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Ednei Mariano

Ednei Mariano

CARNAVAL/SP. Natural de São Paulo, nasceu no bairro de Vila Mariana, Zona Sul. É pesquisador, escritor, dançarino, carnavalesco e professor. Foi o primeiro passista da escola de samba Vai-Vai. Como mestre-sala, defendeu durante 34 anos de carreira os pavilhões da Barroca Zona Sul, Tucuruvi, Vai-Vai (de Honra), Rosas de Ouro e Unidos de São Lucas.

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05/05/2016 10h50

Alerta geral: O sinal ficou vermelho
Redação SP

O sinal ficou vermelho para aquele promissor mestre-sala.

Os portões dos terreiros, dos barracões do samba, se fecharam para o bailado magistral do dançarino popular.

As luzes da passarela do samba se apagaram. O povo da arquibancada já não mais delira com o girar em proteção do jovem mestre em dança.

Não está mais no clip da TV com suas belas cortadas, herança tiririca paulista. Não verá mais os ateliers brigarem em disputa para a confecção de sua fantasia, perdeu a vantagem da marca famosa em seu traje carnavalesco.

Alerta geral. Foto: Reprodução

Acabaram os aplausos no terreiro do samba para aquele que tão bem sabe cortejar, que como poucos, conduz a primeira dama da escola.

Sem mais o glamour da tietagem, ávidas para uma foto com o exímio da arte. Acabaram os olhos marejados da fanática torcida da escola ao ver tanta graciosidade sincronizada nos passos do jovem mestre.

Acabou a beleza deste Apólo, que foi engolido pela vaidade e a doença mortal do Narciso. O alfaiate dos mestres já não abrirá sua sala em horário exclusivo, para favorecer em ternos e conjuntos arrojados. Os sapatos que tanto efeito causaram, já não servirão mais, pois o brilho nele será nulo, não haverá mais letras para o povo admirar.

É o fim daquele que se proclamou filho do homem. É o fim daquele que se intitulava a luz, mas semeou as trevas. É o fim daquele que jamais permitiu que seus companheiros de escola, dançassem o hino, se achando o dono desta prerrogativa, humilhando seus pares e os deixando como estátua figurativa, enquanto ele tomava conta da quadra.

O fim daquele que se julgou eterno, na arte de defender o pavilhão. É o fim daquele que escolhia as melhores festas para se apresentar, sem se peocupar com os outros casais da sua escola, se esquecendo da nescessidade e do desejo de cada um que exerce a função independente da posição hierarquica.

É o fim daquele que ao chegar frente às luzes da fama, perdeu a humildade, o companheirismo e o respeito. É o fim daquele que se achava mais importante que sua dama, a verdadeira rainha do par. É o fim daquele que se enfeitiçou com os elogios, com os encantos que nossa dança dá aos que sabem versar nas pernas.

Sua decadência começou quando ele não soube trabalhar em grupo. Sua decadência começou quando ele esqueceu que um dia ele foi aluno e não quis, por vaidade, passar seus conhecimentos.

Sua decadência começou quando se achou o imprecindível, quando se esqueceu que tudo nesta vida é momento, de que o homem só é grande quando expande suas virtudes, que a humildade é uma arma contra as trevas, e que no samba somos eternos aprendizes e que a única escola que não dá diploma é a de samba. Seu mundo caiu, será que terás forças para recomeçar?

Alerta geral. Foto: Reprodução

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Comentários
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    25/05/2016 16:43:03Sebastião AndréAnônimo

    A Luz da humildade estará sempre pronta, para aqueles que diante do que aprendeu passou a ensinar também. Somente aqueles que c/ espirito nobre de dança aceita e admite passar para os parceiro de escola a sua vivencia e conhecimento.pois assim se reerguera em nome da dança de Deus pai maior e enfim todos os dançarinos humildes de felize no nosso terreiro de samba.

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    25/05/2016 13:05:02Dulce CarvalhoAnônimo

    Sabias palavras de um Mestre sala que fez do seu dom a sua arte.Que desta arte nasceram tantos frutos.Texto para refletir. Nós que amamos a arte queremos ver cada vez mais os frutos florescerem.A consciência da arte deve permanecer.É o que diferencia um artista do outro.

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    09/05/2016 19:00:35Kátia CellinaAnônimo

    Muito atual! Uma pena muitos deixaram que o ego e vaidade tome a frente de uma coisa q a humildade e o q deveria permanecer! Parabéns Mestre Ednei! Grande beijo

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    06/05/2016 08:43:01Alex Santos RibeiroAnônimo

    Grande mestre dos mestres, sempre levando dúbio sentido a realidade da nossa dança. Parabéns sempre pelos belos textos!

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