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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

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01/09/2016 09h46

O alívio da direita e a missão da esquerda de derrotar o PMDB nas eleições
Sidney Rezende

Um dia depois do afastamento definitivo da presidente eleita Dilma Rousseff, o quadro político ganha um novo contorno.

Vamos pinçar o mosaico para que você reflita sobre o todo:

Os empresários estão empenhados no discurso de que é preciso esquecer a agenda política e focar na economia. E, como tal, ativar os investimentos e estancar o desemprego. O tom é que tudo deverá ser feito para turbinar a máquina do setor produtivo no intuito de devolver a sensação de desenvolvimento e a prosperidade.

Os meios de comunicação ajudarão nesta tarefa. Qualquer pequena notícia boa será elevada à condição de manchete principal. Sem publicidade, a mídia não se mantém em pé.

As Forças Armadas continuam sabiamente equidistantes, afinal são guardiãs da Constituição, mas os militares, em sua maioria, respiraram aliviados após a destituição de Dilma e o enfraquecimento real do PT e dos chamados "comunistas que poderiam levar o Brasil a tornar-se uma Venezuela". Uma das mais importantes instituições do Brasil é, historicamente, conservadora.

A bancada religiosa integrada por católicos e evangélicos também se sente mais bem representada por Michel Temer e seu grupo do que por Dilma e Lula. Os pastores trabalharam ativamente pela viabilidade do governo atual.

A esquerda está discutindo duas propostas. Uma, lançada por Lula, a criação de uma Frente Ampla de Esquerda. Outra ação, esta anunciada ontem à noite pelo candidato do Psol à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, que é intensificar "a luta contra o PMDB e derrotar o partido nas eleições municipais em todo o Brasil". É preciso humilhar eleitoralmente os "golpistas", vamos dizer assim.

O que querem Lula, Freixo e Dilma - reafirmado pela presidente deposta no seu primeiro discurso após a derrota no Senado - é manter ataque constante ao Governo Temer e aos "golpistas". Dia e noite.

O presidente Temer, agora oficialmente empossado, deixou claro que o seu movimento não será rumo à "união" ou à "pacificação" - embora em palavras isso tem sido dito com todas as letras - mas de guerra aos opositores.

E, curiosamente, o "fogo amigo" chegou no pedaço, quando Temer propagou aquele recado dominador ao parlamento de que não tolerará atitudes independentes de deputados e senadores.

O recado duro também foi para dentro do Governo. Ao dar início à primeira reunião com sua equipe, Temer afirmou que será "inadmissível" qualquer tipo de divisão em sua base parlamentar e determinou que "se é governo, tem de ser governo".

Já a imprensa, esta se divide em dois grupos. O hegemônico, composto por proprietários de rádio, TV e jornais impressos - de apoio irrestrito a Michel Temer. O que leva a crer que será difícil prosperar na Justiça qualquer leve ameaça que aparente risco de desestabilização do estabilishment.

É duro reconhecer, mas nesta empreitada, patrões e empregados estão juntos. Jornalistas chegaram a estampar bandeiras do Brasil nas páginas dos seus veículos quando o resultado da saída de Dilma foi anunciado.

Colegas também publicaram em redes sociais textos, vídeos e fotos expressando felicidade diante do ocorrido.

E, num outro grupo, este mais presente na internet, profissionais se equilibram entre os que acham que a democracia sofreu um golpe; e aqueles, mais conservadores, que optaram por memes e galhofas. Por isso, a associação da imagem de Lula à cachaça; Dilma à imbecilidade; PT a Chávez; e a esquerda às bandeiras comunistas.

Os novos tempos serão sombrios.

Manifestação após impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Claudia Villas Boas


Comentários
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    01/09/2016 10:53:56carlaAnônimo

    Muito sombrios.

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