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Ana Carolina Garcia

Ana Carolina Garcia

CINEMA. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

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14/07/2016 10h35

'Caça-Fantasmas' é tão fraco que chega a ser um insulto ao clássico
Ana Carolina Garcia

Lançado há 32 anos, "Os Caça-Fantasmas" (Ghostbusters - 1984) se tornou um grande sucesso junto ao público jovem por apresentar uma trama original que mistura comédia e aventura de maneira equilibrada, garantindo a diversão da plateia. Mesmo não sendo uma obra-prima, o longa de Ivan Reitman, roteirizado por Dan Aykroyd e Harold Ramis, é um dos clássicos da década de 1980 e teve uma continuação: "Os Caça-Fantasmas 2" (Ghostbusters II - 1989), também dirigida por Reitman.

Numa época em que a indústria cinematográfica vive uma crise criativa e tem resgatado sucessos de outrora para garantir lucro significativo através de sequências ou reboots, em algum momento os fantasmas não tão camaradas voltariam a assombrar Nova York. Produzido por Reitman e com produção-executiva de Aykroyd, um dos astros dos dois primeiros filmes como o Dr. Raymond Stantz, "Caça-Fantasmas" (Ghostbusters - 2016) chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 14, com a promessa de dividir opiniões.

Os Caça-Fantasmas. Foto: Divulgação

Com direção de Paul Feig, o longa nada mais é do que a versão feminina do clássico, uma cópia desprovida de graça e que tem a pretensão de ser um exemplar de representação feminina numa indústria dominada por homens. Mas que representação é essa em que todas as protagonistas são retratadas de forma idiotizada, histérica e estereotipada?! Não, "Caça-Fantasmas" não é símbolo de coisa alguma e não deve ser assistido como uma vitória feminina em Hollywood. É apenas mais um exemplo de produções ruins que refletem a mediocridade que assola a sétima-arte, como tantas outras protagonizadas por homens e/ou mulheres, como o recente "Independence Day: O Ressurgimento" (Independence Day: Resurgence - 2016), outra volta desastrosa ao passado lucrativo.

Na verdade, "Caça-Fantasmas" é uma produção que explora clichês e estereótipos durante todo o tempo, não apenas no que diz respeito ao quarteto principal, que tem como ajudante um homem tão bonito quanto burro (interpretado por Chris Hemsworth), preocupado somente com a aparência e futilidades - uma vingança a anos de má representação da mulher no cinema, podem afirmar alguns, abstraindo tantos outros personagens criados no mesmo molde de Kevin.

Outro exemplo é a maneira com a qual os metaleiros são apresentados durante um show de abertura de Ozzy Osbourne: um público alienado e adorador do demônio, alimentando-o com sua energia, numa visão arcaica e caricata ao extremo.

Com um roteiro mal alicerçado, escrito por Feig e Katie Dippold, este reboot adapta situações do primeiro longa e mostra Erin Gilbert (Kristen Wiig) sonhando em se tornar cátedra na Universidade de Columbia, algo que não se concretiza porque sua ex-amiga, Abby Yates (Melissa McCarthy), volta a vender o livro de autoria de ambas, sobre fenômenos paranormais, e a envolve numa investigação. Sem opção, Erin decide voltar às origens e se junta à Abby, Jillian Holtzman (Kate McKinnon) e Patty Tolan (Leslie Jones), ex-funcionária do metrô que se interessa em trabalhar como caça-fantasma após testemunhar fenômenos paranormais.

Os Caça-Fantasmas. Foto: Divulgação

Consagradas na televisão americana, as atrizes estão péssimas em cena, o que piora ainda mais o resultado do filme. Wiig, Jones e McKinnon atuam como se estivessem num quadro do "Saturday Night Live" (Idem - desde 1975), forçando a barra sem acertar o tom cômico; enquanto McCarthy, uma das comediantes mais adoradas dos Estados Unidos, utiliza suas já conhecidas caras e bocas sem nada a oferecer à personagem. Ou seja, parece ter criado uma personagem única que se repete a cada filme, pois está exatamente igual aos seus trabalhos anteriores, deixando nítida sua urgente necessidade de reciclagem.

Numa provável tentativa de conquistar os fãs da série original, bem como de obter a bênção para ingressar neste universo, "Caça-Fantasmas" conta com participações especiais de Aykroyd, Bill Murray, Sigourney Weaver, Ernie Hudson e Annie Potts. São participações rápidas e sem nenhuma ligação com os seus respectivos personagens do passado, porém capazes de conceder momentos de pura nostalgia aos fãs.

Os Caça-Fantasmas. Foto: Divulgação

Repleto de problemas em sua concepção, "Caça-Fantasmas" é uma produção muito fraca e que agrada somente nos quesitos técnicos, pois é um verdadeiro espetáculo visual e sonoro, resultado da evolução tecnológica da indústria nas últimas décadas. Considerando o fato de que comparações são inevitáveis, este longa não funciona nem como homenagem a "Os Caça-Fantasmas", pois chega a ser um insulto ao clássico.

Assista ao trailer:

 


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