SRZD



Carlos Nobre

Carlos Nobre

CULTURA AFROBRASILEIRA. Carlos Nobre é jornalista, pesquisador e professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio. É mestre em Ciências Penais pela Universidade Cândido de Mendes. Autor de oito livros sobre discriminação racial, segurança pública e cultura afrobrasileira. Foi autor e coordenador da Coleção de Livros Personalidades Negras da Editora Garamond(RJ).

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



17/05/2016 13h56

100 anos de nascimento de Silas de Oliveira
Carlos Nobre

O sambista Silas de Oliveira (1916-1972) nasceu em Madureira.

Em 2016, o bairro está festejando os 100 anos de nascimento de grande compositor.

Ele é considerado o maior autor de samba-enredo da história das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Silas dava aulas de Português, quando começou a namorar uma das alunas, a jovem Elaine dos Santos. Nessa época também fez amizade com o jornaleiro Mano Décio da Viola (1909-1984), que se tornaria seu maior parceiro.

Pelas mãos de Elaine e de Mano Décio, Silas sobe os morros cariocas atrás de rodas de samba. Com os dois, frequenta também os tradicionais pagodes nas casas das "tias" baianas, regados a muita bebida, comida e batucada. Seu talento como compositor começa a se revelar, ainda que timidamente.

Silas de Oliveira. Foto: ReproduçãoAs visitas a estes locais passam a ser cada vez mais constantes e não tarda para que Silas passe a ser considerado como "gente da casa" nos redutos de samba.

Frequentador da escola de samba Prazer da Serrinha, agremiação em que começou, Silas, após cisão entre os integrantes, também ficou na nova escola resultante dela, a GRES Império Serrano, em 1947.

Ele integra a nova escola desde seu primeiro desfile. Ali, se sagrou campeão no Carnaval de 1948.

Entre 1949 e 1951, o samba vitorioso do Império Serrano trouxe a assinatura de Silas e de Mano Décio.

Em 1955 e 1956, mais duas vitórias da dupla na escolha do samba-enredo e do Império Serrano na Avenida: "Exaltação a Caxias" e "O Sonhador de Esmeraldas".

Silas dedicou 28 anos de sua vida ao Império Serrano e nesse período fez 16 sambas-enredo para a escola, dos quais 14 foram defendidos no desfile oficial.

Quando Mano Décio foi para a Portela, a dupla se desfez.

Mas Silas continuou compondo para a verde-e-branco de Madureira, muitos dos quais tornaram-se clássicos do gênero, como "Aquarela do Brasil" (1964), "Os Cinco Bailes da História do Rio" - em parceria com Dona Ivone Lara e Bacalhau (1965), "Glórias e Graças da Bahia" - com Joacir Santana (1966) e "Pernambuco, Leão do Norte", com o qual enfrentou - e venceu - o antigo parceiro Mano Décio da Viola, que retornava à escola, em 1968.

A última parceria dos dois grandes sambistas foi em 1969 com "Heróis da Liberdade", um clássico de samba-enredo, num ano em que o jeito de fazer samba-enredo passava por grandes modificações, sobretudo no andamento acelerado, lembrando marcha militar.

No dia 20 de maio de 1972, Silas foi a uma roda de samba. No momento em que cantava "Os Cinco Bailes do Rio", sofreu um enfarto fulminante. Morreu no terreiro, onde passou a maior parte de sua vida. Nos deixou obras-primas como "Meu Drama" (gravada por Cartola como "Senhora Tentação"), "Apoteose ao Samba" (com Mano Décio, imortalizada por Jamelão) e "Aquarelas do Brasil".


Comentários
Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.