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Ednei Mariano

Ednei Mariano

CARNAVAL/SP. Natural de São Paulo, nasceu no bairro de Vila Mariana, Zona Sul. É pesquisador, escritor, dançarino, carnavalesco e professor. Foi o primeiro passista da escola de samba Vai-Vai. Como mestre-sala, defendeu durante 34 anos de carreira os pavilhões da Barroca Zona Sul, Tucuruvi, Vai-Vai (de Honra), Rosas de Ouro e Unidos de São Lucas.

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24/08/2016 13h11

'Caminhando e celebrando'
Redação SP

Caminhando e celebrando!

São as palavras certas para o que aconteceu nos dias 20 e 21 de agosto em nossa cidade.

Este amor que envolve, que abraça, que agasalha a nossa arte, vem de vários lados, na forma de diversas iniciativas. Precisamos insistir nisso.

Não precisa ser dirigente para buscar este espírito e levantar esta bandeira: que o aprendizado é necessário, as trocas acrescentam e enriquecem. Conceitos levantados, conceitos defendidos, discutidos, é assim que se busca a luz, a cada encontro deste, escrevemos uma página da nossa história, e todos ganham.

São horas de conhecimento, de vivência, colocados num espaço democrático, onde cada um expõe seus pensamentos, faz a defesa de sua tese para estes ouvintes, em sua grande maioria, gente que está chegando, dando seus primeiros passos na nossa arte ou tendo a oportunidade de defender o primeiro pavilhão de suas entidades.

Mais de cem pessoas, entre organizadores e aqueles que vieram beber desta água da sabedoria, estiveram presentes no II Encontro Rio-Sampa de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, que foi organizado por estes jovens que se esmeraram e encheram meu velho coração de alegria, vi a felicidade e a descontração daqueles que participaram, o brilho nos olhos dos palestrantes, em sintonia perfeita com a massa.

II Encontro Rio-Sampa de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Foto: Divulgação

Destaque também para a tranquilidade e satisfação da harmonia da Mancha Verde, que cedeu toda estrutura, desde a cozinha, passando pelo terreiro de samba, até a acomodação dos carros dos participantes em seu espaço. Foi bonito ver a alegria nas palavras do comandante, presidente Serdan.

É motivo de orgulho ver jovens como Hugo Passos, Adriana Gomes, Marcelo Luis, Conceição Pereira e Nena Cazita lutando pela nossa cultura.

Esta gente paulistana se uniu ao dançarino João Michel, do Rio de Janeiro, e nesta união sem recursos públicos ou privados, trabalharam meses para a realização deste evento, é isso que me dá felicidade e força para colocar aqui para milhares de que: quem quer fazer, corre e consegue. Foram dois dias de muitas atividades e discussões sobre caminhos e movimentos plásticos dentro da nossa dança.

II Encontro Rio-Sampa de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Foto: Divulgação

Ali, pessoas que estudam e vivenciam passo a passo essa realidade. Muito podem nos dar como ensinamento. Dentre eles, Fernando Penteado, contando a história do nosso samba, Jairo e Simone, falando da trajetória de vinte e dois anos de dança, momento rico, resenha forte. Foi tempo também de conhecer a escalada meteórica do casal da União da Ilha, Felipe Lemos e Dandara Ventapane.

Momento de atenção quando a presidenta Zelia Oliveira, da Amespbeesp, e Bene Egidio, do Projeto Cisne do Amanhã, dissertaram sobre o difícil, mas conclusivo trabalho de formação em Sampa. A mesma atenção para as palestras de João Paulo Machado e Flavio Coutinho, sobre a preparação tecnica e fisiológica dos casais do Rio.

Na noite de sábado todos os presentes tiveram horas de diversão e confraternização com a roda de pavilhões, ao som da bateria da Mancha Verde, com a ala musical comandada por Fredy Vianna, delírio total quando se cantou o hino ao mestre-sala e porta-bandeira e porta-estandarte, a troca de pares, momento raro nestes encontros, e o desfile de brilhos nos trajes de nossas damas, enquanto os mestres com seus ternos bem impecáveis e sapatos reluzentes davam o seu recado dentro da mais nobre das danças!

Assim terminou o primeiro dia deste encontro memorável, na mente a recordação da fala de dois dos magos das fantasias que permearam a nossa dança como mestres: Bruno Oliveira e Fernando Magalhães.

O segundo dia foi aberto com a palestra de João Michel sobre seu projeto de formação no Rio, colocou seu conceito de formação, seguido com a roda dos Baluartes de Sampa, assim denominado pelos organizadores, onde os presentes poderiam tirar suas dúvidas, conhecer histórias de antigos desfiles e o comportamento dos antigos casais.

II Encontro Rio-Sampa de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Foto: Divulgação

A roda foi formada pelo mestre dos mestres, Gabi, por uma de nossas divas, Lidia Oliveira, pela presidenta Zelia Oliveira, e por este blogueiro, que no sábado pôde contar em versos e muita prosa a história da nossa dança e as vertentes que fazem dela a mais admirada dentro de um desfile. Abriu-se uma porta, é preciso abrir o portal, mas isso só será possivel com a participação e colaboração dos que hoje defendem e ostentam nossos pavilhões oficiais, nossa classe só terá mais união, só teremos força de decisão, inclusive para manter a tradição, se nos fortalecermos com estes encontros, se apoiarmos estas iniciativas, não podemos nos omitir.

Hoje eu não sou da comissão que organiza, não sou convidado para palestrar, mas não é enfiando nossa cabeça no umbigo que irão nos descobrir, é preciso participar, é preciso estar presente, caminhar juntos, celebrar juntos, construir uma fortaleza que fará com que a nossa função continue digna, seje respeitada, e é nestes encontros que discutimos nossos deveres, nos direitos, é nestes encontros que colocamos a candeia em evidência e somente ela nos conduzirá a um caminho de igualdade, e com estas participações, saímos do anonimato e nos fortalecemos. Valeu rapaziada! 

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