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Ana Carolina Garcia

Ana Carolina Garcia

CINEMA. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

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07/10/2016 23h29

Festival do Rio 2016: 'Dominion'
Ana Carolina Garcia

Idolatrado pela Geração Beat, o poeta galês Dylan Thomas teve momentos dignos de um rock star devido à comoção causada em seus fãs durante suas turnês pelos Estados Unidos. Mais do que isso, testou os limites da própria saúde com excessivas doses de bebida alcóolica, causa atribuída à sua morte prematura em 1953, quando, reza a lenda, consumiu 18 doses duplas de uísque na taverna White Horse, em Nova York, antes de entrar em coma. E as horas passadas na taverna são o ponto de partida de "Dominion" (Idem - 2016), um dos longas-metragens selecionados para a Mostra Panorama do Cinema Mundial do Festival do Rio 2016.

Foto: Divulgação

Com direção e roteiro de Steven Bernstein, este drama prima por sua montagem, direção de arte e fotografia, que mescla, com muita perspicácia, imagens coloridas com tantas outras em preto-e-branco, estas, mostrando o lado sombrio e autodestrutivo de um homem talentoso que desperdiçou sua vida em copos de bebida.

"Dominion" é dramaticamente intenso e de difícil digestão, sobretudo pela belíssima atuação de Rhys Ifans (Dylan Thomas). Popularmente conhecido como o Spike da comédia-romântica "Um Lugar Chamado Notting Hill" (Notting Hill - 1999), o ator brinda o público com o melhor trabalho de composição de sua carreira. Com uma força impressionante em cena, Ifans faz um retrato doloroso de um homem que parecia não se importar em amargar o fundo do poço.

Foto: Divulgação

Contudo, Ifans dá bastante espaço aos seus coadjuvantes, permitindo-lhes brilhar em cena através de uma troca constante entre um elenco em perfeita sintonia. E quando se fala em coadjuvantes, fala-se especialmente em John Malkovich (Dr. Felton), como um médico excêntrico, e Rodrigo Santoro (Carlos), como um barman que ganha espaço e importância aos poucos na trama, mostrando sua verdadeira personalidade cena a cena, encerrando sua participação numa dura sequência com Ifans.

"Dominion" não é um filme de narrativa ágil e, por esta razão, dificilmente agradará ao grande público, mas é uma grata surpresa desta edição do Festival do Rio.



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