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Hélio Rodrigues

Hélio Rodrigues

LUTAS. Jornalista, foi repórter de MMA do portal SRZD. Já cobriu diversos UFCs, além de importantes eventos do cenário nacional, como o Shooto e o Bitetti Combat.

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09/08/2016 23h05

O ouro de Rafaela Silva é um cala-boca aos críticos
Hélio Rodrigues

Muitos idiotas insistem em enxergar o lado violento das artes marciais. São isso: idiotas, que têm a vista limitada pela ignorância, o discernimento, bloqueado pela escuridão da estupidez. Rafaela Silva, brasileira, de origem humilde, é uma prova disso. Poderia ser apenas mais uma jovem de favela, sem oportunidades. Ou pior: se envolver com o que não se deve e até sequer estar no meio de nós. Mas não. Aos oito anos, a menina levada e briguenta da Cidade Deus, comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro, conheceu por meio do mestre Geraldo Bernardes, o judô, arte marcial japonesa criada por Jigoro Kano no século XIX.

Essa energia toda deve ser canalizada, pensava e dizia Bernardes. Disciplina, fundamentos técnicos e dedicação, tríade das artes marciais, seriam as ferramentas. O talento estava sendo lapidado pouco a pouco.

Em 2008, Rafaela conquistou o Mundial sub-20, além de uma das etapas da Copa do Mundo. Com 16 anos apenas.

Três anos depois, a carioca foi prata nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara na categoria até 57 kg e chegou ao vice-campeonato mundial em Paris.

Dois mil e doze foi um ano desastroso para Rafaela - na primeira Olimpíada que disputava, segurou a perna da húngara Hedvig Karakas antes do desequilíbrio. Resultado: a brasileira foi desclassificada e voltou para casa. O golpe motivou uma série de ofensas débeis, baixas, grosseiras e infames contra Rafaela, que prometeu: em 2016 teria uma nova chance, em casa, no Rio. Em dezembro, ela foi medalhista de bronze no Grand Slam de Tóquio (categoria até 63kg).

Se o anterior não foi como imaginava, 2013 guardou boas surpresas a Rafaela: a conquista da medalha de ouro no Pan-americano de Judô foi uma prévia para o que aconteceria em agosto do mesmo ano, se consagrou como a primeira a se sagrar campeã Mundial de Judô, vencendo na final a americana Marti Malloy.

Em fevereiro de 2015, Rafaela venceu o Grand Prix de Dusseldorf, na Alemanha, ganhando cinco lutas, quatro por ippon.

A consagração veio com as cinco vitórias nos Jogos Olímpicos Rio 2016, sobre a alemã Myriam Roper (primeira fase), a sul-coreana Jandi Kim (oitavas), a húngara Hedvig Karakas (quartas) e a romena Corina Caprioriu (semifinais). Na final, a brasileira derrotou a líder do ranking mundial, Sumiya Dorjsuren, e levou merecidamente o ouro para casa.

Se as artes marciais são violentas, que seja essa violência que afaste os jovens do crime, da vagabundagem, do ócio não criativo.


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