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Aurora Seles

Aurora Seles

CARNAVAL. Jornalista, com especializações no Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero. Bacharelanda em Direito. Professora e profissional de comunicação. Foi assessora de imprensa da Tom Maior, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Coautora do livro SOFIA Belas Artes - Encontro de Saberes: Artes, Arquitetura, Saúde, Ciências Sociais e Humanas, lançado em dezembro/2015.

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28/09/2016 14h12

'Cartola de Ouro'
Redação SP

No ano em que é comemorado o centenário do samba um dos nomes lembrados é o de Cartola. Sambista, fundador da Estação Primeira de Mangueira, tradicional escola de samba carioca, é, até hoje um marco do samba.

Angenor de Oliveira (11-10-1908 a 30-11-1980), era também conhecido por Divino e Poeta das Rosas. O apelido Cartola surgiu quando trabalhava em uma obra e - para não sujar o cabelo - passou a usar um chapéu coco. Desde então esse codinome ficou eternizado.

Cartola. Foto: Reprodução

Aprendi que sempre vale a pena conhecer a obra de um gênio, e se for popular, aí é imprescindível. Nas duas últimas semanas conferi duas homenagens voltadas especialmente para ele.

No musical "Cartola - o mundo é um moinho", em cartaz até o dia 31 de outubro, no teatro Sérgio Cardoso, a peça com idealização e elenco renomados retrata a vida e obra do mestre, pautadas pelas canções do compositor.

Há também convidados como as velha-guardas das escolas paulistanas Águia de Ouro, Vai-Vai e Tom Maior e cantores do segmento como Jorge Aragão e Arlindo Cruz. Tudo elaborado com muito carinho e simplicidade, características peculiares do agraciado.

Já a exposição "Ocupação Cartola", no Itaú Cultural até 13 de novembro, traz outros cuidados, também especiais a quem visita o espaço. A trajetória do artista é retratada por manuscritos originais, fotos e vídeos.

Réplicas do cardápio do restaurante Zicartola e um livro inédito de poemas guardados pela neta de Cartola, Nilcemar Nogueira, também diretora do Museu do Samba, localizado no Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro.

Durante a visitação recebi um guardanapo de papel com a letra da música "Acontece", escrita em 1972, em verde e rosa. Música de Cartola, a qual ele gostaria de ser lembrado para sempre. A revelação está registrada em uma entrevista televisiva do ano de 1977.

"Esquece nosso amor vê se esquece
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que já não sei mais amar
Vai chorar, vai sofrer
E você não merece
Mas isso acontece
Acontece que meu coração ficou frio
E nosso ninho de amor está vazio
Se eu ainda pudesse fingir que te amo
Ai se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo
Isso não acontece"

Devemos às gerações pós-bossa nova e pós-festivais muito do que aconteceu à nossa música popular entre os anos de 1973/1985. Época da censura, onde a maioria dos músicos conseguiu manter-se em plena atividade.

Cartola. Foto: Reprodução

Figuras renomadas como mestre Cartola, Nelson Cavaquinho, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, João Nogueira, Nei Lopes, Noca da Portela e Dona Ivone Lara, sambistas que tiveram suas carreiras consolidadas na década de 70, além de outros bambas como Dicró e Bezerra da Silva, adeptos do samba de malandragem e vários intérpretes.

Salve o centenário do samba! 

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