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Ruy Chaves

Ruy Chaves

Tem experiência em implantação, desenvolvimento e reestruturação de instituições de ensino superior. Cursou Altos Estudos de Políticas e Estratégias na Escola Superior de Guerra (ESG), onde foi membro do corpo permanente e do corpo de Conselheiros. Professor universitário, também atuou em cursos da Polícia Militar do Rio de Janeiro e do Pará, em cursos de planejamento estratégico na ACADEPOL de Minas Gerais e na Escola da magistratura do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Cidadão de Aracaju, tem as Medalhas Tiradentes, da ALERJ e da Polícia Militar do Pará, e Marechal Cordeiro de Farias, da ESG.

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09/06/2016 10h28

A fábula do leão brasileiro
Ruy Chaves

Olá, pessoal. O "ser carioca" impõe características muito especiais, gente de ótima índole, gente que trabalha e que produz com olhar crítico, carioca sempre bem humorado e irônico, tocando a vida. Entre cariocas típicos como Ziraldo, Jaguar, Stanislaw Ponte Preta, e muitos outros, neste time imprescindível escalarmos o Millôr Fernandes. Daí este artigo,

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

Nestes tempos tão difíceis que anunciam tempos ainda mais difíceis, a tempestade perfeita derretendo o céu, raios, trovões, ventos gelados uivando em assombros, em que a dor imensa faz chorar no berço esplêndido a nação aviltada... Nestes tempos tão difíceis em que o mais capaz de fazer o bem impõe o mal maior, o justo na verdade o injusto perfeito, lobos, ratos e vampiros vestidos de cordeiros sob capas de super heróis seduzem, mentem, compram corações e mentes e vendem sua alma a qualquer diabo com fantasia amarrotada... Nestes tempos tão difíceis, o Brasil sempre o país do futuro, o adormecido gigante, as vozes roucas das ruas lutando contra a sociedade da mentira e exigindo desenvolvimento com ética e justiça social, que tal reverenciar o Millôr Fernandes, que fazia humor como poucos, irônico chargista e contador de estórias?

Então, imprescindível lembrar a deliciosa fábula "Afinal, quem manda na Floresta?". Não sei se foi exatamente assim, mas ao acordar de mau humor e decidido a testar seu poder, o leão saiu perguntando aos animais que encontrava quem era o Rei, o Senhor, aquele que tudo podia na floresta? Claro, o papagaio repetiu incessantemente: é o Leão, é o Leão! O macaco pulava de galho em galho às gargalhadas : quá, quá, quá, é o Leão! O tigre mediu o tamanho do inquisidor, pensou, pensou, rangeu os dentes e... é o Leão! Mas o elefante respondeu grosseiramente, pegou o leão pela tromba, bateu sua cabeça nas árvores e no chão e o jogou longe. Com escoriações generalizadas, faminto como sempre, lamentou o leão: o elefante não sabe a resposta! Moral da estória? A realidade deve convencer a mais obstinada das criaturas.

Na verdade, muitos humanos de transição incompleta, metade  homem metade fera, e que desprezam a vida em dignidade vivem o mundo de seus exclusivos interesses, ao redor dos seus próprios umbigos, seguindo a parte mais proeminente da sua natureza, o dedão do pé. Com sua vida regida por apetites insaciáveis, a cabeça oca de virtudes localizada embaixo de suas patas dianteiras, quantas pessoas famintas por riquezas e por poder, como o leão do Millôr, comem papagaios, macacos, tigres, comem a merenda escolar, comem empresas e ministérios, comem navios e hidrelétricas, comem a honra e a riqueza nacionais? Não há prisão, nem coleira eletrônica, nem desonra que os intimide. Não respeitam a pátria, nem o pai, nem a mãe, nem o filho, nem o Espírito Santo. A insaciável fome de poder os cegou. Socorro, heroicos elefantes! Lava jato neles!

Panta rei.


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