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Francisco Ucha

Francisco Ucha

QUADRINHOS. Jornalista, desenhista, designer gráfico, publicitário e produtor cultural. Trabalhou no "Jornal do Commercio" e "O Globo". Reformulou o projeto gráfico do "Jornal dos Sports", em 1982, e do jornal "Folha Dirigida" e dos produtos de turismo do Grupo Folha Dirigida, em 2006. Trabalhou na Globo Vídeo, onde desenvolveu o "Jornal da Globo Vídeo", publicação mensal que chegou a alcançar 200 mil exemplares. Foi gerente de Comunicação e Marketing da Herbert Richers Video, e gerente de Marketing da Look Filmes. Editou o "Jornal da ABI", publicação oficial da Associação Brasileira de Imprensa, por 10 anos. Foi o curador da Mostra Quadrinhos'51 e do Festival Bruce Lee | 75 Anos. É gerente de Comunicação e Marketing da Sato Company.

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08/03/2016 15h18

Wolinski, a liberdade do humor
Álvaro de Moya*

Não é de hoje que a censura persegue revistas que criticam o poder.  Na mesma França do ataque terrorista à Charlie Hebdo, há pouco mais de um ano, a revista La Caricature do desenhista Charles Phillipon foi apreendida em 1834, por ter publicado, também na capa, o Rei com cabeça de pêra. 

Desde o Egito antigo, se faziam críticas de costume em papiros. Em Roma um desenhista fez uma caricatura dum cantor de ópera e a charge política teve seu apogeu na França. Depois, vieram os quadrinhos.

Sem fazer diferença nessa história, os assassinos de Paris, que invadiram o jornal satírico Charlie Hebdo em 7 de janeiro de 2015, ofendidos por uma caricatura de Maomé (a revista sempre criticou os ?papas?), chamaram pelos nomes os ilustradores da revista, e os executaram. Eram Georges Wolinski, Cabu, Tignous, Honoré, Charb, que era também o editor. 

Wolinski. Foto: Reprodução

Wolinski. Foto: ReproduçãoWolisnky era o mais conhecido internacionalmente. Esteve na Amazônia para ser jurado do festival local. Eu o conheci nos tempos dos Salões Internacionais de Quadrinhos de Lucca, nos anos 70, e em Paris. No Brasil, seus quadrinhos provocantes foram publicados na revista Status e Penthouse. 

Nasceu na Tunísia em 1934, de pai polonês e mãe italiana que imigraram para a França em 1952. Tinha jeito para desenho mas estudou só para não ser deportado. Em 1960 começou a carreira na revista Hara Kiri onde criou a série Eles Só Pensam Naquilo e se solidificou como erótomano. Criou também as séries Hit Parades e Não Quero Morrer Um Idiota, incursionando pelos quadrinhos. Colaborou com o jornal satírico L'Enragé e participou das manifestações de maio de 1968 na capital francesa. Aqui arrasava com o "establishment".

Em 1970, foi um dos fundadores e primeiro editor de Charlie. Em 1977, virou chargista político do jornal comunista L?Humanité. Simultaneamente, colaborou no Libération e Paris Match. Também escreveu esquetes para TV, produziu teatro e, esporadicamente bandes dessinées para l´Echo des Savanes e no seu derradeiro Charlie Hebdo.

Na história da humanidade, ativistas sempre foram alvo da ignorância e do atraso, sejam jornalistas, cartunistas, quadrinistas, ilustradores, artistas e sonhadores por um mundo melhor e mais engraçado.

Wolinski. Foto: Reprodução

*em colaboração com o blog


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