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04/06/2016 03h06

João Nogueira na Cubango: 'Viveu 60 dos 100 anos de samba', diz Cid Carvalho
Rodrigo Trindade

Foto: SRZD-Rodrigo Trindade"Versando Nogueira nos cem anos do ritmo que é nó na madeira". É com este título que a Acadêmicos do Cubango homenageará o compositor e sambista João Nogueira no Carnaval de 2017 da Marquês de Sapucaí, pela Série A do Rio de Janeiro. O carnavalesco Cid Carvalho assinará o desfile. A pesquisa e a sinopse do tema é de autoria do jornalista Fábio Fabato.

- Clique e leia a sinopse do enredo de 2017 da Cubango

O SRZD Carnaval esteve presente na divulgação da sinopse aos compositores da verde e branca de Niterói, na noite de sexta-feira (3), em encontro num famoso bar, na Lapa, região central carioca. Em conversa com nossa equipe de reportagem, Cid Carvalho justificou a homenagem a João Nogueira:

Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

"Não preciso falar de João Nogueira, preciso? Acima de tudo, sambista. Ele viveu 60 anos, destes 100 anos de samba. Quando veio a possibilidade de falar dele, vi que era uma oportunidade única de falar de um sambista de verdade, que criou um clube de samba para proteger esse ritmo. Falar de João Nogueira é falar de samba".

Cid também deu uma dica de como pretende setorizar o desfile da Cubango: "Se eu vou falar de samba e de João Nogueira, falarei da luta de ambos. Ambos, o samba e o sambista, cresceram praticamente sozinhos, com pais distantes, ora fugindo do regime político, e até do camburão. Ambos cresceram, se modificaram. O samba saiu da pequena África e se tornou forte e poderoso. Foi caminhando, caminhando, virou escola de samba (...)", destacou.

Perguntado sobre a questão financeira, o artista contou que, apesar do tema não ter patrocínio, a escola buscará outras formas de captar recursos. Para ele, parceria é a palavra-chave:

"Mesmo com as crises que o Brasil passou, o Carnaval continuou brilhando. Os carnavalescos buscaram fórmulas para que o Carnaval não perdesse seu glamour. Nosso enredo não tem patrocínio, mas tem parcerias. Há até possibilidade de Diogo Nogueira (filho do homenageado) fazer shows e doar parte da renda para a escola, mas é apenas uma possibilidade. Mas nós temos que ser criativos. Se você não tem o filé mignon, pegue a carne de segunda, dê pancada na bicha, arrume um tempero diferente, busque uma receita inovadora e sirva o prato. Com amor, carinho e conteúdo, dará um prato melhor do que a carne de primeira", analisou.

Confira o vídeo com entrevista completa de Cid Carvalho:

'Esse enredo surgiu a partir da luta democrática, pelo legalismo e pela permanência de um governo eleito'

O jornalista e pesquisador Fábio Fabato também bateu um papo com o SRZD Carnaval e contou como surgiu a ideia de homenagear João Nogueira: "Esse enredo surgiu a partir da luta democrática, pelo legalismo e pela permanência de um governo eleito. Numa dessas manifestações, encontrei o carnavalesco Cid, que é meu amigo faz tempo, e a partir daí, veio a ideia do enredo. Ele me falou: Fábio, a missão é falar de João Nogueira e misturar os cem anos do samba. Daí, decidimos não falar apenas da biografia dele, mas ligá-lo ao samba".

Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

Fabato também deu outros detalhes sobre a setorização do desfile da Cubango: "Teremos quatro setores: no primeiro, teremos os cem anos de luta pela sobrevivência (do samba); no segundo setor, falaremos dos cem anos das forças inspiradoras (onde será abordada a religiosidade); no terceiro, cem anos de amores e dissabores. É que todo sambista adora cantar um amor que perdeu ou um amor que está na sua cama. No quarto, virá a capacidade de celebração. O sambista adora confraternizar, seja numa quadra de escola de samba ou até num time de futebol. A obra de João Nogueira sintetiza muito bem estes quatro temas que direcionarão nosso desfile".

Quanto ao encontro com compositores ter sido na Lapa, o jornalista também justificou: "A Lapa é o reduto dos sambistas. Nossa ideia era que a gente abençoasse, de certa forma este enredo. Foi aqui que lancei meus quatro livros sobre samba e tem dado certo. Por isso, decidimos fazer esse encontro", afirmou.

Confira o vídeo com entrevista completa de Fábio Fabato:

'Escolher um enredo atrativo foi um conselho da Lierj'

Olivier Luciano, mais conhecido como Pelé, é quem preside a Cubango. Em entrevista ao SRZD Carnaval, ele revelou que escolher um bom enredo foi um conselho da liga que administra os desfiles da Série A:

"Uma das colocações de Déo Pessoa, da Lierj, era que escolhêssemos enredos que fossem atrativos para o público que assistirá aos desfiles na Sapucaí. É um enredo autoral, não teremos patrocínio e todo mundo sabe que o Brasil, assim como o Carnaval, está passando por problemas financeiros. Por isso pedimos ajuda aos amigos, assim como à família de João Nogueira, para fazer o desfile. Mas representaremos com muita dignidade a homenagem a ele".

Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

Quanto ao resultado do desfile de 2016, quando a escola cantou "Um banho de mar à fantasia", conquistando o sexto lugar, Pelé analisou que um dos problemas foi evolução e canto, e que se esforçará para melhorar o desempenho nestes aspectos:

"Acreditamos que fechar desfile é complicado, mas agora estamos num horário melhor, segunda escola de sábado. Nossa comunidade ensaiará fortemente a partir de setembro. Temos que fazer uma evolução melhor e com canto mais forte", resumiu.

Confira o vídeo com entrevista completa a Pelé:

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Comentários
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    06/06/2016 17:07:41Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Será o vitorioso na Beija Flor entre 1998 e 2006, carnavalesco Cid Carvalho o responsável pelo desenvolvimento do enredo em questão cujos viés artístico-cultural e fio condutor são tanto o transcurso dos 100 anos do gênero da Música Popular Brasileira, samba, quanto merecidamente exaltar o compositor-bamba e cantor desse gênero musical, João Nogueira (1941 a 2000) que foi portelense. Quem pesquisou e redigiu a sinopse foi o jornalista Fábio Fabato que é independente. A Cubango desfila no Carnaval Carioca desde 1986, porém não na 1ª divisão Grupo Especial. Foi campeã duas vezes na atual 3ª divisão Série B com enredos afros. Em 2002 enredo ´África, o exuberante paraíso negro´ dos carnavalescos Roberto Reis e Antônio Sérgio, e em 2009 enredo ?Afoxé é cortejo, é ritual, é festa. Afoxé é Carnaval? dos carnavalescos Sérgio Silva e Léo Moraes. Na era-sambódromo as melhores colocações da Cubango foram três vezes 4º lugar na 2ª divisão Série A, em 2011 e 2012; sendo a mais recente em 2015 através do enredo também afro ?Cubango, a realeza africana de Niterói? do carnavalesco Jaime Cezário. Em 2016 a Cubango acabou na 6ª colocação com o enredo ?Um banho de mar à fantasia? do carnavalesco Cid Carvalho, cujas notas foram quatro 9,9 em enredo e a descartada 9,7 + 10 + 9,8 + 9,9 em samba-enredo. Quanto ao enredo 2017 da Cubango aguardemos a safra de sambas concorrentes, o ´hino´ oficial e o ensaio técnico. Aí saberemos se é caô ou não a alegação do presidente Olivier Luciano Vieira o Pelé de que a 6ª colocação da agremiação em 2016 se deveu a ter fechado os desfiles. Saudações carnavalescas do portelense, Almir de Macaé.

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