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Maria Apparecida

Maria Apparecida

CARNAVAL. Historiadora, escritora e decoradora, é considerada uma das mais respeitadas autoridades do Carnaval de São Paulo. Há 35 anos começou a se interessar pelo samba, em que desenvolveu vários projetos. Entrou para a história ao se tornar a primeira carnavalesca da folia paulistana.

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06/04/2016 10h15

A arte popular dos carnavalescos
Maria Apparecida Urbano

Estamos entrando no mês de abril, o quarto mês do ano, que por sinal continua correndo a passos largos. Já está longe o último Carnaval, e quase esquecido.

As grandiosas apresentações de todas as escolas de samba, que tanto emocionaram o público presente, já se tornaram passado, a não ser pelas premiações, organizadas por diversos canais divulgadores dos eventos, as quais se estenderam até quase o fim de março.

Arte popular. Foto: Ilustração

Agora é começar tudo de novo. Começam as incertezas de qual será o enredo que cada escola irá apresentar, quem será o carnavalesco, pois normalmente é hora das mudanças. Há trocas de diretorias, de casais, enfim. E há muitos troca-trocas; na realidade vamos entrar em abril com muitas incertezas e muitas dúvidas.

Enfim, esta é a vida das escolas de samba: a renovação a cada ano; é assim que todas vivem. Vou responder aqui a uma pergunta que me fizeram com muita insistência: "Por que os carnavalescos têm que trocar de escola?".

Para um leigo é difícil entender o porquê, se ele, como admirador do Carnaval, estava acostumado a ver sempre o mesmo carnavalesco numa determinada escola? Então por que do seu afastamento? Devemos esclarecer o seguinte: o carnavalesco é um artista popular e profissional.

Ao ser contratado por uma escola, ele deve vestir a camisa dela e procurar realizar o melhor possível em seu trabalho. Comparamos o carnavalesco com um diretor de teatro ou de TV. Ao desenvolver o seu trabalho, ele organiza todas as atividades que irão ajudar os autores a atuar, inclusive o relacionamento de todos os membros participantes.

Na escola de samba os aspectos do seu relacionamento são maiores e mais complexos, pois há mais pessoas e setores que dependem da sua atuação, principalmente com a própria comunidade.

Ele na realidade não é um componente da escola. Ele está lá para realizar um trabalho específico e muito grande e envolvente, que dependerá muito de sua boa planificação e atuação para a apresentação da escola na Avenida. O mudar de escola é muito saudável. É bom para as duas partes, pois cada carnavalesco tem a sua linha de trabalho.

Quando ele permanece muitos anos na mesma agremiação, cria-se certa acomodação, e o seu trabalho já não atrai tanto como devia. Por outro lado, para as comunidades é sempre um grande estimulo poder contar com trabalhos diferentes.

Para o artista, que é um profissional, a experiência de ser contratado e de participar de novos desafios e conviver com novas comunidades é outra realidade. Ele passa a se reorganizar, a se atualizar. Com isso faz florir a sua criatividade, conseguindo dar maior vida ao seu novo trabalho.

Nos anos 80, quando uma escola despontava na Avenida, pelo som da bateria já se sabia quem vinha lá, e pelas suas alegorias já se sabia quem era o carnavalesco, porque tanto a bateria como as alegorias tinham as mesmas características de suas criações. Naquela época os carnavalescos permaneciam anos na mesma entidade, tornando-se quase um objeto de uso daquela entidade.

O valor dado a eles era mínimo; muitos trabalhavam quase sem ordenado, somente pelo simples prazer de ajudar a entidade. Alguns só começaram a ser reconhecidos como artistas populares, com a vinda de carnavalescos do Rio de Janeiro. Estes chegavam já contratados com bons salários e com acomodações para a sua permanência aqui em São Paulo.

Havia entre nós bons carnavalescos, que batalhavam juntos pelas entidades a que praticamente pertenciam. Com essas trocas de valores os nossos carnavalescos foram sendo "passados para trás", até que muitos se afastaram, muitas vezes definitivamente, até para se dedicarem a outras atividades.

Foi uma pena. Hoje ainda existem muitos carnavalescos que começaram seu aprendizado junto a grandes mestres, sabem realizar bons trabalhos, mas que, por falta de oportunidade, o máximo que conseguem são escolas pequenas, praticamente sem estrutura para arcar com um grande Carnaval.

Assim, para a apresentação de um grandioso espetáculo durante o Carnaval duas coisas são muito importantes: uma escola de samba devidamente estruturada com sua comunidade e um carnavalesco capacitado, organizado e aparelhado para desenvolver o seu trabalho. Juntos caminharão para trazer prazeres e muitas alegrias aos sambistas que passam o ano todo ansiosos para, finalmente, terem momentos de muitas emoções na Avenida.

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Comentários
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    12/04/2016 20:32:56Ednei MarianoAnônimo

    Dna. Cida Urbano, talvez a maior guardiã da nossa arte, através das suas publicações, seus livros sobre o povo Paulista do samba, vem nos presentear com mais ésta lucidez, lindo e pertinente este texto, continue firme segurando este estandarte da nossa cultura, minha querida Embaixatriz, axé.

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    06/04/2016 12:35:21Almir da Silva LimaAnônimo

    Propicia debate de ideias filosófico-artístico-cultural, o enredo para o Carnaval 2017 da São Clemente intitulado: ´Onisuáquimalipanse´. O qual terá enquanto tema, viés e fio condutor retratar bailes e banquetes em jardins e palácios durante o reinado na França. Cujo país é colonialista e imperialista e se localiza na parte ocidental, desenvolvida e nobre da Europa chamada de 1º mundo. É desafiante para a estratégia de competição carnavalesca através de desfile oficial tanto do presidente clementiano e membro do Conselho Fiscal (CF) da LIESA, Renato Almeida Gomes, quanto da carnavalesca Rosa Magalhães. A melhor colocação da História da agremiação, 6º lugar, ocorreu em 1990 no antológico, inesquecível e de irreverência crítica enredo: ´E o samba? Sambou...´. Que foi abandonado pela direção clementiana enquanto estratégia. E apesar do marketing ser o de que o objetivo é voltar no desfile das campeãs. Na prática, tem servido somente para a S. Clemente ficar numa colocação intermediária, longe do rebaixamento. Haja vista, o presidente clementiano não é membro vitalício do Conselho de Grandes Beneméritos da LIESA onde são indicadas para o quadro de julgadores a rebaixada e a campeã. Já a carnavalesca desenvolverá em 2017 na S. Clemente o terceiro enredo consecutivo. Em 2015 na 8ª colocação da agremiação ela desenvolveu folclórico enredo homenageando o revolucionário carnavalesco dos carnavalescos o saudosíssimo Fernando Pamplona. E na 9ª colocação em 2016 desenvolveu o apelidado de irreverente: ´Mais de mil palhaços no salão´. Na vitoriosíssima carreira de seis títulos, o primeiro da carnavalesca foi conquistado em 1994 pela Imperatriz cujo enredo abordou o mencionado colonialismo do reinado francês ocorrido no Brasil: ´Catarina de Médicis na corte Tupinambôs e Tabajeres´. Saudações carnavalescas do portelense, Almir de Macaé.

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    06/04/2016 12:34:07Almir da Silva LimaAnônimo

    Propicia debate de ideias filosófico-artístico-cultural, o enredo para o Carnaval 2017 da São Clemente intitulado: ´Onisuáquimalipanse´. O qual terá enquanto tema, viés e fio condutor retratar bailes e banquetes em jardins e palácios durante o reinado na França. Cujo país é colonialista e imperialista e se localiza na parte ocidental, desenvolvida e nobre da Europa chamada de 1º mundo. É desafiante para a estratégia de competição carnavalesca através de desfile oficial tanto do presidente clementiano e membro do Conselho Fiscal (CF) da LIESA, Renato Almeida Gomes, quanto da carnavalesca Rosa Magalhães. A melhor colocação da História da agremiação, 6º lugar, ocorreu em 1990 no antológico, inesquecível e de irreverência crítica enredo: ´E o samba? Sambou...´. Que foi abandonado pela direção clementiana enquanto estratégia. E apesar do marketing ser o de que o objetivo é voltar no desfile das campeãs. Na prática, tem servido somente para a S. Clemente ficar numa colocação intermediária, longe do rebaixamento. Haja vista, o presidente clementiano não é membro vitalício do Conselho de Grandes Beneméritos da LIESA onde são indicadas para o quadro de julgadores a rebaixada e a campeã. Já a carnavalesca desenvolverá em 2017 na S. Clemente o terceiro enredo consecutivo. Em 2015 na 8ª colocação da agremiação ela desenvolveu folclórico enredo homenageando o revolucionário carnavalesco dos carnavalescos o saudosíssimo Fernando Pamplona. E na 9ª colocação em 2016 desenvolveu o apelidado de irreverente: ´Mais de mil palhaços no salão´. Na vitoriosíssima carreira de seis títulos, o primeiro da carnavalesca foi conquistado em 1994 pela Imperatriz cujo enredo abordou o mencionado colonialismo do reinado francês ocorrido no Brasil: ´Catarina de Médicis na corte Tupinambôs e Tabajeres´. Saudações carnavalescas do portelense, Almir de Macaé.

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