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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



14/05/2016 16h30

A verdade sobre a EBC
Sidney Rezende

O que você lerá aqui é um esclarecimento sobre os detalhes da minha contratação pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Antes, registro um agradecimento afetuoso a todos os que aceitaram nosso convite para ouvir na "Rádio Nacional" do Rio, 1130 AM, o programa "Nacional Brasil", de segunda a sexta, de 7h às 10h da manhã. 

O jornal é transmitido ao vivo para toda a rede de rádios da EBC, "Brasil Atual", de São Paulo, e apenas na sua primeira hora pela "Roquette Pinto", FM 94.1, no Rio de Janeiro.

Temos conhecimento que desde a estreia, dia 4 de maio, várias rádios do país, entusiasmadas com nossa forma de fazer jornalismo, aderiram e também estão retransmitindo nossas edições.

O engajamento das equipes que trabalham no programa nas praças Rio, São Paulo, Brasília e núcleo da "Nacional" da Amazônia foi emocionante. 

Nossa motivação não mudou desde o início, ao contrário, hoje está mais robustecida, pois estamos convictos que nosso objetivo editorial de fortalecer os princípios de uma empresa pública está sendo alcançado. O jornalismo isento que perseguimos não prioriza partidos políticos em detrimento de outros, grupos individuais de pressão ou segmentos ideológicos. Nossa visão é o todo do Brasil com máxima isenção. Temos calma e respeito. Não somos afeitos à histeria.

Nosso slogan voltado para o ouvinte vale também para nossos relacionamentos internos: "Respeito à sua forma de pensar". Só o diálogo nos interessa. 

Em tempo, registro algo raro nas relações entre redação e gestores: o absoluto respeito da direção da empresa a princípios de não interferência indevida na escolha do conteúdo. Nossa estrela-guia é a notícia. É importante, interessa ao brasileiro, é novidade, interfere na vida do cidadão? Então, estará no "Nacional Brasil".

O resultado dos primeiros 10 dias foi estupendo. O ouvinte nos ajudou a dignificar a comemoração dos 80 anos da "Rádio Nacional" do Rio de Janeiro. 

Sem medo de errar, estamos diante de um caso de sucesso, pelo menos por enquanto. O que atesta a afirmação é o número expressivo de contatos por meio de nossas várias plataformas.

O crescente número de acessos via web para ouvir pela internet e aplicativos colocaram "Nacional Brasil" no topo do ranking da "Nacional". Perguntas, comentários, desabafos e elogios nos chamaram a atenção.

As críticas mais contundentes e saudações favoráveis que foram registradas pela Ouvidoria, sempre isenta e competente, nos serviram para ajustar os passos das duas primeiras semanas. Admitir os erros, e corrigir. Ao mesmo tempo, sem nos deixar contagiar pelo registro mais agradável.

A recepção interna dos funcionários da EBC ao que estamos construindo juntos foi acima da média. Como tem que ser. Todos queremos o melhor para a empresa que trabalhamos. Não podemos deixar morrer a chama da qualidade. Ouvir ideias novas é um bom primeiro passo. 

E isto tem repercussão na sociedade.

A revista "Veja", antes da estreia, noticiou que minha contratação havia gerado "desconforto entre os funcionários" e eles teriam se incomodado com "a comemoração da nomeação de Rezende com champanhe nas dependências da empresa". Não foi o que percebemos como espírito da nossa chegada. 

A realidade do dia do anúncio de boas-vindas em São Paulo foi outra. Estávamos em área reduzida onde cabiam umas 60 pessoas ou um pouco mais, e foi uma "cerimônia" aberta a todos os empregados que quisessem ali permanecer - como de fato aconteceu -, ao lado da redação, e sem qualquer caráter sigiloso. 

Há registro de imagem. Veja aqui mesmo no SRZD a solenidade. Numa mesa modesta, num dos cantos do ambiente, havia água, café e 6 garrafas de espumante nacional Salton. Nada além disso. Melhor assim. Até porque não sou chegado a ostentação. 

Dias depois, o "Estadão" publicou numa de suas reportagens que "empregados da EBC fazem um protesto de repúdio à contratação do jornalista Sidney Rezende para âncora de programa de notícias da emissora. E o contrato está orçado em R$ 1 milhão por ano."

Quando se verifica a publicação no Diário Oficial, se observa que a informação do jornal estava imprecisa.

Passados alguns dias, é o jornal "O Globo" que retorna o assunto nas suas versões impressa e digital e também no jornal "Extra". Presumivelmente, com a intenção que mais gente leia o conteúdo. 

Lá, em destaque, o título sugestivo: "Com dívida de R$ 22 milhões, EBC pagará a jornalista R$ 507 mil". Sem surpresa, no rodapé da notícia, há comentários indignados dos leitores. Recomendo que você entre também no Twitter e leia a opinião dos internautas.

A versão da EBC enviada ao jornal carioca não foi publicada. Talvez por falta de espaço. Resumirei alguns pontos: 

1) O orçamento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é de R$ 538,5 milhões/ano. A empresa está atendendo ao fluxo de pagamentos, sem comprometer o cumprimento dos contratos e o seu funcionamento.

2) Sobre o contrato com o jornalista Sidney Rezende, este foi sacramentado dentro dos recursos orçamentários da EBC e respeitando as normas gerais estabelecidas na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. O jornalista possui reconhecida competência profissional e seu trabalho será remunerado de acordo com os salários de mercado. A contratação do mesmo também atende aos objetivos da EBC e está contribuindo para fazer a comunicação pública mais ampla, plural e isenta.

Como o hábito de falarmos em vencimentos anuais é americano, utilizarei o linguajar brasileiro que é mais fácil de entender. O contrato é pessoa jurídica com recebimentos parcelados em doze meses. Sem nenhum tipo de benefício como plano de saúde, vale-refeição, vale-transporte e outros. Se fosse relação pessoa física, receberia mensalmente 13 vencimentos de R$ 36 mil. 

Por ser entendimento jurídico, é preciso provisionar valores para a hipótese de viagens e eventualidades de deslocamentos, locomoção, alimentação, quando necessário. Não é incomum um apresentador viajar para locais externos ao estúdio e tocar seu programa deste local. Isto pode implicar algum custo. Caso não seja usado, o dinheiro sequer é retirado dos cofres da empresa. 

Um detalhe importante: não há multa contratual e, por ser assim, não há perda ao erário. O dia que a EBC não julgar mais importante minha presença, ela pode me dispensar. O contratado não usufrui de vantagens. E ainda tem uma cláusula de que tudo o que eu criar não me pertence. O nome e o slogan foram criados por mim. E a grade inicial tem a minha assinatura e a do brilhante jornalista Marco Antonio Monteiro.

Além de apresentar o "Nacional Brasil", terei a incumbência de ajudar a "editorializar a faixa que ora" trabalhamos de 6h às 10h e disponibilizar minha força de trabalho, quando convocado pela direção, para outros desafios de programação que, por enquanto, não estou autorizado a anunciar.

Fazer uma programação de qualidade, aumentar a audiência, ampliar o caráter educativo e cultural do nosso povo através dos instrumentos de comunicação da EBC não é um desafio pessoal, mas coletivo, e é um orgulho para qualquer jornalista sério se envolver num projeto dessa dimensão.

Trabalhar no serviço público não significa estar envolvido em maracutaias. Não é da minha índole e nem é o que queremos para o Brasil. Por isso, a minha indignação com insinuações baratas. Compreendo que alguns prefiram para si agir como vestais da moral alheia. Até para ser fiel à minha folha de serviços, respeito a todos, mas exijo que tenham a mesma conduta para comigo.


Veja mais sobre:Programa Nacional Brasil

Comentários
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    18/07/2016 15:40:46Carlos AugustoAnônimo

    É .... uma hora a teta ia secar mesmo ..... ou vc acha que algum governo quer pagar alguém todo mês pra falar mal dele próprio .... não dá né ....

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    24/05/2016 16:00:11Raphael AleixoAnônimo

    Acredito haver um erro no texto, onde se lê "Se fosse relação pessoa física, receberia mensalmente 13 vencimentos de R$ 36 mil. " Receber por mês 13 vezes 36 mil seria realmente algo agradável, mas acho que não é o caso hahaha PS: favor adicionar os email @hotmail.com.br como válidos.

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    23/05/2016 10:14:02Marcos SilvaAnônimo

    Sidney, acompanhei o Nacional Brasil desde o primeiro dia e, para nós aqui do Rio, veio preencher um buraco enorme que existia em termos de pluralidade de opiniões. Até então, vinha ouvindo a Rádio Brasil Atual, via internet. O que fazer agora? O SZRD não poderia se estruturar, de repente com uma parceria com a Brasil Atual, para manter esse noticiário jornalístico que você estava fazendo? Aqui, no Rio, ficaremos órfãos de novo com a relação à mídia isenta? Um grande abraço, Seu eu puder ajudar objetivamente em alguma coisa, por favor, envie mensagem. Marcos - Rio de Janeiro

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    17/05/2016 12:48:48Célia NeeryAnônimo

    Reconheço que você é um profissional experiente e eficiente. A sua contratação pela EBC só pode ser contestada se for ilegal. Até aí acho que estamos de acordo. Agora, dizer que faz um jornalismo isento, é andar longe da verdade. Se fosse assim, o Brasil inteiro não saberia com certeza que você é de esquerda, é petista e defende o governo petista, sempre. Assim como critica quem considera de direita ou quem simplesmente diverge do PT. Acompanho a sua carreira a muito tempo e acho que é direito seu defender suas idéias, só não é justo escamotear esta informação e se declarar "isento".

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    16/05/2016 11:26:51Silvio cesarAnônimo

    Você assim como outros têm que ser demitidos, pois são petistas. Ponto. Avante Brasil com Temer. O restante é narrativa pessoal.

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    16/05/2016 07:38:50LuísAnônimo

    ao meu ver o momento econômico do Brasil não nos permite firulas com o orçamento.o governo central. tem propaganda demais e investimentos de menos. me perdoe mas a ebc não acrescenta valor ao Brasil se comparado ao seu custo. mais um desperdício.

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    15/05/2016 17:49:45Pedro Augusto FerreiraAnônimo

    Aprendi a admirar o profissionalismo, integridade e seriedade desse jornalista ainda na Rádio Globo - Rua do Russel, 434 - Rio de Janeiro, RJ. Desde então percebi nele o caráter e a independência de outros que por ali também já haviam transitado, como João Saldanha, o João sem Medo, que foi capaz de encarar uma ditadura com destemor como funcionário de quem havia apoiado a implantação da mesma. Um funcionário ou contratado não se dissolve na instituição ou empresa das quais tem contrato de trabalho se é capaz de se garantir e preservar a sua integridade de homem antes de cidadão e de cidadão antes de empregado dissolvido como suco em engrenagens supostamente podres. Que o governo em exercício do Brasil, a partir de 13 de maio de 2013, 128 anos após a Abolição da Escravatura pela Lei Áurea, saiba separar o joio do trigo sem necessitar recorrer a cooptações esdrúxulas. Siga em frente, Sidney sem nada temer pelo Brasil e pela democracia. A escravidão passa...

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    15/05/2016 09:55:18Flávio Barbosa MarascaAnônimo

    Prezado Sidney, Estou procurando uma opção de rádio de notícias para ouvir de manhã, quando estou indo para o trabalho, que não seja a CBN, uma vez que não concordo com a parcialidade dela e não aguento ouvir os seus comentaristas, em especial, o Sardemberg e o Jabor. Por favor me indique uma rádio de notícias honesta e idônea que eu possa ouvir a partir das 5h45 na região de Campinas - SP. Obrigado e desejo uma boa sorte e um bom trabalho para você e sua equipe.

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    14/05/2016 22:16:36Luiz Carlos PontesAnônimo

    Torcendo por você, Sidney. Admiração segue intacta, desde os tempos de CBN. Abraços de seu fã e colega de jornalismo, direto de João Pessoa.

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