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Rio Encena

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TEATRO. Com conteúdo do site RioEncena.com.br, vamos trazer notícias, entrevistas e prestação de serviços sobre espetáculos dos mais variados estilos e gêneros em cartaz no Rio de Janeiro.

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25/08/2016 09h14

Classe artística prestigia inauguração do Teatro Riachuelo Rio

A noite da última terça-feira (23/08) foi diferente na região da Cinelândia, no Centro, como há muito não se via. Com uma apresentação reservada a convidados e imprensa do espetáculo "Garota de Ipanema, o Amor é Bossa", o recém-reformado Teatro Riachuelo Rio abriu suas portas na Rua do Passeio Nº 38/40 pela primeira vez, depois de um processo de três anos de revitalização, orçada em R$42 milhões, do prédio do antigo Cine Palácio. Como não poderia deixar de ser, antes dos três sinais soarem, dezenas de artistas brindavam uma unanimidade: a importância da inauguração de um novo espaço para as artes cênicas no Rio de Janeiro.

Letícia Persiles e Thiago Fragoso. Foto: Divulgação

Na imponente galeria do teatro, enquanto a sessão não começava, a reportagem do RIO ENCENA conversou com alguns dos convidados sobre a mais nova casa do teatro carioca. Um dos mais animados era o ator e diretor Guilherme Leme Garcia, que confessou que antes mesmo da abertura da sala, deu um jeito de dar uma conferida no palco de 280m² e na plateia com capacidade para 1.000 espectadores.

"A galeria está linda, a festa linda e sala mais linda, pois eu já vi antes (risos). E só o fato de termos um teatro novo no Rio de Janeiro já é uma obra de arte por si só. Então que seja muito bem-vinda", vibrou Guilherme, já pensando em pisar no novo palco: "Ano que vem estarei aqui (risos)".

Companheira de cena de Guilherme recentemente no drama "Santa", Angela Vieira fez uma menção aos tempos de crise pelos quais o país passa atualmente para valorizar ainda mais o novo equipamento cultural da Cidade Maravilhosa.

Guilherme Leme Garcia.

"É importante um espaço novo, principalmente pelas salas que estão sendo fechadas no Rio. É uma dó. Dá um alento um espaço importante assim no Centro sendo revitalizado. Estamos num momento especial como há tempos não vivíamos. Todos estamos machucados, não só os artistas, mas o povo em geral. Então precisamos unir forças, esperar essa maré melhorar e não deixar essa onda nos cobrir", ressaltou a atriz, que em outubro, estreia no Teatro Ipanema com a comédia romântica "Até o fim da Noite", com texto de Julia Spadacini e direção de Alexandre Melo.

Quem também está para voltar aos palcos é Isabel Fillardis, que por falta de recursos, tem encontrado dificuldades para levar seu espetáculo "Lapinha" para São Paulo. Já sobre a inauguração desta terça, ela também destaca que o momento financeiro instável do Brasil tem refletido na cultura, mas procura olhar pelo lado positivo. Se recentemente alguns espaços foram perdidos como a Sede das Cias., na Lapa; e a Sala Tônia Carrero, no Leblon; em contrapartida, outros surgiram como o Teatro Nathalia Timberg, na Barra; e o Teatro Cesgranrio, no Rio Comprido; além do próprio Riachuelo Rio.

"A vida é assim. O ideal é não perder somente. Cinemas e teatros virarem igrejas é péssimo para nós. Mas perder e ganhar novos, também acho bom. Perder e ganhar faz parte da vida, não tem jeito", constatou.

Ainda sobre esse movimento de instalações culturais darem lugar a igrejas, o ator Nelson Freitas afirmou que é preciso ter espaço para todos.

"Fiquei louco quando soube desse novo teatro há uns dois anos. Tantos cinemas e teatros antigos sendo destruídos e trocados por motivos outros, igrejas etc e tal. Nada contra igrejas, absolutamente, mas enfim? A cultura não pode perder espaço. Faz parte do nosso desenvolvimento social, e um espaço desse é belíssimo", destacou o ator, que em novembro estreia com o musical "Whiskey e Água", no Teatro dos Quatro, na Gávea: "Direção do Sacha Bali e baseado em texto de Bukowski (1920-1994). Acho que vai dar uma guinada na minha carreira, fazer uma coisa diferente da comédia. Mas a gente conversa mais para frente".

Já Marcelo Serrado, no ar como o Carlos Eduardo da novela "Velho Chico", da TV Globo, estava meio que como um anfitrião da noite. Isso porque ele fez parte da produção do espetáculo, um sócio, como o próprio definiu. Mas, por enquanto, a ideia é estrear o Teatro Riachuelo Rio apenas atrás das cortinas e não no palco.

"Esse é um momento muito importante para o teatro do Brasil. Estamos muito felizes, até porque sou sócio do espetáculo. Vamos ver o que o pessoal vai achar, mas está muito bonito. Já fui aos ensaios", frisou o ator, desconversando sobre protagonizar uma peça na sala recém-inaugurada: "Faço parte desse projeto, me sinto dentro dele. Por enquanto só a novela, e depois preciso descansar".

Elenco de espetáculo.

Temporada

Antes da sessão desta terça, os sócios da Aventura Entretenimento e da Aventura Teatros - empresas que encabeçaram a reforma do teatro - Aniela Jordan, Fernando Campos, e Luiz Calainho conversaram com os convidados sobre o projeto e chamaram ao palco o presidente da Riachuelo, principal investidora do projeto, Flávio Rocha.

Após os breves discursos, foi exibido um vídeo, com texto de Ruy Castro, tratando da importância cultural da histórica região da Cinelândia - que recebe esse nome por ter recebido muitos cinemas - e da recuperação do prédio fundado no início do século passado, que hoje é tombado pelo Patrimônio Histórico do Rio. Passadas as apresentações, teve início o espetáculo "Garota de Ipanema, o Amor é Bossa", com Letícia Persiles, Thiago Fragoso, Claudio Lins e grande elenco, sob direção de Gustavo Gasparani e texto de Thelma Guedes. A temporada aberta ao público começa nessa sexta-feira (26/08) e vai até 27/09, com sessões de quinta a sábado às 21h e domingos, às 20h. Os ingressos vão de R$ 25 (meia) a R$ 140.


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