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Rachel Valença

Rachel Valença

CARNAVAL. Carioca, historiadora, filóloga e jornalista. Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense. Coautora do livro "Serra, Serrinha, Serrano: o império do samba". Pesquisadora do projeto de elaboração do dossiê "Matrizes do samba no Rio de Janeiro", para registro do samba carioca como patrimônio cultural do Brasil. No Império Serrano há 40 anos, foi ritmista e vice-presidente da escola.

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30/03/2016 12h57

Resistência que a força não calou: Sambistas se unem pela democracia
Redação SRZD

O samba, cujo centenário se comemora este ano, é um exemplo vivo de resistência. Sobreviveu, com coragem e muita malícia, a todo tipo de perseguição e discriminação. Hoje o sambista é reconhecido e até prestigiado. Mas acima de tudo o sambista é cidadão e como tal se identifica com todo e qualquer movimento em defesa das liberdades democráticas, que aprendeu na própria pele a valorizar.

Na última segunda-feira, no Centro Teatro do Oprimido, na Lapa, o movimento Sambistas Unidos pela Democracia se reuniu num ato público em que o samba eleva sua voz num momento delicado da trajetória da democracia em nosso país. Compositores como Noca da Portela, Tiãozinho da Mocidade, Dudu Botelho (Salgueiro), Celso Andrade (Portela), Alexandre Vale (Mangueira), além dos carnavalescos Cid Carvalho, Eduardo Gonçalves e Luiz Fernando Reis (blogueiro do SRZD-Carnaval), sambistas como Paulão Sete Cordas, Cláudio Cruz (do Embaixadores da Folia), e jornalistas Fábio Fabato, Anderson Baltar, Luise Campos, Vicente Magno e Luiz Carlos Magalhães participaram do evento.

- 'Não vai ter golpe': Ato em prol da democracia reúne sambistas no Rio

Foto: Reprodução de Internet

Entre os mais aplaudidos, Cid Carvalho emocionou o público ao ler um cartaz afixado na parede do Centro, que dizia: "Quando a arte fala a língua dos oprimidos", acrescentando que foi isto que o samba fez, ao dar voz às minorias ignoradas. Afirmou ainda que foi o samba que ensinou a ele a nunca baixar a cabeça, a marcar território e falar, reclamar, e afirmar: Aqui não vai ter golpe!

Vários oradores, como Luiz Fernando Reis, relembraram o período longo da ditadura militar, iniciado de maneira tão semelhante ao momento que vivemos agora. Após a fala de Fábio Fabato, que concluiu afirmando que é nítido que a elite quer de volta o país, houve coro de todos os presentes: "Não vai ter golpe!"

O momento de maior emoção foi o depoimento do veterano compositor Noca da Portela, que declarou que gostaria que não fosse preciso estar ali, mas que se sentia orgulhoso de participar, porque, em seus 83 anos de vida, participou de todos os movimentos pela democracia e durante a ditadura fez do Morro do Tuiuti, de onde é originário, um quilombo para esconder estudantes perseguidos pelo regime militar.

Foi lido um manifesto a ser assinado por todos os sambistas presentes e foi liberada a palavra para o público, tendo havido várias falas marcadas pela emoção, pelo humor e por reflexões sobre questões inerentes ao próprio universo do samba, em que corrupção e autoritarismo se fazem infelizmente notar com mais frequência do que seria desejável.

O ato terminou com os sambistas entoando o samba "Heróis da Liberdade", de Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira (Império Serrano, 1969), "Cem anos de liberdade: realidade ou ilusão", de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho (Mangueira, 1988) e "Kizomba, a festa da raça", de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila (Vila Isabel, 1988).

Foto: Reprodução de Internet

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Comentários
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    01/04/2016 10:19:51Oswaldo Fernandes FilhoMembro SRZD desde 09/04/2009

    NÃO VAI TER GOLPE. E quem teve catracas do Metrô abertas em São Paulo não foram os Governistas e sim a Oposição. Antes de falar seria bom ter fundamentos.

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    01/04/2016 10:09:32Eduardo WandermuremMembro SRZD desde 12/04/2009

    Pela enorme parcialidade desse site, infelizmente deixarei de acompanhar o site e as publicações, pois quem possui opinião divergente, não tem voz, espaço para expor. "ROUBA MAS FAZ NÃO COLA MAIS" , com o rombo nas contas públicas, não iremos mais conseguir pagar os benefícios do bolsa família e muito menos o benefício do FIES... Reforma política já, fim ao foro privilegiado, só no Brasil existe isso, ainda mais para um ex presidente, ele é igual a qualquer cidadão... a cultura colonialista exploradora trazida de Portugal continua. Os que reclamam ao não golpe, reclamam pois estarão perdendo alguma boquinha por ai. As pesquisas recentes apontam a maioria da população reprovando o governo executivo atual, esses movimentos pró governo recebem uma boa verba para sair as ruas, ônibus alugados, etc e tudo isso as nossas custas... Eu no passado também me iludi, infelizmente, me sinto traído e enganado pelo poder atual.

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    30/03/2016 17:50:34Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Comentarei o texto da blogueira do SRZD-Carnaval, Raquel Valença: ´Resistência que a força não calou, sambistas se unem pela Democracia´ e a declaração do presidente da LIESA, Jorge Castanheira: ´Temos que rever o modelo atual de ensaios técnicos quase-inviabilizado pela crise econômica´. Aqui ou nas redes sociais, nosso mundo do samba é representado pela comunidade pobre & oprimida, que conforme entoa o intérprete Wantuir Oliveira, eu ´adoro, adoro´. A qual urge manifestar-se em apoio ao citado movimento que é contra o impeachment e realizou Ato 2ª feira, 28/03/2016, sugestivamente no Centro Teatro do Oprimido, na Lapa, no Rio. A comunidade urge manifestar-se também em relação ao que está por trás dessa declaração do presidente da LIESA. Alegados como quase-inviabilizados devido à crise econômica, antes dela os ensaios técnicos eram apelidados pelo órgão de ´gratuitos´ pois tinham custos embutidos nos caros preços dos ingressos para os desfiles carnavalescos. Porém, o ameaçadíssimo de impeachment governo da presidenta Dilma passou a bancá-los através da chamada lei de incentivos fiscais. Assim, caso a presidenta sofra impeachment o vice-presidente que a sucederá, devido pertencer ao notório maior partido da burguesia mundial no Brasil, deverá mudar naturalmente a política em relação ao mundo do samba e ao Carnaval. Haja vista, estando na linha de frente do movimento pró impeachment, as Organizações Globo o faz porque a partir de 2003 deixou de pagar seus bilionários impostos ao governo federal. Enfim é a Globo que está por trás da submissa LIESA no propósito de mudar o atual modelo de ensaios técnicos. Mas, isso não é assumido pelo presidente da LIESA não-sambista verdadeiro, um economista egresso do mercado de capitais. Saudações carnavalescas do portelense, Almir de Macaé.

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