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05/09/2016 17h16

'Atlas da Carne' é lançado no Rio nesta terça-feira
Redação SRZD

Você sabia que a produção de carne está relacionada ao desmatamento da Amazônia? É essa a questão que pesquisadores do Brasil, Chile, México e Alemanha fazem no "Atlas da carne - fatos e números sobre os animais que comemos", que será lançado nesta terça-feira (6), de 18h às 22h. O evento, que tem moderação do jornalista Sidney Rezende, diretor do SRZD, terá palestras de Sergio Schlesinger, um dos autores do Atlas e consultor da FASE; Claudia Job Schmitt, professora doutora da Universidade Federal Rural; e Maureen Santos, coordenadora do Programa de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll Brasil.

Lançamento do Atlas da Carne. Foto: Divulgação

A publicação mapeia a produção industrial de carne no mundo e como ela atinge recursos hídricos e solos, influencia as mudanças climáticas e aumenta a desigualdade. Registra ainda como a criação animal em escala industrial traz consequências como a fome, já que a produção intensiva fica sempre em primeiro plano, em detrimento das necessidades nutricionais de cada país. O cercamento de terras para esse objetivo também causa o deslocamento de pequenos produtores, intensificando problemas sociais. A perda de biodiversidade também é outra grave consequência desse avanço sobre as terras.

Segundo o Atlas, se o consumo de carne continuar crescendo, em 2050 os agricultores terão que produzir 150 milhões de toneladas extra de carne, agravando os problemas. O Atlas da Carne estimula, assim, reflexões sobre como implementar uma pecuária "ecológica, social e ética" como contraponto ao agronegócio nos Estados Unidos, na União Europeia e na América Latina. A publicação traz alternativas ao atual modelo, como a de produzir e consumir a carne localmente, evitando o transporte por milhares de quilômetros. Quer, assim, mostrar ao consumidor de carne toda a cadeia de produção.

O Atlas que chega agora ao Brasil já foi publicado na Europa em inglês e alemão. O país ilustra bem a cadeia de produção, pois é um dos maiores produtores de soja do mundo, grão utilizado sobretudo como ração animal. Ao consumir a carne, o cidadão ingere também agrotóxico, usado no cultivo desse defensivo agrícola. No Brasil, a sanha por terra de produtores de soja e outros levam à grilagem, à expulsão de pequenos agricultores e a assassinatos de líderes camponeses e indígenas. A produção da soja também leva ao supracitado desmatamento na Amazônia, visto, em maior escala, no Cerrado e no Pantanal, que sofrem também com o avanço das áreas de pastagens, pondo em risco importantes biomas. A pecuária intensiva gera quase um terço dos gases de efeito estufa em nível global. Diante disso, a afirmação de que a América Latina é a região que mais exporta carne bovina e de aves em todo o mundo deve ser relativizada. O Atlas da Carne traz à tona esse debate cada vez mais urgente. No próximo dia 6, A Fundação Heinrich Böll Brasil promoverá uma ampla discussão sobre a publicação. Na ocasião será lançado também o livro "Cadeia industrial da Carne - Compartilhando ideias e estratégias sobre o enfrentamento do complexo industrial do complexo industrial global da carne" da FASE, parceira da Fundação Böll, que também discute o tema.

Serviço:

Lançamento Atlas da Carne - Fatos e números sobre os animais que comemos

Quando: 6/12 - 18-22h

Onde: Brics Policy Center - Rua Dona Mariana, 63 - Botafogo - Rio de Janeiro

Palestrantes: Sergio Schlesinger (Um dos autores do Atlas e consultor da FASE); Claudia Job Schmitt (Professora doutora da Universidade Federal Rural); Maureen Santos (Coordenadora do Programa de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll Brasil)

Moderação: Sidney Rezende (jornalista e diretor do portal SRZD)


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