SRZD



Aurora Seles

Aurora Seles

CARNAVAL. Jornalista, com especializações no Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero. Bacharelanda em Direito. Professora e profissional de comunicação. Foi assessora de imprensa da Tom Maior, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Coautora do livro SOFIA Belas Artes - Encontro de Saberes: Artes, Arquitetura, Saúde, Ciências Sociais e Humanas, lançado em dezembro/2015.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



08/03/2016 10h00

Homenagens às mulheres em diversos segmentos
Aurora Seles

Público predominante no Brasil e no mundo. Alguns nomes que marcaram a história.

A ideia era trabalhar esse texto e usar como base a música de Benito di Paula, "Mulher Brasileira" (1975), mas a geografia ficaria restrita. Ao falar do expressivo gênero feminino - de A a Z -, incluem-se Ana Maria Botafogo, na dança clássica; Anne Frank, famosa pelos documentos em que relata suas experiências enquanto vivia escondida durante o holocausto; Zuzu Angel, estilista brasileira, conhecida pela procura de seu filho durante a ditadura militar e, claro dona Zica Cartola, grande símbolo do Carnaval.

Dona Zica. Foto: Reprodução

Especialistas afirmam que a profissão do futuro é a do empreendedor, com destaque às mulheres. Em todos os segmentos elas brilham porque o termo "sexo frágil" está em desuso. São multifacetadas. Administram lares, finanças, políticas, empresas e muitos negócios. Geraram e reproduzirão a espécie.

Embora o preconceito ainda persista, vivemos um momento histórico na categoria feminina. O espaço foi conquistado com dignidade e persistência. Modelos que se destacaram pela sua energia, audácia, entusiasmo e feitos heroicos não faltam ao longo de toda a história da humanidade. Todas, sem exceção, merecem a homenagem feita no dia 8 de março. A lista é numerosa pela grande influência que foram e são destaques nas respectivas épocas de suas existências. Confira alguns nomes:

Na área jurídica, por exemplo, há uma grande referência. A baiana Luislinda Valois, nascida em 1942. Estudou teatro, filosofia e direito até se tornar a primeira juíza negra do Brasil, em 1984, adotando o uso de colares de candomblé em suas audiências.

Aracy Cortes (RJ, 1904-1985) foi uma cantora brasileira, vizinha de um rapaz negro que tocava flauta, Pixinguinha. Começou a cantar em vários teatros da cidade, tornando-se conhecida pela voz de timbre soprano e o jeito personalista de cantar. Projetou-se como a primeira grande cantora popular, destacando-se em meio ao quase exclusivismo das vozes masculinas da época. Foi dela também a primeira audição de "Aquarela do Brasil " (Ary Barroso), a primeira e mais importante canção exportada para os EUA, inaugurando o gênero samba-exaltação.

Mãe Menininha do Gantois (BA, 1894-1986) foi uma Iyálorixá (mãe-de-santo) brasileira, filha de Oxum. Abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos - uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é vista com certo estranhamento. Nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os bispos da Bahia a permitir a entrada nas igrejas de mulheres, inclusive ela, vestidas com as roupas tradicionais do candomblé.

Dandara (1664-1694). Não há confirmação do local de seu nascimento, Brasil ou no continente africano, mas teria se juntado ainda menina ao grupo de negros que desafiaram o sistema colonial escravista por quase um século. Ela participava também da elaboração das estratégias de resistência do quilombo. Esposa do Zumbi dos Palmares, foi uma guerreira feroz e brava defensora do quilombo. Suicidou-se para não voltar à condição de escrava. Dominava técnicas da capoeira e teria lutado ao lado de homens e mulheres nas muitas batalhas consequentes a ataques a Palmares, estabelecido no século XVII na Serra da Barriga, região de Alagoas, cujo acesso era dificultado pela geografia e também pela vegetação densa.

Ema Klabin (RJ, 1907-1994). Apreciadora de música e de arte teve uma significativa atuação na vida cultural da cidade, com participação nos conselhos de instituições culturais, além de promover artistas, participar de leilões beneficentes em prol das entidades que apoiava e realizar concertos em sua própria casa com artistas de renome. Já no final de sua vida, e não tendo herdeiros diretos, preocupou-se com o destino de sua coleção e criou a Fundação Cultural Ema Gordon Klabin, para que se criasse um novo museu aberto à visitação pública.

Tarsila de Amaral (SP,1886-1973). Uma das mais importantes pintoras brasileiras do movimento modernista. Seu quadro Abaporu de 1928 inaugura o movimento antropofágico e foi a obra brasileira a alcançar o maior valor em um leilão internacional: 1,5 milhão de dólares.

Dia da mulher. Foto: Arte

Maria Firmina dos Reis (MA, 1825-1917). Escritora, considerada a primeira romancista brasileira. Mulata e bastarda, enfrentou a barreira dos preconceitos e publicou, em 1859, o romance Úrsula, considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil e um dos primeiros escritos produzidos por uma mulher brasileira. Em 1880, fundou uma escola gratuita e mista, para meninos e meninas, o que causou escândalo no povoado de Maçaricó, em Guimarães. A escola teve de ser fechada em menos de três anos.

Shirley Horn (Washington, DC 1934-2005, cantora e pianista norte-americana de jazz e de pop. Colaborou com muitos grandes nomes do jazz e foi mais conhecida por sua habilidade de cantar e acompanhar-se ao piano com a independência quase incomparável e por sua voz rica e exuberante, um contralto encruado. Embora ela pudesse oscilar tão fortemente como qualquer artista de jazz linha de frente, a reputação de Horn ancorou em sua requintada balada. Foi nomeada para nove prêmios Grammy Awards durante sua carreira, ganhando o Prêmio Grammy Award for Best Jazz Vocal Performance no 41° Prêmio 41st Grammy Awards com "I Remember Miles", uma homenagem a seu amigo e mentor.

Rosa Parks (EUA, 1913-2005). Costureira americana, tornou-se símbolo do movimento civil pelos direitos dos negros ao recusar ceder seu lugar a um branco em um ônibus em 1955. Sua luta solitária acabou chegando aos ouvidos de Martin Luther King, que incitou os negros a recusar o transporte público branco.

Maria da Penha (CE, 1945). É uma farmacêutica brasileira que lutou para que seu agressor viesse a ser condenado. Com 70 anos e três filhas, hoje ela é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, vítima emblemática da violência doméstica. Sua luta e história inspiraram a lei de proteção das mulheres em casos de violência doméstica. Hoje é coordenadora da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência.

Luiza Erundina. Foto: ReproduçãoLuiza Erundina (PB, 1934). Assistente social e Deputada Federal pelo estado de São Paulo. Em 1988 eleita a primeira prefeita da maior metrópole brasileira. A gestão teve o período de 1989 a 1993. Elaborou ações importantes nas áreas de educação (os responsáveis pela pasta eram os educadores Paulo Freire e, depois, Mário Sérgio Cortella, reconhecidos internacionalmente). Na área da cultura (comandada pela filósofa Marilena Chauí) foi responsável pela construção do Sambódromo do Anhembi e pela restauração das grandes bibliotecas do centro da cidade, como a Biblioteca Mário de Andrade. Também sancionou a lei de incentivo fiscal à cultura do município, a Lei Mendonça.

Já curtiu a página do SRZD-Carnaval no Facebook?


Comentários
Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.