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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

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03/09/2016 13h04

Eleições Municipais: Para o mundo que eu quero descer
Sidney Rezende

A longa crise política que culminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff acabou com o moral do brasileiro. Foi desgastante demais. Encheu o saco de todos. Na economia, só para resumir, empurrou milhões para o desemprego. Antipatizou o desejo da população em fazer militância. Seja a favor ou contra.

O ódio que divide esquerda e direita ultrapassou todos os limites. O sentimento de caça às bruxas, de patrulha ideológica, rançou os ânimos. Estamos mais irritadiços e impacientes. O ar está contaminado. Não há espaço para imaginar esperança em meio a este pântano. Embora seja este engodo que os meios de comunicação vão criar agora, a de que estamos livres para voar rumo ao paraíso. Mentira.

O sentimento revanchista paira no ar. Os pré-julgamentos e preconceitos tomaram lugar da cordialidade. A tolerância e a ternura estão em baixa. Está faltando respeito entre nós.

Neste processo arrastado em que, surpreendentemente, o deputado Eduardo Cunha e políticos citados na Operação Lava-Jato como beneficiários de corrupção continuam soltos, cresce a sensação terrível de impunidade.

Quem pôde ir embora para o exterior já o fez. Quem ainda está por aqui se sente como alguém que está por um fio antes de explodir.

Neste rescaldo, vêm os Jogos Olímpicos e nos lava a alma. Luz, beleza, cores, atletas saudáveis e vitoriosos, policiamento nas ruas, serviços com melhor qualidade, mobilidade mais eficiente do que nos dias normais... Enfim, êxtase. Foi curto. Acabou.

Voltamos para nossas vidas modorrentas. No lugar de jovens atléticos, temos um processo político que definirá prefeitos e vereadores no dia 2 de outubro. Se tiver segundo turno, no dia 30.

Repare que os candidatos com possibilidade de vitória são pertencentes a agremiações com menor estrutura. O povo quer se libertar das velhas raposas, mas não consegue. Estamos trocando seis por meia dúzia.

O mais complicado é que podemos ter uma safra de prefeitos pior do que a atual. O quadro não é bom. A campanha política é de tiro curto: de 90 foi reduzida para 45 dias.

Quem for mais conhecido leva vantagem. Quem tem mais dinheiro, como sempre, também. Quem tiver máquina pública terá uma baita vantagem sobre oponentes.

Estamos diante do mais do mesmo, com viés de baixa. O eleitor tem um papel inestimável que é não permitir o prosseguimento deste processo dilacerante de elevar bandidos à condição de autoridade e eleger vereadores realmente capazes de não negociar o seu voto em troca de dinheiro no bolso. Quem acredita em duendes?


Comentários
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    05/09/2016 09:53:17CELSO SILVA DE CARVALHOAnônimo

    Aqui no Rio, vou de Osório porque vem apresentando propostas de melhorias para a cidade e não é agressivo com os seus adversários.

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    03/09/2016 17:58:59luciana do carmo valente fragaAnônimo

    O cenário está complicado, pra onde olha só tem aproveitador se candidatando. No conheço um bom candidato na cidade que moro atualmente, fica complicado o voto. Meu último voto levaram na mão grande. O que fazer? eis a pergunta

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