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Celso Sabadin

Celso Sabadin

CINEMA. Jornalista, crítico de cinema, professor, escritor, curador e cineasta. É autor dos livros "Vocês Ainda Não Ouviram Nada - A Barulhenta História do Cinema Mudo", "Éramos Apenas Paulistas", biografia do cineasta Francisco Ramalho Jr., e "O Cinema como Ofício", biografia do cineasta Jeremias Moreira. Roteirizou e dirigiu o longa metragem "Mazzaropi", lançado em 2013, e o curta "Nem Isso", a partir da obra de Luís Fernando Veríssimo, lançado em 2015. Corroteirizou e codirigiu a série de TV "Mazzaropi, Uma Série de Causos", exibida no Canal Brasil. É editor do site "Planeta Tela", especializado em Cinema, e sócio-fundador da Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

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23/09/2016 13h38

A bela experiência auditiva de 'Nervos de Aço'

É sempre bom ouvir Lupicínio Rodrigues. Ouvir Lupicínio Rodrigues na tela grande de cinema, então, como diz aquela propaganda, não tem preço. No filme "Nervos de Aço", do clássico e veterano Maurice Capovilla, a experiência de ouvir o grande compositor gaúcho, rei da dor-de-cotovelo, é das mais gratificantes. Para contar a sua história, o filme utiliza o recurso da metalinguagem, mostrando um grupo que monta um espetáculo baseado nas músicas do famoso mestre. Como sempre costuma acontecer nesta formulação de roteiro, os personagens apresentam envolvimentos emocionais que encontram paralelos à obra que eles próprios interpretam, causando assim uma área de conflitos e similaridades entre a ficção e a sua representatividade. 

Nervos de Aço. Foto: Divulgação

O diretor do espetáculo que se ensaia na tela é Joel, interpretado por Arrigo Barnabé. Arrigo pode não ser, como de fato não é, um grande ator, mas o fato dele ser músico e cantor ajuda bastante na composição e na credibilidade do personagem. Joel está vivendo um momento de intensa crise amorosa com sua companheira Rosa (Ana Leonardi) que - claro! - também é a estrela de seu show. Eles levam para o palco os problemas de seu relacionamento, e quem conhece um pouquinho da obra de Lupicínio sabe que um triângulo amoroso será inevitável. 

Dramaturgicamente, "Nervos de Aço" pode até ser considerado convencional, nem sempre a direção de atores funciona bem, e há uma certa dose de previsibilidade em seu roteiro. Mas estas falhas são compensadas pelas excelentes performances de Ana Leonardi e da belíssima banda que a acompanha, que inclui o trombonista Matias Capovilla, filho do diretor. Os mais puristas podem até estranhar alguns arranjos mais jazzísticos feitos para a obra de Lupicínio, mas isso faz parte de uma bem-vinda "repaginação" do compositor, onde há espaço até para um questionamento feminista da submissão das personagens femininas das suas letras. 

"Nervos de Aço" é um filme que acaba atingindo a emoção muito mais pelos caminhos auditivos que pelos visuais. 


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