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Cláudio Francioni

Cláudio Francioni

MÚSICA. Carioca, apaixonado por música. Em relação ao assunto, estuda, pesquisa e bisbilhota tudo que está ao seu alcance. Foi professor da Oficina de Ritmos do Núcleo de Cultura Popular da UERJ, diretor de bateria e é músico amador, já tendo participado de diversas bandas tocando contrabaixo, percussão ou cantando.

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22/04/2016 07h32

Prince: 'O' Artista
Pedro de Freitas

Fui pego de surpresa ao ler a notícia: Prince morreu. Estranho. Pessoas como Prince nos dão a impressão que não morrerão nunca. Mas se pensava o mesmo de David Bowie?

Se Michael Jackson foi o ícone máximo dos anos 80, Prince Rogers Nelson foi a consciência musical mais rica daquele período. Com um trabalho, em minha opinião, mais criativo e consistente que o do "Rei do Pop", o multi-instrumentista e compositor nasceu com o dom de utilizar como matéria-prima qualquer som ou gênero musical que lhe passasse pela mão. Se os primeiros trabalhos lhe renderam comparações com Sly Stone e James Brown, o álbum "1999" o entronizou como o "novo Michael Jackson"; com "Purple Rain" Prince chegou a ser comparado com ninguém menos que Jimi Hendrix. Os anos 80 foram realmente seu auge. Seu talento incrível produziu uma sucessão ininterrupta de obras-primas. Vale a pena nomear uma a uma, para que o leitor não se perca, e procure conhecê-los: "Dirty Mind", "Controversy", "1999", "Purple Rain", "Around The World In A Day", "Parade", "Sign O' The Times", "Black Album", "Lovesexy". Nove discos em oito anos, sendo dois duplos, nenhum deles menos que excelente. 

Foto: Divulgação

Se pudesse resumir todo este material arrebatador em uma música e um disco, escolheria "Kiss" e "Sign O' The Times". "Kiss" é um dos maiores arrasa-quarteirões da história. Não há esqueleto humano na face da Terra que resista e fique parado diante deste primor de perfeição pop difícil de ser igualado. "Sign O' The Times", em minha opinião, é simplesmente o melhor disco dos anos 80. Apaixonei-me por ele desde a primeira audição. Nele, Prince se despiu dos excessos e extravagâncias e despejou toneladas de música brilhante e eclética produzidas de forma espartana. Cacetadas como "Housequake", "Play In The Sunshine", "It", "Hot Thing", "The Cross", Starfish and Coffee" e principalmente a minimalista faixa-título são muito mais do que qualquer artista normal produziria em várias reencarnações.

Após essa fase, as brigas com a sua gravadora o fizeram abandonar o próprio nome artístico. Suas próprias idiossincrasias diminuíram um pouco o frescor do seu trabalho. Passou a exigir ser chamado de "The Artist" (O Artista) ou se autodenominar através de um símbolo impronunciável. Ainda assim, a visita do "Gênio de Minneapolis" ao Brasil no Rock in Rio de 1991 rendeu um show primoroso e antológico. Mais tarde tornou-se Testemunha de Jeová. Que Deus tenha reservado para ele um lugarzinho no Paraíso, com um coro gospel de anjos, uma guitarra de formato extravagante, e um piano de cauda. Tudo de cor púrpura, é claro.

Prince - Purple Rain


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