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Dicá

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CARNAVAL. Ativista negro, embaixador e cidadão samba paulistano de 2004, é compositor, batuqueiro, passista e fundador da Velha Guarda da Rosas de Ouro de Vila Brasilândia, junto com a embaixatriz do samba Maria Helena. É pesquisador cultural e estudioso da cultura popular brasileira e afrodescendente.

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31/03/2016 10h15

Comentarista reflete sobre estágio atual do Carnaval de SP
Redação SP

O desfile das escolas de samba deixou em algumas pessoas alegria, em outras tristeza...

Após o Carnaval, tivemos algumas surpresas agradáveis, pois nem tudo se resume as agremiações que desfilam na Avenida.

Os blocos carnavalescos tomaram de vez as ruas com seu samba livre, com sua alegria contagiante e muita gente se divertiu de maneira despretensiosa pela cidade, e isso é muito positivo.

Carnaval de rua em SP. Foto: Divulgação

Sabemos que nem todos os foliões ou sambistas conseguem desfilar numa escola de samba, seja pelo preço da fantasia, pelos problemas encontrados, ou simpliemente pela preferência em brincar o Carnaval com menos custo, cantando, dançando e extravasando sua alegria sem mexer no bolso ou submeter-se aos padrões de um concurso.

Carnaval de rua em SP. Foto: Divulgação

Há alguns anos atrás, nos dias de momo, muitos não tinham o que fazer na cidade, ou viajavam, ou ficavam em frente da televisão vendo os desfiles. Hoje a coisa está mudando...

É possível num giro pelas ruas ver as pessoas montando seus próprios blocos e outros ainda curtindo o velho e bom samba nas bandinhas e nas batucadas.

Quanto as escolas de samba, o que me surpreendeu foram os quesitos alegoria e fantasia. Eles me parecem os pontos principais do desfile para quem não tem caixa forte, pois os carnavalescos na contenda necessitam usar, e muito, a criatividade para compensar essa dificuldade rumo a disputa do título.

Hoje as escolas caminham cada vez mais apostando na visibilidade, na grandiosidade dos seus desfiles como se fosse um cardume de fantasias ornado por alegorias.

Felizmente nem tudo se resume a esses dois quesitos, existe o samba extratificado no canto, dança e batuque, que nada mais é do que harmonia, evolução e bateria que acabam se transformando no calcanhar de Aquíles decidindo o título de campeão do Carnaval.

Esse ano o quesito evolução, que se anunciava pelos desfiles aeróbicos exacerbado durante esses anos que se passaram, transformou-se definitivamente no vilão.  

Como sempre mostrou o descaso com o natural samba no pé, ginga e interação entre os expectadores e as escolas. Quando se consegue criar um clima mágico entre essas duas partes (quem passa e quem vê) a escola sai um pouco na frente, pois normalmente esse clima contagia até os jurados e suas notas, mas não dessa vez!

Esse ano escola nenhuma obteve as quatro notas dez em evolução, ou seja, não houve unanimidade. Ficou a impressão que o resultado se deveu a desconstrução do conceito evolução mostrado pelas escolas, além do imperdoável esquecimento de jurados em anotar sua notas.

A decisão do Carnaval paulistano se revelou em meio a um triste espetáculo...

Tumulto na apuração 2016. Foto: Reprodução

Espero que em 2017 possamos suplantar essas nulidades, pois espelhos têm! Foi um fato triste e muito ruim para a imagem do Carnaval protagonizado por nossas escolas de samba! Oxalá nos guie...

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