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Ednei Mariano

Ednei Mariano

CARNAVAL/SP. Natural de São Paulo, nasceu no bairro de Vila Mariana, Zona Sul. É pesquisador, escritor, dançarino, carnavalesco e professor. Foi o primeiro passista da escola de samba Vai-Vai. Como mestre-sala, defendeu durante 34 anos de carreira os pavilhões da Barroca Zona Sul, Tucuruvi, Vai-Vai (de Honra), Rosas de Ouro e Unidos de São Lucas.

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03/06/2016 12h11

Ednei Mariano em: 'Brilho de diamante'
Ednei Mariano

Como garimpeiro da nossa arte, cruzo sampa, atravesso o bairro da Lapa, e me lembro dos grandes Carnavais, dos grandes desfiles na Rua 12 de Outubro, um aperto no coração! É saudade de lembrar a rua iluminada e as escolas à desfilar, terminando em frente ao mercado municipal do bairro!

Continuo meu caminhar, acompanhando uma luminosidade intensa e ela me leva ao Jaraguá, bairro que divisa a Zona Oeste com a Norte, de temperatura amena, devido ao parque estadual com o mesmo nome, que cincunda o grande pico, onde as antigas emissoras de televisão istalavam suas antenas, mas isso vem de outros tempos...

Ednei Mariano em: 'Brilho de diamante'

A cada passo o brilho é mais intenso, até chegar a morada da nossa personagem: Jenifer Lima!

Aí descobri que este brilho é do diamante que circunda esta menina, bacharel em Direito, canceriana de 24 anos, força no olhar, rápida nas ações. Aos 13 anos já era ritimista da bateria da Águia de Ouro, sob o comando do talentoso mestre Juca.

Aos 17 anos, achou que era hora de buscar novos caminhos dentro da escola, assim ingressou no projeto "Filhos da Águia", que era comandado por Lais Moreira, primeira porta-bandeira da azul e branca na época, durante seis meses, com muita aplicação, pegou os movimentos da dança, o que a levou a ostentar o pavilhão da Independente Tricolor, que voltava para as pistas nesta nova fase.

Em 2012, entra para o quadro de casais da Império de Casa Verde, nosso diamante ia se lapidando e ganhando luz própia, fez vários cursos de dança e jazz, tudo com intenção de melhorar sua performance como dama de pavilhão, arrojada e determinada, em 2013, defendeu, ao lado de Marcos Eduardo, o pavilhão oficial imperiano.

Ednei Mariano em: 'Brilho de diamante'

A escola investiu na preparação do casal trazendo Manoel Dionisio, do Rio de Janeiro, comentarista de Carnaval do SRZD, que deu para ambos ricas orientações, já que é um profundo conhecedor da nossa arte.

Com este trabalho foi confiante para o desfile obtendo uma excelente passagem pela pista. Depois do desfile, com a saída de seu parceiro, resolveu focar nos estudos, na sua vida profissional e se afastou do desfile principal.

No ano de 2015, recebeu dois convites, e novamente com sua audacia em desafios, aceitou ser a segunda porta-bandeira da tradicional Unidos do Peruche, e ser primeira na jovem escola Vila Mathias, de Santos.

Ednei Mariano em: 'Brilho de diamante'

Em sampa, depois de muitos ensaios, desce, e bem, com o pavilhão de enredo, conduzida por seu anjo negro, segundo ela, o mestre-sala que sonhou para sua vida, o professor de história Alex Santos.

Juntos formam realmente um harmonioso par.

Jenifer tem uma admiração especial por Sueli Riça, ex-Sociedade Rosas de Ouro, e por Squel, da carioca Estação Primeira de Mangueira.

Afirma que quem traça a nossa felicidade somos nós mesmos e que devemos ser responsaveis pelo que pensamos e pelo que falamos.

Graciosa, como executiva, de segunda à sexta, com sua maletinha cheia de processos visita os tribunais da capital e da grande São Paulo, mas na hora do samba, pega seu parceiro e esquece do lado profissional para dar vasão total e se entregar à nossa arte.

Em seus giros, paradas e volteios, vê-se a grandiosidade de sua dança e o brilho de um diamante.

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Comentários
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    05/06/2016 20:26:18Jeniffer LimaAnônimo

    Mestre, muito me honra ser contemplada por um dos seus graciosos textos. Eu sempre costumo falar... A gente sonha, mas não sabe o poder que os sonhos têm. Um dia eu sonhei, e tive que buscar muitos conhecimentos, e graças ao bom Deus e aos seres de Luz fui agraciada com cada "pedacinho" do meu sonho se tornando realidade. Ser porta-bandeira, não é apenas ostentar o pavilhão de uma agremiação, é levar consigo o sentimento, a luta, a alegria, o choro de todas aquelas pessoas que incansavelmente se dedicaram para fazer daquele "pedacinho de chão" um grande Terreiro de Samba. Aos meus parceiros do passado Jeff Antony e Marquinhos só tenho que agradecer, por todo aprendizado. Dona Conceição (apresentadora) por ter me ajudado muito. E hoje, ao meu amigo e Mestre Alex Santos por sempre acreditar em nós, por me fazer enxergar novos horizontes, e por realizar mais um dos meus sonhos. Muito obrigada!

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    03/06/2016 14:38:56Aurora SelesAnônimo

    Ednei, obrigada pelo texto precioso. Ler a história de Jenifer é um convite à nostalgia. São inúmeras referências em seu posto. E você, sabe falar do assunto como ninguém. Aprendi com nosso querido mestre Gabi (Camisa Verde e Branco) que a primeira-dama de uma escola de samba é - e sempre será - a porta-bandeira. Axé a todas!

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