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José Armando Vannucci

José Armando Vannucci

Jornalista multiplataforma com atuação no rádio, televisão, internet e veículos impressos. Especialista em TV brasileira e com acesso a todas as emissoras do país, em seu trabalho une informação de bastidores com a crítica imparcial sobre o que é exibido pelas TVs abertas e fechadas.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



06/09/2016 15h01

Talk-show sobreviverá na TV?

Nas últimas semanas, muito tem se falado sobre os talk-shows na televisão brasileira.

Fábio Porchat estreou na "Record" seu programa que será exibido de segunda à quinta e que pretende misturar humor e boas entrevistas. Sua missão é conquistar uma plateia mais jovem para a emissora e engordar a audiência no fim de noite.

Marcelo Adnet também colocou no ar a primeira temporada do "Adnigth", atração que tem como proposta tirar os convidados do lugar comum para resgatar momentos de sua carreira ou vida.

Foto: Reprodução de Internet

Os dois chegam para dividir o espaço nesse segmento com Jô Soares e Danilo Gentilli. Os novos projetos geraram muitas discussões sobre o excesso de produções desse gênero e, como consequência, o desgaste do formato.

Pura bobagem. A essência do talk-show é a boa conversa e o humor surge como consequência porque um bate-papo que a gente tem com um amigo, por exemplo, é entremeado por brincadeiras e provocações. Portanto, o apresentador só precisa ter jogo de cintura suficiente para deixar aquele encontro fluir da melhor maneira. Se isso acontecer, a audiência responde imediatamente.

A participação inédita de Fausto Silva no "Programa do Jô" é a grande prova de que este é um gênero que não está em desgaste, mesmo com um número maior de concorrentes. Basta ter alguém interessante.

A conversa entre os dois apresentadores exibida na última sexta-feira garantiu recorde de audiência para o talk-show de Jô Soares e se transformou no assunto do final de semana.

Foto: Ramón Vasconcelos - Globo

Durante a entrevista, Fausto Silva contou histórias curiosas, relembrou o passado, riu de si e brincou. Jô brilhantemente pontuou, provocou, lembrou de causos e também brincou. Para quem estava em casa foi um momento interessante e único. Impossível desligar ou mudar de canal.

O homem sempre gostou de boas histórias. Somos fascinados por quem avança os limites, enfrenta as dificuldades, vence guerras, ama intensamente, descobre novos mundos e dá a volta na vida. Os estudiosos garantem que, assim que nos organizamos em grupos, passamos a observar e narrar os fatos, levando os acontecimentos para as gerações futuras. Depois, o teatro para encenar a nossa própria existência, medos, angústias e realizações. O tempo vai passar e ainda estaremos dispostos a ouvir e assistir gente interessante.

Desde que a televisão entrou no ar, em 1950, os talk-shows estiveram presentes em sua grade, mas talvez com outros nomes, dinâmicas mais simples e formatos menos elaborados. Silveira Sampaio inaugurou o gênero numa época em que a TV era ao vivo. Ferreira Neto também deixou sua marca e Marília Gabriela apostou em algo mais direto, sem as bandas ou números de stand up. O ponto de partida de qualquer programa é a entrevistas e, portanto, ainda vai longe.

No final do ano, Jô Soares encerra seu programa na TV aberta e Pedro Bial deve assumir seu espaço em 2017.

Foto: Reprodução de InternetCom tantas atrações no ar, caberá a cada equipe buscar um diferencial e tentar fugir dos mesmos convidados, aqueles que em lançamento de disco, filme ou peça fazem o mesmo caminho e passam em todos os programas. Segunda é no Jô. Na terça aparece no "The Noite". Na quarta, fala mais um pouco no "Programa do Porchat". Na quinta, brinca no Adnet e, na sexta, agenda para a TV por assinatura. Para o sábado, revezamento entre "Caldeirão", "Estrelas" ou "Altas Horas", para depois passar no "Legendários", "Programa da Sabrina" ou "Programa Raul Gil". E no domingo, os programas de auditório.

A partir de agora, para funcionar os talk-shows terão que sair da agenda de divulgação e apostar no corpo-a-corpo com os artistas, personalidades e celebridades, além de descobrirem histórias interessantes de anônimos.

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Comentários
  • Avatar
    06/09/2016 18:55:35DanielAnônimo

    Depois de todas as estreias e propagandas, fica claro que faltam entrevistados melhores para todos e Jô soares segue sendo o mestre...sem comparações.

  • Avatar
    06/09/2016 17:32:30JussaraAnônimo

    Não gostei do Porchat na Record e esperava mais do Adnet. Danilo se saindo melhor até aqui

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