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Joan Amato

Joan Amato

SAÚDE ESPORTIVA. Formada em 2002 pela UERJ, iniciou a carreira como médica intensivista. Para tratar as pessoas fora do hospital, fez pós-graduação em medicina do esporte e tornou-se especialista em Nutrologia. É membro da International Society Of Sports Nutrition. Por adorar escrever, fundou o site Nutroesporte.com.

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22/04/2016 11h46

Proteína, proteína, proteína
Joan Amato

É quase um mantra entre os praticantes do treino de força: "você precisa comer mais proteína para ter maior ganho muscular". Não é a toa que as figuras expositoras do fitness no Brasil vivem falando de suas dietas cheias de whey protein e muita, muita clara de ovo. Hoje, nós não vamos discutir a quantidade, mas sim a fonte de proteína que seria melhor, a proveniente da dieta ou de suplementos alimentares, como o whey protein.

Num estudo da Universidade McMaster, no Canadá, foram avaliados dois grupos de idosos submetidos a treino de força. Um grupo usou a proteína da dieta e outro grupo usou suplementação com whey protein, ambos consumindo a mesma quantidade de proteína por dia, porém com distribuição diferente entre as refeições. O grupo que fez uso de whey teve a proteína dividida igualmente entre 4 refeições diárias. O grupo que consumiu a proteína da dieta teve maior quantidade de proteína no jantar. Os dois grupos cumpriram um protocolo de 4 semanas de treino de força.

Por que tanto estudo sobre uso de proteína em idosos? Por causa da sarcopenia, a perda crônica de massa muscular, muito comum no envelhecimento, e que piora a qualidade de vida, aumenta a chance de ficar doente e aumenta a mortalidade no final das contas.

Foto: Reprodução de Internet

O mais interessante é que quando a gente pensa "whey protein", a gente pensa uma loja de suplementos, um pote grande com rótulo chamativo. Pois saibam que whey protein, proteínas modelares, albumina também estão em suplementos voltados para o público idoso e, muitas vezes, podem vir em pó ou em pequenas garrafas (como de um iogurte para beber) maquiando já prontos para o consumo.

Voltando ao estudo, os idosos alocados no grupo do whey protein tiverem melhor síntese muscular, enquanto o outro grupo só não teve perda. Ok, válido.

Mas, aí, a gente entra numa outra questão que vem sendo levantada ao redor do consumo de whey protein, já que se tornou desenfreado é muita gente consome sem saber por que ou até mesmo se precisa de whey protein. Não é assim "entrei para academia e vou para a loja de suplemento". Calma lá, que nada é inócuo.

Um estudo publicado na revista Diabetes, em 2015, mostra que o whey protein pode interferir com o metabolismo da glicose de forma negativa, ou seja, a captação da glicose pelas células piora, assim como na diabetes. Não é para desespero total: esse estudo foi realizado levando em conta um efeito agudo do whey, ou seja, logo após o seu consumo. Talvez isso não seja o suficiente para traçar uma relação do uso de whey protein na juventude com o desenvolvimento de diabetes numa idade mais avançada.

Ainda assim, temo que ficar de olho. No whey protein, existem os aminoácidos de cadeia ramificada, sendo um deles a leucina e esse aminoácido específico já vem mostrando efeitos sobre a regulação da glicose.

Então, acho que podemos tirar algumas lições sobre isso, sendo a mais importante delas que um suplemento bem aplicado é benéfico. Porém, a pessoa precisa ser avaliada antes de usar um suplemento proteico. Muitas vezes, basta um ajuste no consumo de proteína da dieta para o alvo ser atingido, sem precisar comer omelete de 12 claras. O equilíbrio continua sendo o segredo do sucesso.

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