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Ruy Chaves

Ruy Chaves

Tem experiência em implantação, desenvolvimento e reestruturação de instituições de ensino superior. Cursou Altos Estudos de Políticas e Estratégias na Escola Superior de Guerra (ESG), onde foi membro do corpo permanente e do corpo de Conselheiros. Professor universitário, também atuou em cursos da Polícia Militar do Rio de Janeiro e do Pará, em cursos de planejamento estratégico na ACADEPOL de Minas Gerais e na Escola da magistratura do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Cidadão de Aracaju, tem as Medalhas Tiradentes, da ALERJ e da Polícia Militar do Pará, e Marechal Cordeiro de Farias, da ESG.

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17/08/2016 09h40

Cartas de Curitiba - A culpa é... Da mamãe!
Ruy Chaves

Olá pessoal. Que tal uma nova Carta de Curitiba? Depois de uma vida afogando o ganso, toda a sociedade idiota e inerte pagando o pato, nosso personagem finalmente foi preso pela operação Lava Jato. Sem muito o que fazer além de musculação e de conversas com outros quadrilheiros, nosso "herói guerreiro do povo brasileiro" consome o seu imenso tempo vago escrevendo cartinhas. A primeira para seu amor, recentemente. Agora, mais um texto para sua ... MAMÃE!

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

"Oi, Mamãe tão querida, tudo bem? Antes, perdão. Há tempos não te procuro, não telefono sequer em dias especiais como Natal, dia das Mães, teus aniversários, deixei de mandar fotos de teus netos. É que meus últimos anos foram muito dinâmicos, todo o tempo estive ocupado ganhando e gastando dinheiro, muito dinheiro, cada vez mais dinheiro, rios de dinheiro, mas as tentações do poder e atalhos perigosos, coisas do diabo, acabaram me levando... à prisão! Nem sei como te dizer, a Lava Jato me pegou, estou completando meu 1º aniversário preso em Curitiba. Mãe, sabes que sou inocente.

Sempre fui um menino bonzinho e obediente e tudo o que ouvias de mim eram acusações sem provas, apenas perseguições políticas, ilações sem fundamento. A professora mentia ao dizer que eu não fazia deveres de casa e que colava nas provas; as garotas do colégio mentiam também: eu não comia suas merendas nem escondia baratas em suas mochilas nem quebrava as pontas de seus lápis de cor. Mãe, juro por tudo que é sagrado, nunca roubei jogando sueca com meus amigos da praia, não escondia cartas nem tapeava ninguém na hora de pagar a conta nem ficava com o troco: tudo fofoca!

Mãe, lembra quando quiseram me expulsar da faculdade porque alegavam que meu diploma de 2º grau era falso? Terei teu perdão se confessar que comprei os documentos pegando emprestado o dinheiro que separavas para dar aos pobres? Achei justo fazer uma doação legal para proteger amigos injustamente acusados de falsificação e simultaneamente cuidar da tua saúde: não queria que enfartasses ao saber que eu bebia o dinheiro da mensalidade da escola e que nunca passei do 1º ano do EM.

Mãe, não ficaste super orgulhosa na minha formatura em direito? Não foram legais meus jeitinhos para superar estes pequenos problemas? Depois fiz carreira política, eleições sucessivas, sempre apoiando governos e arrumando boquinhas para meus companheiros, poder, poder, poder e acabei te esquecendo.  Ainda moras naquela casinha... onde fica mesmo? Faz tanto tempo.

Mãe, há alguns trustes e offshores em teu nome. Meu nome e do de Dorinha, minha amada e fiel companheira, estavam com... alguns probleminhas, então, precisei usar teu nome e o de algumas outras empregadas domésticas com ficha limpa. Se o japonês da federal aparecer por aí inventa uma estória qualquer. Não sei se conseguirás me perdoar, Mãe querida. Por via das dúvidas, estou na cela me impondo o castigo de escrever ajoelhado sobre grãos de milho.

Pensando bem, escondias tudo do Papai e nunca me deixaste de castigo, sempre passando a mão em minha cabeça e me aliviando a barra sempre suja, então, talvez a culpa seja... tua, Mamãe. Ainda tenho tuas bênçãos?  Panta rei.


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