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Hélio Ricardo Rainho/Carnaval

Hélio Ricardo Rainho/Carnaval

CARNAVAL. Profissional de Comunicação e Marketing, Hélio Rainho veio do teatro, sendo ator e diretor profissional. Autor da biografia do jogador Mauro Galvão e de várias peças teatrais. Nascido na Praça XI, chegou à Portela como jovem compositor nos anos 80 e passou a pesquisar escolas de samba e Carnaval. Idealizador do projeto "Quem És Tu, Passista?", um manifesto pela preservação do segmento, é padrinho dos passistas do Império Serrano e comentarista dos desfiles na Sapucaí. Twitter/Instagram: @hrainho.

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12/08/2016 16h06

'Clara: Pra Sempre Estrela'
Hélio Ricardo Rainho

Imagem: Reprodução de internet

Clara,

Tua luz não se apagou.

Num 12 de agosto como este, a estrela brilhou, do céu, na terra. Veio a nós o pássaro cantante; a musa das dores do povo; a voz das aflições e dos poetas de nossa gente; o canto único e singular do sabiá.

Num 12 de agosto como este, nasceu a cantora que renunciou, descalça, até as sandálias da humildade. Pisou o chão de nossa gente, fez de suas pernas o tronco e da planta dos pés a raiz de uma nação; cravou a alma nas entranhas da terra pra chorar e cantar a poesia de nosso povo e a voz dos sambistas da nossa raça!

Humilde fez-se, humilde foi-se. Era coberta de um azul e branco de rara nobreza, madrinha das baianas da Portela, pisou o chão vultoso de Madureira para também cantar a Serrinha imperiana.

Clara não escurece: é luz que brilhará para sempre. É mistério do samba: Clara não "era", Clara não "foi"; Clara ainda "é" e sempre "será"! Não esvaeceu no passado: transgrediu a cronologia da existência e ainda é viva no presente, além de apontar caminhos para o futuro.

Clara é tudo aquilo que a morte não a impediu de ser. Clara é guerreira, é o Canto das Três Raças, é a Mulata do Balaio, é as Forças da Natureza, é a Morena de Angola, é o banho de manjericão, é a maravilha de aquarela que surgiu...Clara é a Portela...é a Portela...é a Portela!!!

Se viva, 72 anos faria. Conseguiu a proeza de "continuar viva" com os 41 com que nos deixou.
Eternamente linda, serena, faceira, sorridente, iluminada.

Eu era menino quando ganhei Clara. Era também menino quando achei que a tivesse perdido. Bobagem. Coisa de menino.

Hoje, homem feito, entendi que não perdi Clara. Não a perdemos. Ninguém a perderá.

Besteira achar que a vida nos tiraria uma estrela luzidia assim. Porque as estrelas nunca se apagam. Elas apenas mudam de lugar...

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