na ocasião, foram agraciados como forma de reconhecimento e incentivo ao trabalho prestado em prol do Carnaval, os Projetos Bailado, Padedê do Samba e Eu Sou o Samba, que visam à formação e o aprimoramento de novos destaques.

Padedê do Samba. Foto: Divulgação

Conhecido já no Rio de Janeiro, o Padedê do Samba, um projeto da escola do mestre Manoel Dionísio, tem grande destaque em Porto Alegre através de sua filial gaúcha. Trabalhando na formação e qualificação de casais de mestre-sala e porta-bandeira, além das porta-estandartes, o Padedê tornou-se pioneiro nesta área de trabalho junto à comunidade carnavalesca, com crianças, jovens e adultos fazendo as oficinas e buscando valorizar a arte da dança nobre do carnaval.

Bailado. Foto: DivulgaçãoNa mesma linha de trabalho, segue o Projeto Bailado, comandado por destaques experientes do Carnaval. Oriundo de dentro de escola de samba, o Bailado atingiu seu crescimento fora, sendo hoje mais um exemplo de valorização e trabalho da dança de mestre-sala e porta-bandeira e porta-estandarte.

O mais novo destes projetos é Eu Sou o Samba, que visa reforçar a tradição do samba no pé dos passistas. Trabalhando com o samba no pé, a essência pura do desfile de uma escola de samba, o projeto vem resgatando a importância de não se acabar com aquilo que mais identifica nossa manifestação cultural.

Eu Sou o Samba. Foto: Divulgação

Os feitos desses destemidos e apaixonados Grupos nos fazem refletir sobre a oxigenação do nosso Carnaval. E com isso perguntamos: Qual seria o real motivo para uma Entidade ser chamada de Escola de Samba?

A oxigenação, a renovação do nosso Carnaval deveria surgir no ventre das nossas Escolas de Samba. Nasceriam em CASA destaques já identificados com suas cores, sua história, seus baluartes e assim levariam o legado de uma grande paixão a diante. Quando vamos à ESCOLA buscamos conhecimento e formação. Na ESCOLA DE SAMBA não seria diferente, pois ela tem o papel de ensinar, qualificar para a grande colação de grau na avenida. Anos atrás, tudo isso acontecia... Sabemos sobre o surgimento de verdadeiros astros no seio de suas escolas de coração onde muitos receberam os bastões e as braçadeiras de seus mestres. Com o passar do tempo, infelizmente, essa prática se tornou cada vez mais rara. A presença das crianças nos ensaios e nos desfiles das escolas passou a ser quase que nula a ponto de colocar em risco essa oxigenação. Antes desfilavam crianças como porta-estandarte, mestre-sala, porta-bandeira, passistas, ritmistas... Sem incentivo (e retirados dos desfiles para não comprometer a evolução) foram obrigados a deixar seus postos de lado para integrar alas infantis ou para virarem composições de alegorias.

Um dia quando esse perigo foi constatado, o pioneiro Bambas do Futuro (da escola Bambas da Orgia), idealizado e capitaneado por Zé Cartola e Nely, então casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, começou a formar novos condutores para o pavilhão azul e branco. O grupo formado por crianças que frequentavam a Escola é o primeiro PROJETO que se tem notícias, direcionado para a renovação. Junto aos novatos casais em formação, juntavam-se porta-estandartes e passistas que traziam no seu bailar as referências com a marca Águia, ou seja, espelhavam-se nos Destaques da Escola. Eles foram formados em casa...

Anos se passaram e a importância de formar, ou instigar, novos foliões se renova e se faz esperançosa com o surgimento de novos projetos atentos para o futuro do nosso Carnaval. Eles estão fazendo às vezes das nossas Escolas de Samba com maestria e muitas vezes elas recorrem a esses PROJETOS na busca de artistas. Mais uma pergunta: Não seria mais fácil cultivar em CASA as novas ESTRELAS?

Sim! Seria sim! É só garimpar e dar oportunidade... Hoje em dia, o Carnaval gaúcho depende do apoio do poder público para sua realização, entretanto, esse movimento social independeria desse apoio se tivesse planejamento, organização e abnegação de todos os envolvidos na causa. Quem sabe um dia possamos, sim, virar esse jogo tornando realidade todo esse esforço. Semeando o presente, com muita garra e persistência, procurando a oxigenação para atingirmos o nosso objetivo maior: Garantir que a Festa de Momo tenha vida eterna passando de geração a geração.

"Quando eu não puder pisar mais na avenida
Quando minhas pernas não puderem aguentar
Levar meu corpo junto com meu samba
O meu anel de Bamba
Entrego a quem mereça usar..."

*Fonte: Camarote Cultural, em colaboração voluntária ao SRZD


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