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Ana Carolina Garcia

Ana Carolina Garcia

CINEMA. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

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09/10/2016 01h05

Festival do Rio 2016: 'De Palma'
Ana Carolina Garcia

Foto: DivulgaçãoUm cineasta diversas vezes incompreendido por executivos de estúdio, crítica especializada e público, responsável por grandes clássicos da cinematografia como "Carrie, a Estranha" (Carrie - 1976), "Scarface" (Idem - 1983) e "Os Intocáveis" (The Untouchables - 1987), Brian De Palme é um gênio que passeia com muita honestidade por sua filmografia em "De Palma" (Idem - 2015), documentário selecionado para a Mostra Filme Doc do Festival do Rio 2016.

Dirigido por Noah Baumbach e Jake Paltrow, o longa é uma verdadeira aula de cinema, não apenas da história propriamente dita, mas também sobre técnica e linguagem. Mais do que isso, uma produção que mostra De Palma de forma leve e descontraída, mas sem perder o tom crítico às suas obras e ao sistema hollywoodiano que, segundo ele, impede a produção de projetos originais ao cercear a liberdade criativa de seus profissionais.

Diretamente influenciado pela obra de Alfred Hitchcock, Brian De Palma não se atém somente às críticas ao modus operandi da indústria. Assumindo um tom divertido, capaz de arrancar gargalhadas da plateia, o cineasta também critica os resultados de novas versões de "Carrie, a Estranha", inclusive o remake dirigido por Kimberly Peirce em 2013, estrelado por Chloë Grace Moretz. Para ele, essas produções estão repletas de erros que ele evitou no passado, o que influenciou seus resultados negativamente.

Foto: Divulgação

No documentário, Brian De Palma conta ainda como surgiu o convite para dirigir "Missão Impossível" (Mission: Impossible - 1996), após alguns fracassos, e o poder de Tom Cruise junto aos estúdios de Hollywood. Um dos produtores do longa, Cruise exerceu poder absoluto no primeiro filme da franquia, demitindo roteirista, mas aceitando as mudanças propostas pelo cineasta, especialmente na sequência final.

Um dos nomes mais importantes da revolução do cinema americano na década de 1970, ao lado de Steven Spielberg, George Lucas, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, Brian De Palma aborda assuntos profissionais e pessoais sem fazer nenhum tipo de concessão, surpreendendo a plateia por apresentar o homem por trás do gênio em "De Palma", documentário imperdível e essencial para qualquer cinéfilo ou profissional da área.


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