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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

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23/09/2016 14h15

O risco da educação virar cabide de emprego
Sidney Rezende

De boas intenções o inferno está cheio. Este dito popular voltou a ser atual.

O ministro da Educação da ditadura, Jarbas Passarinho, liderou a reforma do ensino que pretendia ampliar vagas na universidade. Ele queria criar oportunidades. O resultado foi a queda da qualidade e a proliferação de faculdades "tamboretes" pelo país. Mal que convivemos até hoje.

O erro de avaliação do passado propiciou o surgimento de novos milionários no segmento. Enquanto surgiam magnatas, muitos alunos que os sustentavam com suas mensalidades se viram analfabetos funcionais.

Ensino integral parece ser o sonho de todos. Balela. Quando o então governador do Rio, Leonel Brizola, resolveu implementar os Cieps, o projeto foi execrado pelos grandes meios de comunicação e pela elite endinheirada da época. Os de sempre detonaram o programa de Darcy Ribeiro.

O Governo Temer botou para jogo a sua nova proposta educacional. Modernizar métodos de ensino e buscar novas estruturações devem ser bem-vindas. Aí tem jabuti. Tem caroço neste angu. Senão vejamos:

"Serão aceitos profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação". Tudo bem. Mas alguém tem dúvidas que os coronéis da política vão aproveitar para indicar cabos eleitorais? Alguém em sã consciência duvida que os políticos vão impor apaniguados jabutis para se passarem por tartarugas e mamarem no Estado, empoleirar nas escolas? 

Sem comprovação alguma de títulos, o vale-tudo passará a prevalecer.

"A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino fundamental, sendo sua prática facultativa ao aluno". Voltou aquela prática condenável do professor dizer para os alunos: "Vocês querem ter aula hoje?". O grupo, em uníssono, gritará: "NÃOOOOOOO!!" 

Quantos alunos preguiçosos em 30 dirão que estão com vontade de comparecer à aula de educação física?

No currículo do ensino fundamental, será ofertada a língua inglesa a partir do sexto ano. "Ofertar" é sempre um verbo complicado.

Recomendo aos professores que entrem nesta discussão antes que seja tarde. Os falsos jabutis de Brasília já estão nos galhos da educação e não vai sobrar uma frutinha sequer para vocês.


Comentários
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    24/09/2016 13:56:29AlbertoAnônimo

    A educação inexiste a décadas.A politicagem,sindicatos,ideologia,má formação e qualidade do ensino e a própria sociedade,inclusive,são responsáveis pelo estado caótico em que se encontra a educação no país.São muitos interesses e conflitantes,assim sendo,nada muda.

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    23/09/2016 21:24:56LuisAnônimo

    Ainda que esta reforma fosse espetacular não justifica ser implementada numa canetada e a revelia de todos os envolvidos. Estranho que governo tão recente já traga tudo pronto e imponha imediatamente. É ingenuidade aplaudir reforma só porque o sistema atual é ruim. Os interesses por trás e as consequências ainda estão longe de serem bem percebidos.Li que na Austrália reforma recente eliminou as disciplinas história e geografia do curso médio. Por aqui elas se tornaram não obrigatórias.

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    23/09/2016 19:46:04Paulo NepomucenoAnônimo

    Vejo essa proposta como satisfatória, Sidney. Eu, pelo menos, passei um ensino médio sufocante num colégio particular. Lá vi que este grau é uma ponte para o ensino superior com massacre de questões de vestibular, nada mais. O tornando mais específico para o que quer se seguir, acredito que isso não deixa o aluno exausto, como fiquei em 2015, e não causa a evasão, grande problema do ensino público. Esse método faz você ver esperança, é um empurrão desde cedo para o que quer cursar, para o que quer fazer da vida. Após um conluio sofrido na escola particular que citei acima, estou refazendo o terceiro ano no ensino público e sim, é sentida - em escala logarítmica - a diferença do ambiente e do que é dado, coisa que também deve ser arduamente revista, já que há desproporcionalidade no modo de ensino. No mais, toda mudança é de se chocar. Ainda mais vindo de um governo não tão legítimo assim, que remete às oligarquias. Mas, mesmo com todo o acochambramento que existiu até a entrada deste presidente, esta é a primeira bola dentro de Temer - assim classifico - que, com essa medida, fará um novo mundo para os jovens. Resta a aprovação da Câmara.

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    23/09/2016 17:51:06Aurora SelesAnônimo

    Prezado Sidney, estou realmente atenta e preocupada com essa mudança. Nossa educação caminha para o regresso. Parabéns pelo artigo. Abraço

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