SRZD



Ruy Chaves

Ruy Chaves

Tem experiência em implantação, desenvolvimento e reestruturação de instituições de ensino superior. Cursou Altos Estudos de Políticas e Estratégias na Escola Superior de Guerra (ESG), onde foi membro do corpo permanente e do corpo de Conselheiros. Professor universitário, também atuou em cursos da Polícia Militar do Rio de Janeiro e do Pará, em cursos de planejamento estratégico na ACADEPOL de Minas Gerais e na Escola da magistratura do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Cidadão de Aracaju, tem as Medalhas Tiradentes, da ALERJ e da Polícia Militar do Pará, e Marechal Cordeiro de Farias, da ESG.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



24/08/2016 12h03

Cartas de Curitiba: Meu mundo caiu...
Ruy Chaves

Olá pessoal.  A corrupção deve ser tratada como crime hediondo. É mais que tempo de se tirar as máscaras. Criminosos corruptos não apenas levam vantagens sobre a sociedade do bem, não apenas mentem e enganam, eles destroem os valores sociais, violentam a ética, roubam recursos que deveriam ser destinados à educação, à saúde, à qualificação da cidadania. O Estado não produz riqueza, somente os cidadãos, por seu trabalho produtivo. Somos a sociedade com maior percentual de impostos e taxas embutidos em todos os produtos e serviços. Trabalhamos para manter um Estado paquidérmico, ineficiente, com leis e processos extremamente frágeis, preparados para a ação de criaturas inumanas, os corruptos.

Criminosos corruptos no exercício de funções públicas dos poderes federais, estaduais e municipais deveriam ter suas penas privativas da liberdade e pecuniárias agravadas, eles são os maiores assassinos, verdadeiros estupradores da cidadania. Um destes criminosos, preso em Curitiba pela operação Lava Jato, vive escrevendo cartas para afogar suas dores.

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

" Meu eterno amor, espero que estejas tão bem quanto possível nestes tempos extraordinariamente sombrios. Eu morro um pouco a cada dia. Quando, pelo olho mágico da porta da sala principal de nossa cobertura tríplex de frente para o mar, vi o japonês da federal me lembrei da canção da Maysa: Meu mundo caiu.... Na verdade, o nosso mundo paradisíaco desabou, me senti soterrado por toneladas de escombros, sem chance de ser salvo, nem por cão farejador. 

Após uma vida de altíssimo luxo com nossos muitos milhões de dólares, libras, ienes e euros espalhados em offshores e trustes pelo mundo, eu me sentindo o Rei Leão, o senhor de todos os animais, aquele que tudo podia na floresta, fui atropelado por elefantes e jogado aqui na prisão em Curitiba. Nunca imaginei que os federais da Polícia, do Ministério Público e do Judiciário fossem capazes de atuar como corpo único, alma única, soma de competências, braços longos contra a elite do Brasil. Docinho, que injustiça!

Temos trocado experiências muito ricas aqui na Galeria 171.    Todos somos ex Ministros, ex Senadores, ex Deputados, ex Governadores, ex Prefeitos, ex Empresários, ex Tesoureiros de partidos, ex Presidentes e ex Diretores de grandes empresas e com certeza logo receberemos mais companheiros, elite AAA, as maiores lideranças de nossas facções.

Cuidamos da saúde física malhando 9 vezes ao dia, estamos todos saradões, barrigas de tanquinho, poderíamos até participar das Olimpíadas, mas os carcereiros nos desprezam e nos chamam de ratos, abutres e vampiros e os outros presos, assassinos, estupradores e ladrões comuns, querem nos comer vivos, sem duplo sentido. Ou não? Estou com a cabeça raspada, uniforme de presidiário, tenho pesadelos e deliro todas as noites, tenho medo da forma como um tal de Tonhão Cassetete olha para mim lambendo seus beiços enormes, quero a mamãe, quero caçar Pokémon, juro que sou inocente!

Minha Deusa, mais tragédias: depois que perdi a impunidade parlamentar e saí das bênçãos do STF, em que meu advogado me garantia 99 anos, no mínimo, até o julgamento das 99 denúncias a que respondo, tive que fazer delação premiada e não consegui esconder nem uma única continha lá fora. Santinha, tomaram todo o nosso dinheiro, confiscaram todas as nossas propriedades, nossa casa em Mônaco, nossa vila em Roma, nossas fazendas e sítios, levaram nosso jatinho, todos os nossos carros e apartamentos, mas logo poderei ganhar uma coleira eletrônica e voltar para teus braços, o meu céu.

De qualquer forma, minha Rainha, lamento profundamente, mas terás que vender tuas joias, bolsas e sapatos e, como não poderei viajar por muito tempo, voltar a trabalhar como sacoleira comprando artigos falsos, mas de luxo, no Paraguai. Montaremos barraca no Camelódromo da Uruguaiana e seremos felizes para sempre".

Panta rei. 


Comentários
Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.