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Ticiana Farinchon

Ticiana Farinchon

SERIADOS DE TV. Formada em Jornalismo pela Facha, cursa pós graduação em Mídias Digitais. Apaixonada por tecnologia e cultura, tem nos seriados de TV seu maior vício, acompanhando em tempo real tudo o que acontece neste fascinante universo.

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11/04/2016 13h50

'The Taste Brasil': o melhor programa de culinária da TV brasileira
Ticiana Farinchon

Nos últimos anos, inúmeros programas de culinária inundaram a TV brasileira, e se tornaram um verdadeiro vício tanto para aqueles que amam a boa gastronomia quanto para aqueles que curtem um reality show. Dentre eles, um merece destaque, não só por ser inovador no modo de apresentação dos pratos, mas por ter, por trás, uma acirrada competição entre três dos mais famosos chefs de cozinha do Brasil. 

No The Taste Brasil, que está em sua segunda edição e é exibido todas as quintas às 22:30h pelo GNT, os participantes são divididos em três equipes, que são escolhidas numa espécie de audição às cegas feita pelos mentores Claude Troisgros, André Mifano e Felipe Bronze. A escolha dos participantes funciona da seguinte maneira: os pré-selecionados produzem seus pratos - que devem ser apresentados, na íntegra, em uma colher - aos jurados, que, sem terem a menor ideia do perfil do cozinheiro, provam as comidas e dão seus veredictos, através de botões vermelhos ou verdes. Ou seja: nenhum conhece antecipadamente a escolha do outro. Decisões tomadas, o candidato é chamado à sala para o resultado. Ao mesmo tempo, as luzes são reveladas e não só os participantes ficam conhecendo seu futuro no programa, como também os jurados vêem se terão que brigar com os outros mentores pelos participantes escolhidos. Sim, porque se ocorrer de mais de um Chef escolher, quem decide com quem fica é o candidato.

Foto: Divulgação

E é nessa hora que começa a diversão. Conhecido por seu jeito paizão, o francês Claude leva a melhor em quase todas as disputas que participa, o que deixa tanto Felipe (famoso por sua habilidade com cozinha molecular) quanto Mifano (que tem como base uma culinária ancestral, que valoriza o ingrediente) inconformados. A brincadeira corre solta, e fica claro, à essa hora, que acima de qualquer competição o que existe entre os técnicos é muita, muita admiração mútua.
Isso não impede que, na etapa seguinte, com os times já formados, a disputa fique bastante forte, com direito a espionagem, provocações contínuas e até um pouco de inconformismo diante de decisões tomadas.

A cada semana um chef convidado comanda a primeira prova do programa, onde é lançado um desafio - que por vezes pega até os mentores de surpresa - e onde o melhor cozinheiro ganha imunidade para a prova eliminatória. Como já dito acima, os pratos são preparados de maneira completa, contudo a montagem deve ser feita toda dentro de uma colher: ou seja, os sabores devem estar perfeitamente balanceados, e a imagem precisa ser calculada milimetricamente, para que o paladar e a visão trabalhem em conjunto para favorecer os competidores. Nesta fase, os participantes contam com a ajuda dos mentores, que não só dão toques no momento da preparação dos pratos como escolhem qual cozinheiro representará sua equipe diante do convidado. Dispostas uma a uma, sem caracterização da equipe responsável pelo preparo, as colheres são oferecidas ao convidado, que decide, no escuro, qual a equipe vencedora. Ao contrário do que ocorre em outros programas do gênero, no The Taste a imunidade vai apenas para o cozinheiro que fez a colher escolhida, e não para a equipe.

Na segunda fase, os mentores, após passar o tema aos participantes, se recolhem no lounge e recebem um menu, com os nomes dos pratos que estão sendo preparados. Não é mencionado, entretanto, quem vai cozinhar o que, e ai ficamos diante de mais uma deliciosa parte do programa, pois os três tentam, a todo custo, descobrir qual cozinheiro é responsável por cada prato. Isso sem falar nas especulações sobre os pratos em si, que, muitas vezes, rendem muita risada pra quem está do lado de cá da telinha.

Por fim, a fase de degustação. Ainda às cegas, de costas, os Chefs provam as colheres, só que, nesta hora, os participantes têm acesso a todas as observações feitas sobre suas criações. Depois de finalizados todos os pratos, os jurados decidem o vencedor e os três piores. Neste momento são divulgados os competidores responsáveis pelas colheres, e, após consenso (que nem sempre é fácil e agrada a todos) fica decidido o participante que abandonará a competição.

Mas não é só o formato que garante a boa audiência do programa. Os mentores tem, sim, grande responsabilidade neste sucesso. Os três são absurdamente carismáticos, competitivos e, ao contrário do que muito se vê por ai não são nem um pouco afetados pela "Síndrome Gordon Ramsey" tão comum em programas do gênero. São didáticos, educados com os competidores e dão ênfase, acima de tudo, a ensinar, não a gritar. Até mesmo o pirata Mifano, com seus comentários ácidos, consegue ser direto sem ser estúpido.

E esse é o segredo do The Taste Brasil: respeito ao próximo. No mundo onde vivemos, onde a intolerância é enorme e as competições são vencidas a qualquer custo isso é, sem dúvida, algo a ser enaltecido.

Nunca viu o programa?? Tá esperando o que??

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