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01/05/2016 14h51

Império da Tijuca: leia a sinopse do enredo do Carnaval 2017
Redação SRZD

A Império da Tijuca divulgou, neste sábado, a sinopse do enredo de 2017, "O último dos profetas", que será desenvolvido pelo carnavalesco Junior Pernambucano.

Leia abaixo:

Foto: DivulgaçãoA Judeia está em festa. Na noite límpida do deserto, desce das estrelas a luz que anuncia a chegada de um profeta de fé e amor. Esta noite esperada e iluminada festeja com alegria o nascimento do emissário da esperança. Conforme anunciou o anjo Gabriel, nascerá João!

Gerado no útero de Isabel, que saudou Maria, mãe de Jesus: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Veio ao mundo em uma pequena aldeia de Judá. Filho de uma terra árida, ponteada por rochedos, de calor intenso e vento cortante; habitada por camelos, ovelhas, cabras e beduínos de vestes escuras e pele curtida ao sol; coberta por vegetação tímida e rara, mas que garantia o sustento à gente sofrida.

Criado na tradição judaica foi viver com a mãe no deserto, após a morte do pai, Zacarias.

Ao perceber que chegara a hora de cumprir sua missão, de anunciar a vinda de um Messias que estabeleceria o Reino do Céu na própria Terra, passou a peregrinar junto aos povos que perambulavam pela região. Assim surgia o profeta da esperança: homem simples, que vestia peles de animais e se alimentava de gafanhotos e mel. Porque era a fé o seu principal alimento.

Sob o sol escaldante do árido deserto, fazia suas preces e seus sacrifícios, pregando o arrependimento e lições de amor. Humilde, João dizia que não era digno nem sequer de apertar as sandálias do Messias. Batizava a todos que se arrependiam e multidões sempre iam ver suas pregações no rio Jordão - o mesmo em cujas margens, tempos depois, apoiou Jesus em suas mãos e o mergulhou em suas águas claras, das quais emergiram o Cristo Salvador.

Contam as escrituras que, ao batizar Jesus, João ouviu dos céus uma voz que lhe disse:

"Este é o Meu filho amado". Neste momento, uma pomba esvoaçou sobre os dois dentro do rio, e dos céus, abertos em banho de luz dourada, desceu à Terra o próprio Espírito Santo. Discursando para seus seguidores no deserto, despertou a ira do rei Herodes Antipas - filho de Herodes, O Grande, o mesmo que mandara matar as crianças de Belém quando Jesus nasceu - por condenar o casamento dele com Herodíades, mulher de seu próprio irmão.

Preso na fortaleza de Maqueronte, onde ficou até o dia de sua morte, teve o destino selado no aniversário de Antipas. Em festa de luxo e fartura, o rei encanta-se com a dança de Salomé, filha de Herodíades - que, para vingar o nome de sua mãe, pediu a cabeça de João como recompensa.

Da morte de João, renasceu ainda mais forte a mensagem de fé, amor e esperança, a mesma que banhou a Judeia na noite de seu nascimento. O último dos profetas, forjado na dura vida do deserto, anunciador do Messias, virou mártir - de um lado, por conta da ambição e do espírito de vingança dos poderosos; de outro, por conta de sua própria coragem.

Coragem que, no Brasil, se espelha no sincretismo com a umbanda, crença miscigenada do nosso povo na qual São João Batista é Xangô - orixá da justiça e da sabedoria, do fogo e do trovão, do raio e das almas, do ar e da terra. Soberano das pedreiras, que lembram as rochas do Deserto da Judeia, é reverenciado com a saudação "kaô kabecilê", que significa "Venha ver o Rei descer sobre a Terra" - expressão que encontra paralelo com as pregações do profeta que anunciava o Messias. Mas Xangô também reina nas cachoeiras, com as águas que purificam, lembrando os batismos às margens do Rio Jordão.

Rei guerreiro que conquistou reinos e enriqueceu seu povo iorubá, a missão de Xangô é cobrar de quem deve e premiar a quem merece, agindo sempre com sabedoria. Seu poder queima e destrói todo o mal, transformado-o em todo o bem, conforme nosso merecimento. É isso que se pede à beira das labaredas no mês de junho, de acordo com a simbologia ancestral das fogueiras. Grande, poderoso, vaidoso, implacável e valente, Xangô é também exemplo de compaixão e justiça - simbolizada pelo seu machado de duas faces, que a todos julga, sem distinção.O fogo de Xangô nos leva a falar novamente do nascimento de João - data que, para os povos da Antiguidade, coincidia com a proximidade das colheitas e os rituais dos camponeses para afastar os maus agouros, as pestes, a estiagem. O fogo tinha, também, a simbologia de purificação dos pecados. Nos dias de hoje, é isso que se pedi ao pular as brasas das fogueiras no mês de junho.

Tradição essa celebrada em muitos países da Europa (Portugal, Espanha, França, Rússia, Polônia) e das Américas (Paraguai, Argentina, Cuba, Bolívia, Chile, Peru e Venezuela).

Além, é claro, do Brasil. Nas nossas terras, a devoção e a tradição trazidas pelos portugueses seduziram nosso povo, fazendo das Festas Juninas uma das maiores homenagens a São João Batista - e seus companheiros Santo Antônio e São Pedro.

Festas que alegram o país com suas cores, luzes, comidas, bebidas, danças e músicas típicas, adivinhações e crendices - principalmente no Nordeste, em cidades como Campina Grande (Paraíba), Caruaru (Pernambuco), São Luiz (Maranhão), Mossoró (Rio Grande do Norte) e Salvador (Bahia).

Pelas pregações dos jesuítas, o caráter religioso dos festejos juninos europeus passou a

celebrar a vida, os costumes e as tradições do homem simples, principalmente do campo.

É a vida do caipira, do bacamarteiro e do violeiro; do sanfoneiro, do tocador de triângulo e de zabumba.

Gente que dança forró, baião, arrastapé, xaxado e quadrilha;

Que faz adivinhações, enfiando a faca na bananeira ou jogando papeis em bacias d?água para saber o nome do grande amor;

Que solta rojões, foguetes, buscapés e salta a fogueira;

Que sobe no pau de sebo em um arraial ornado por bandeirolas;

Que veste roupas coloridas, às vezes remendadas com retalhos de tecido;

Que usa chapéu de palha e admira os balões no céu;

Que come pamonha, canjica, munguzá, pipoca, pé-de-moleque e milho assado na fogueira.

Gente humilde como o próprio João - aquele menino da Judeia, cuja vida e cujo sangue serviram para anunciar a chegada de um novo tempo. Um tempo de salvação, um tempo de fé, um tempo de esperança.

Texto: Júnior Pernambucano

Bibliografia

- Dicionário do folclore brasileiro. Luís da Câmara Cascudo. Editora Global, 2012.

- A gruta de São João Batista. Shimon Gibson. Record, 2004.

- Guia visual da história da Bíblia. National Geographic/Nova Fronteira, 2008.

- O profeta que veio do deserto. João Batista Megale. Edições Paulinas, 1978.

- O santo do dia. Servílio Conti. Vozes, 1997.

SUGESTÕES PARA OS COMPOSITORES:

Filmes

Para aprofundar o conhecimento sobre a história e o tempo de São João Batista; e também sobre os principais aspectos descritos na sinopse, sugere-se assistir ao filme O evangelho segundo João (Diretor: Philip Saville. Duração: 2h10) e o Vídeo EVIDÊNCIAS.

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Comentários
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    01/05/2016 16:18:48Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Tendo a expressão educativa em sua denominação, a escola de samba Império da Tijuca divulgou a sinopse do enredo ´O último dos profetas´ com o qual se apresentará no grupo de acesso/Série A, espécie de 2ª divisão do Carnaval Carioca 2017. Quem pesquisou o tema, redigiu a sinopse, criou e desenvolverá esse enredo foi o carnavalesco Junior Pernambucano, no cargo desde 2013. É bíblico o viés artístico-cultural e o fio condutor do tema desse enredo à medida que se refere ao personagem judaico da História cristã São João Batista, sincretizado na Umbanda pelo orixá da justiça no Candomblé, Xangô. Localizada na comunidade-base Morro da Formiga no bairro da zona norte carioca Tijuca e tida como o 1º império, a Império da Tijuca é assim considerada em função de ter sido fundada em 08/12/1940. Ao passo que a igualmente tradicional e também nas cores oficiais verde-branco a sua afilhada Império Serrano é situada na comunidade-base Morro da Serrinha no bairro suburbano Madureira e foi fundada em 23/03/1947. A afilhada Império Serrano conquistou nove títulos de campeã no Grupo Especial (GE), a espécie de 1ª divisão do Carnaval Carioca erroneamente chamado de ´elite´ e se encontra no grupo de acesso/Série A desde 2010. Já a madrinha Império da Tijuca não chegou a conquistar título de campeã no GE onde sua mais recente passagem ocorreu em 2014 quando apresentou o enredo afro ´Batuk´ que lhe propiciou apoteótico, competitivo e belo desfile, injustiçado pelo ´suspeito´ quadro de julgadores da caixa-preta LIESA com a última (12ª) colocação. Por isso a Império da Tijuca quer conquistar o título de campeã em 2017, para ascender ao GE em 2018. Saudações carnavalescas do portelense, Almir de Macaé.

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