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Ednei Mariano

Ednei Mariano

CARNAVAL/SP. Natural de São Paulo, nasceu no bairro de Vila Mariana, Zona Sul. É pesquisador, escritor, dançarino, carnavalesco e professor. Foi o primeiro passista da escola de samba Vai-Vai. Como mestre-sala, defendeu durante 34 anos de carreira os pavilhões da Barroca Zona Sul, Tucuruvi, Vai-Vai (de Honra), Rosas de Ouro e Unidos de São Lucas.

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13/07/2016 12h11

'Tributo aos Deuses da Passarela'
Ednei Mariano

Chegamos ao século XXI, alguns anunciaram o fim do mundo, outros, que os computadores entrariam em pane total!

Nossos sambistas apreensivos com um Grupo Especial com quatorze escolas em dois dias de desfiles, mas a ousadia maior, era fazer um desfile em plena sexta-feira na cidade que mais trabalha no país. Com todas estas incertezas, deu-se mais uma grande ceia, com resultado favorável.

Dança. Foto: Reprodução

Nós caminhavamos confiantes, a árvore chamada Amespbeesp, começava a dar bons frutos, prontos para um novo marco, pronto para ser tão grandioso como se anunciava a nova fase do nosso Carnaval.

O desfile caminhava para entrar pela tela e ser visto por todo o mundo, e neste turbilhão de luzes, nossos casais firmando os passos em compasso se fazem gigantes e nossa dança próspera.

Assim foi com os irmãos Renatinho e Fabíola Trindade, que assumiram a condição de primeiros na Saracura, driblaram toda a adversidade e conquistaram as notas mais altas do quesito, durante oito anos seguidos.

Fabíola e Renatinho. Foto: Divulgação

Acrescentando à bela dança da dupla, e os títulos na alvinegra, a passagem pela Império, onde fizeram história, sempre com muita dignidade, talento de poucos em nossa arte. Com a saida dos irmãos, a Vai-Vai, aposta em Reginaldo Pingo, excelente dançarino, ao lado de Paula Penteado, nascida praticamente com o pavilhão nas mãos!

Enquanto isso, Ivan Ribeiro, na estrada da fama, percorre as agremiações Camisa Verde e Branco e Unidos do Peruche, e foi ser primeiro na sua Prova de Fogo. Na Zona Sul, fluia em doce encanto a dança do mestre Fabinho Queiroz com Edna Loloca, invocando muitas notas dez e prêmios pela Imperador do Ipiranga, que teve também nesta década o brilho em dança de Jocimar Martins e José Roberto.

A Mancha Verde se engrandece com a valoroza dança de Fubá e Silvéria, depois Fabiano Dourado e Jéssica Gioz, fazem um caminhar lindo e límpido na defesa do pavilhão verde e branco, crescendo com a entidade em talento e prestígio. Na Barra Funda, sucede o casal "Soberano", o jovem Marcelo Luiz, que deslisa magistralmente e faz bonito ao lado de Rose Oliveira.

Marcelo continua sua rica trajetória ao lado de Julia Silva, terminando sua missão no Camisa Verde e Branco ao lado do talento em vida de Rosangela Francisco, uma das grandes damas da nossa dança. Marcelo segue seu caminhar de defensor na Barroca Zona Sul e ao lado de Miriam Acedo, a dama de Bragança, trilham anos de felicidades e notas altas para a nação verde e rosa, que teve anos antes o talento de Robson e Rosana.

Na Vila Matilde, depois de três décadas de pura magia, pelas mãos de Maria Inês, surge e se faz grandiosa Rúbia Maravilha, que traria muitas felicidades por mais de uma década para o povo da Nenê, ao lado de Nelsinho, faz história e honra o manto azul e branco da Leste.

O brilho de nossos dançarinos ia além das bandeiras!

Tivemos belas porta-estandartes que hoje são bem sucedidas porta-bandeiras, como é o caso de Carla Contrufo, Suzana Nascimento e Daniela Mota, meninas mulheres de fibra e com muito amor à nossa arte.

Nossa pista se iluminava de tanta beleza através do bailado de Ana Reis, que em 2001, assume pelas mãos da nossa diva maior, Maria Gilsa, o pavilhão principal da Rosas de Ouro, de lá para cá, só sucesso nas mãos desta bela, assim foi nos quatros anos ao lado de Pascoal. Na X-9, dois anos de notas máximas e prêmios de melhores da pista.

A Freguesia do Ó recebe também os bons frutos, que são Luizinho Botinhão e Sueli Riça, anos de dança, anos de glórias através do talento de ambos em favor da nação azul e rosa.

Desfiles. Foto: SRZD - Cláudio L. Costa

Das mãos dignas de Sonia Maria, Adriana Gomes aparece para o samba como grande na defesa do pavilhão da Mocidade Alegre, com seu parceiro Rubens de Castro, juntos, vários anos de notas máximas. Adriana termina sua estada na Mocidade ao lado de Emerson Ramires, dono de uma elegância e postura ímpar em nossa dança.

Emerson e Adriana. Foto: Divulgação

Na Cantareira nasce um casal de muito brilho, e uma sequência de belas notas em desfiles memoráveis. Assim foram Naldinho Tavares e Thais Paraguassu, pela Acadêmicos do Tucuruvi. Ela seguiu sua carreira com os mestres Emerson Nunes, Fabiano Dourado e Robson Silva, com este, belas notas.

A escola do Sumaré nos deu um casal que é sem duvida excelência em dança, marido e mulher na vida social, sempre enamorados nas pistas, eletrizando e encantando, assim são Jairo e Simone Gomes.

Jairo e Simone. Foto: SRZD

Muita garra na passagem por nossas pistas de Everson e Cintia, pela Vila Maria. Anos antes o explendor de outra bela dama, Edilaine Campos, pela Unidos do Peruche. Na primeira década do novo século, muita coisa muda na vida de nossos casais, a começar pela postura e pelo investimento que se faz obrigatório pelas nossas escolas, assim se fez na Pompéia com o casal João Carlos Camargo e Lais Moreira.

Assimilaram e se tornaram uma das duplas mais importantes da nossa dança: arrojo, simpatia e talento brotaram deste investimento, o resultado? Belas notas e assim também foi pela passagem de ambos na Império de Casa Verde.

Lais e João Carlos. Foto: SRZD

A árvore vai se tornado gigante e doce para a nossa arte! São seus frutos, assim caminhamos sem retrocesso, mas sempre vigilantes, para não perder a tradição e herança daqueles que nos anos 60, 70, 80 e 90, nos legaram tempo romântico, aliado à nova tecnologia com compreensão de que somos representantes de um povo, de uma nação!

Isso em mente, só fará nossos casais cada dia mais talentosos, e esta árvore jamais vai parar de dar bons frutos, é meu desejo, e para isso, eu trabalho e não me canso nunca, porque é feito com prazer! Tributo à vocês, nobres casais. Axé! 

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Comentários
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    18/07/2016 07:09:07Lais MoreiraAnônimo

    Mestre Ednei que texto sublime e energizante, relata nossa evolução durante os tempos e o quanto somos felizes em manter a tocha da tradição acessa e vibrante, obrigada pelo carinho com todos nós. Contribuímos com a arte do bailar MSPB e sabemos que a cada dia o trabalho e dedicação são alimentos básicos para a dança. Obrigada e um grande beijo.

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    16/07/2016 01:09:20MarinaAnônimo

    Grande mestre Parabéns lindas palavras..texto maravilhoso só poderia vir de você..

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    15/07/2016 11:49:02Aurora SelesAnônimo

    Parabéns pelo artigo. Sem dúvida, os casais fomentam a importância da escola de samba. Beijo

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    14/07/2016 19:33:45Alex Santos RibeiroAnônimo

    Grande Ednei, sempre enaltecendo a nossa arte, a nossa dança.

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    14/07/2016 17:04:23alex santosAnônimo

    são vcs que nos dar força pra caminhar adiante parabéns a todos os homenageados e mestre dos mestre Ednei

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    14/07/2016 06:17:58Fabiano DouradoAnônimo

    Mararilhoso texto, ótima lembras de um começo difícil, pois estávamos entrando em um terreno que a anos era defendidos por grandes nomes do nosso carnaval. Foram muitas incertezas, mas tbm muitas certeza do que eu queria! DEUS ME ABENÇOOU Obrigado Ednei pela matéria e a lembrança de uma vida e amor entregue a arte de bailar.

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