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Ruy Chaves

Ruy Chaves

Tem experiência em implantação, desenvolvimento e reestruturação de instituições de ensino superior. Cursou Altos Estudos de Políticas e Estratégias na Escola Superior de Guerra (ESG), onde foi membro do corpo permanente e do corpo de Conselheiros. Professor universitário, também atuou em cursos da Polícia Militar do Rio de Janeiro e do Pará, em cursos de planejamento estratégico na ACADEPOL de Minas Gerais e na Escola da magistratura do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Cidadão de Aracaju, tem as Medalhas Tiradentes, da ALERJ e da Polícia Militar do Pará, e Marechal Cordeiro de Farias, da ESG.

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05/10/2016 09h57

As Oligarquias do século 21!
Ruy Chaves

Olá, pessoal. Os outubros são negros a cada dois anos, tempos de eleições no Brasil, portanto, tempos de glorificação da sociedade da mentira, tempos de ressurreição dos salvadores da pátria, dos protetores dos pobres e dos oprimidos, dos defensores das minorias, dos pais e das mães da cidadania, dos heróis das causas justas, dos incorruptíveis, dos abnegados, dos apaixonados pelas causas públicas, dos ... mentirosos, na verdade, que nos fazem de idiotas há séculos!

Daí este artigo,

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

A República das Oligarquias deixou marcas profundas e trágicas nas práticas políticas do Brasil. Iniciada em 1894, com Prudente de Morais, estendendo-se por mais nove presidentes e, teoricamente, encerrando seu ciclo em 1930 com Washington Luís, este período também caracterizou a República Café com Leite, em que todos os presidentes foram paulistas, da terra do café, ou mineiros, da terra do leite. Sob o comando de ricos e poderosos senhores rurais, estas oligarquias apoiavam-se no coronelismo, no clientelismo, nos currais eleitorais e no voto de cabresto.

O Coronel exercia poder total em uma região, o "curral eleitoral", em que os eleitores, os "clientes", eram camponeses, agregados ou trabalhadores pobres da cidade, gente sofrida e explorada, com muitas carências, baixa ou nenhuma escolaridade. O voto não era secreto, então o "voto de cabresto" indicava o poder do Coronel que obrigava, por chantagem econômica ou por violência, a sua propriedade viva, o eleitor, a votar nos candidatos determinados por ele. Alguns clientes conquistavam empregos, cestas básicas, isenções de taxas e impostos e até dentaduras. Neste mercado não cidadão, clientes de risco ganhavam o pé direito do sapato antes de votar e recebiam o pé esquerdo apenas se a vontade política do Coronel fosse cumprida. Em alguns casos, o outro pé do sapato ficava para a próxima eleição.

Os chargistas políticos se deliciavam. Havia desenhos do Coronel conduzindo seu cliente para votar, sujeito maltrapilho com cabeça de burro e com a corda no pescoço. Também era frequente a representação da carroça puxada pelo cliente e guiada pelo Coronel. A charge mais criativa trazia Jesus declarando solenemente : "não apoio nenhum candidato e desautorizo o uso de meu nome e de meus familiares por qualquer candidato ou coligação". Amém!

A Revolução - ou Golpe de Estado de 1930 - levou ao poder Getúlio Vargas, o Pai dos Pobres, implantando o culto à personalidade do presidente. Entre 1937 e 1945, Vargas, embora de origem também oligárquica, implantou programas de governo chamados de populistas por seus adversários. Os direitos dos trabalhadores foram amparados por leis e pela primeira vez no Brasil direitos sociais estenderam-se a classes menos favorecidas. Seus inflamados discursos sempre começavam por: Trabalhadores do Brasil...

No fantástico mundo do século 21, em muitos currais eleitorais do Brasil ainda vivemos sob os fantasmas das oligarquias de diferentes naturezas, sob o império dos Coronéis ou sob as bênçãos das Mães e dos Pais dos Pobres. Tragicamente, os pobres continuam em condições sub-humanas, sem emprego, sem renda, sem educação, sem expectativa de futuro, sempre dependentes. Manutenção da ignorância e da pobreza para a sua exploração, oligarquias e Coronéis, líderes messiânicos, currais eleitorais, clientes, voto de cabresto,... até quando? Partidos políticos e políticos há tanto tempo no poder por que não fizeram do Brasil de tantas riquezas naturais o país da realização plena dos direitos humanos e sociais? Faltou competência, ou empenho, ou a ética de princípios, ou...?

Logo teremos um novo tempo para a glorificação da sociedade da mentira. No horário eleitoral gratuito, políticos sorridentes novamente mentirão sobre o que não fizeram e renovarão as promessas de agora fazer ; políticos com expressão raivosa criticarão os que estão no poder e mentirão sobre o que sabem impossível fazer e que, portanto, jamais farão. Sorridentes ou raivosos, os candidatos repetirão as promessas de sempre, tentando manter todos os eleitores como "clientes" do século 21. Prometerão um Brasil com desenvolvimento econômico e com justiça social, sob a igualdade de todos perante a lei, expressão das legítimas aspirações, dos interesses e da vontade da nação; uma Pátria realmente Educadora com todas as crianças na escola e todos os jovens nas escolas técnicas ou nas universidades. Prometerão tempos idílicos, os que não buscarem emprego e renda serão amparados por programas de dependência e de subcidadania. Com lágrimas nos olhos prometerão segurança pública total; saúde pública e transportes públicos de qualidade para todos, habitações dignas, com saneamento básico, claro. Preços da gasolina e da energia elétrica? Claro, cairão à metade. Chuva no sertão? Claro, dia sim, dia não. Prometerão lutar por jornada semanal de trabalho de 20 horas; por aposentadoria aos 40 anos de idade; por casas na praia e no campo para todos; por férias de 90 dias; por multiplicar por 10 o valor do salário mínimo; por conceder a todos auxílios paletó e insalubridade mesmo para quem trabalha no ar fresco dos escritórios. Prometerão que todos terão funções gratificadas, ações na bolsa de valores e muito dinheiro para contas não declaradas no exterior. Mulheres? Bolsa Louis Vuitton, claro. Homens? Land Rover, claro.

Lembrando o humorista de saudosa memoria, fala sério! Que fazer? Apenas desligar a televisão ? Basta, Pinóquios do Mal, é mais que tempo de se tirar as máscaras! Ou não? Panta rei.


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