SRZD



Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



22/09/2016 14h33

O problema da omissão
Sidney Rezende

Estamos fragilizados. Ninguém aguenta mais política. O nosso saco estourou. O divórcio da sociedade com os caras que mandam em Brasília é inegável. Até porque eles só nos trazem aborrecimentos. Raramente, soluções.

Nas redes sociais, a postagem de fotos e vídeos de "cacetadas" já representam cinco vezes mais do que qualquer assunto relevante.

A baixa leitura de notícias de política e a veloz substituição por imagens humorísticas - de zoeira como diz a nova geração - não deixam de ser o reflexo da exaustão. O escapismo é um lugar mais quentinho do que a dureza da realidade.

Já existiu um tempo em que repórteres descobriam através de longas apurações alguma coisa encoberta que se transformava em notícia. Hoje, já há relatos e testemunhos de que certas autoridades acertam agenda com as TVs e equipes são deslocadas em comum acordo.

A execração pública virou bilhete para uma futura delação premiada, quem sabe. O respeito foi substituído pelo esculacho.

O homem trabalhador é levado a pensar que isso que é o certo. Assim é que se tem que agir com suspeitos de "corrupção". Até o dia em que ele próprio é "esculachado" pelo policial numa revista dita de rotina, destratado pelo atendente de uma repartição pública, agredido pelo guarda municipal, ou humilhado por uma "autoridade" que invade seu rosto com uma credencial, ironizado pelo síndico do prédio, debochado pelo chefe, demitido com escárnio pelo dono da empresa, vasculhado pelo promotor público, enquadrado por suspeitas de juiz qualquer. Aí, o homem de bem entenderá a razão de existir direitos humanos e fiel cumprimento das leis que regem a civilização que todos estamos inseridos.

Mesmo fragilizados, de saco cheio, distantes do que os malucos em Brasília andam fazendo em praticamente todas as esferas, precisamos separar o permanente do transitório.

Queremos democracia como um regime duradouro no nosso país? Estamos mesmo interessados em enfrentar o autoritarismo, o abuso dos poderosos de plantão e a ilegalidade?

Se a sua resposta foi "sim", então saiba que a cada minuto sua convicção está sendo submetida a uma prova de fogo. E você está perdendo fileiras velozmente. A ditadura está mais perto do que você imagina, e, desta vez, ela virá muito mais feroz do que qualquer outra que você tenha ouvido dizer que já tenha existido.

E sabe por que? Porque o problema da nossa omissão é a permissão para que algo que você não conhece se instale. E quando você souber direitinho o que é que se instalou, já era. Já foi.

O problema da omissão é que, por causa dela, poderão ocorrer atropelos ao estado de direito. E isso não é grave. É gravíssimo.


Comentários
  • Avatar
    22/09/2016 20:23:05Hamber CarvalhoAnônimo

    Parabéns Sidney Rezende. Um texto digno de quem enfrentou o sistema, comandado em uma de suas faces pelo império da família Marinho. Um alerta a vanguarda politica que lutou pela democracia neste país e não se curvou a irresponsabilidade e ao descompromisso do PT com a consolidação do Estado de Direito no País.

  • Avatar
    22/09/2016 16:15:00RAYNAL VFAnônimo

    Ei Sidney, Em meio a tudo isso que estamos vivendo, hoje, o Brasil, com a Seleção Brasileira de Futsal, perdeu para o IRÃ nas quartas de finais do Mundial de Futsal. Mas o jogador FALCÃO, o Maior Artilheiro de todos os Mundiais, Brasileiro, na DERROTA se despediu com DIGNIDADE. Veja as palavras dele: "Espero ter deixado um legado positivo. Não é fácil esse momento, mas temos que continuar crescendo. Só tenho a agradecer, pois quantas coisas boas já não vieram? Quantos gols a favor quando tudo parecia perdido? Se foi assim, é porque tinha que ser! Obrigado!", escreveu o jogador em uma de suas redes sociais, que ainda encerrou com um coração ao lado da palavra Irã. Os jogadores do IRÃ, fizeram uma roda, e o lançaram várias vezes para o ALTO. Mas Falcão, na DERROTA, saiu de cena com DIGNIDADE com palavras de gratidão. Será que após as Eleições de 2014, os DERROTADOS se despediram com DIGNIDADE? Será que a Procuradoria Geral da República, a Justiça Federal, a Polícia Federal, tem atuado com "dignidade"? Será que a mídia, as TVs, que em "CORO" sempre seguem numa batida, desde que seja algo contra UM Partido Político, em detrimento de outros DOIS, tem tido atitude de "dignidade", quando no exterior, o "CORO" que a imprensa faz, é justamente em direção oposta ao status quo jornalístico brasileiro? Será que podermos dizer que hoje, houve alguma "DIGNIDADE", na atuação da Justiça Federal de Curitiba, e da Polícia FEDERAL, que vão a um HOSPITAL, PRENDER um ex-Ministro da Fazenda do Brasil, que está acompanhando sua esposa ...num tratamento de CÂNCER? O que há de DIGNIDADE nisso? (não prenderam dentro, mas que em lugar de esperar ele SAIR do Hospital, ligam para ele DENTRO do HOSPITAL e PEDEM que ele SAIA para PREDÊ-LO? como se ele fosse um FORAGIDO da Justiça). Isso foi uma Atitude DIGNA de nossas Autoridades? Pois bem, Sidney, o jogador Falcão, saiu de CENA, numa DERROTA, com DIGNIDADE, e o que concede um pingo de ânimo, é que ele é Brasileiro. Quanto a om

Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.