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Cláudio Francioni

Cláudio Francioni

MÚSICA. Carioca, apaixonado por música. Em relação ao assunto, estuda, pesquisa e bisbilhota tudo que está ao seu alcance. Foi professor da Oficina de Ritmos do Núcleo de Cultura Popular da UERJ, diretor de bateria e é músico amador, já tendo participado de diversas bandas tocando contrabaixo, percussão ou cantando.

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11/04/2016 07h43

Coldplay colore o Maracanã
Cláudio Francioni

Quatro anos e meio se passaram desde aquele inesquecível 1º de outubro de 2011, quando Chris Martin comandou um show épico no Rock in Rio. Dentre os humanos, o Coldplay fez a melhor apresentação daquela edição do festival. Percebam que tirei o extra-terrestre Stevie Wonder da disputa. Mas uma noite como aquela é difícil ser repetida, ainda mais quando se tem um abismo de qualidade entre os álbuns lançados naquela época e os atuais. Viva La Vida or Death and His All Friends e Mylo Xyloto são consideravelmente superiores ao atual A Head Full of Dreams e, principalmente, ao insosso Ghost Stories, trabalhos que mostram uma aproximação da banda com o pop eletrônico. Se no penúltimo álbum havia um certo flerte com o malfadado "tsstum tsstum", no atual, a relação parece consolidada.

Respeitando a proposta gráfica do último álbum, o show é uma explosão de matizes. Pulseiras distribuídas na entrada eram comandadas por uma central que alternava cores durante as canções. Já no início, após uma gravação de Maria Callas em "O Mio Bambino Caro", de Puccini, o quarteto aparece para atacar com "A Head Full of Dreams", a primeira bate-estacas da noite, enquanto o estádio inteiro pulsa em vermelho. Chris dá boas-vindas ao povo indo até o fim da enorme passarela.

Foto: Cláudio Francioni

Logo após a primeira canção, curiosamente as pulseiras se apagam no momento em que seria mais óbvio que se acendessem em amarelo: "Yellow", linda, poderosa. Tão arrebatadora a ponto de me fazer esquecer a aversão que tenho por esta cor. No fim, declarações de amor ao Rio. Ah, Chris, para com isso. Você diz isso pra todas! "Every Teardrop is a Waterfall" vem com chuva de papéis, coloridos, claro, todos em forma de folha de maple (ou era uma gaivota?). Nesta música (e em várias outras a seguir), o guitarrista Johnny Buckland justifica algumas comparações maldosas e exageradas com o U2. Algumas de suas ideias têm cara, cheiro e gosto de The Edge, o que não configura nenhum crime. Pura referência, sem nenhum demérito. O clássico "The Scientist", a animadinha "Birds" e o hit "Paradise" com um final eletrônico desnecessário assinado pelo DJ Tiësto, fecharam a primeira parte, exatamente como em todos os outros shows realizados até então.

Além do palco principal, outros dois espaços foram utilizados pela banda: um deles localizado no final da passarela central e o outro ainda mais embrenhado no povo, pouco mais à direita do gramado. Ótima oportunidade para quem não teve grana ou disposição para encarar o perrengue do gargarejo. Porém, a iniciativa gerou momentos de frieza, com introduções estendidas ou interlúdios, ambos gravados, para que desse tempo da banda se movimentar entre um espaço e outro. Já no palco B, a boa "Everglow" abriu e a enjoada "Magic" fechou a trinca de canções. Entre as duas, o debut de "Princess of China" na turnê, com participação de Rihanna no telão num daqueles feat dispensáveis.

Foto: Cláudio Francioni

De volta ao palco principal, o show retornou à sua dinâmica inicial. "Clocks" abriu a série, mas o auge da noite foi a fodástica "Viva La Vida". Como de praxe, o estádio soltava a voz no coro enquanto o versátil baterista Will Champion largava a porrada no marcante arranjo de bumbo/sino/tímpano. Antes disso, pouca gente parece ter reconhecido a breve homenagem a David Bowie com "Heroes".

O primeiro single do último álbum, "Adventure of a Lifetime", fechou o set. A canção é a prova cabal do avançado processo de "maroonfivezação" pelo qual o Coldplay vem passando. Legalzinha, divertidinha e outros adjetivos no diminutivo servem para definir uma canção que tem pouca coisa além de um riff pegajoso e um ótimo clipe. O povo, acompanhado dos macaquinhos no telão, caiu dentro e pulou como nunca.

No palco C, outra estreia: "Parachutes", canção homônima ao primeiro álbum da banda, não era executada desde 2011. Em seguida, a tal canção escolhida pelo público local. O telão mostra uma fã pedindo "A Message", do álbum X&Y. A canção é executada num clima de frieza total. Deu impressão de que só aquela fã desejava ouvir esta música. Eu, por exemplo, queria "In My Place", canção escolhida em Lima, Peru.

Foto: Cláudio Francioni

A reta final veio com a fofíssima "Amazing Day", na minha opinião a melhor canção do álbum mais recente. A penúltima música, "Sky Full of Stars", foi interrompida, assim como em São Paulo, para que alguns casais subissem ao palco para pedidos de casamento. Momento piegas detectado. "Up & Up", boa faixa que fecha A Head..., encerra também o show.

Na saída, as pulseiras eram recolhidas para reciclagem. Bobagem! Algumas pessoas devolveram, mas a maioria levou o souvenir. Após um show com muitos altos e alguns baixos, o coro de "Viva La Vida" permanecia pelas rampas de saída e chegava às ruas. Acho, inclusive, que ainda tem alguém cantando aqui embaixo de minha janela. "Ô ô ô ô ô ô...ô ô ô ô ô ô".

Setlist

A Head Full of Dreams
Yellow
Every Teardrop Is a Waterfall
The Scientist
Birds
Paradise
Everglow
Princess of China
Magic
Clocks
Midnight
Charlie Brown
Hymn for the Weekend
Fix You
Heroes
Viva la Vida
Adventure of a Lifetime
Kaleidoscope
Parachutes
Shiver
A Message
Amazing Day
A Sky Full of Stars
Up & Up

 

Confira outras fotos do show

Foto: Cláudio Francioni

Foto: Cláudio Francioni 

Foto: Cláudio Francioni

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Foto: Cláudio Francioni

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