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13/10/2016 14h32

Perfil: Dandan do Samba, primeiro 'down' a cantar na Sapucaí
Redação SRZD

Foto: DivulgaçãoDizem que santo de casa não faz milagre, mas no caso do Dandan e Josemar Manfredini, compositores da Unidos da Tijuca, podemos dizer que o ditado que mais se aplica à dupla é "filho de peixe, peixinho é". Um rapaz que do alto dos seus 24 anos, portador de síndrome de down, para muitas famílias seria motivo para frustrações e estagnação. Não para a família Manfredini. Cristina e Josemar arregaçaram as mangas e, desde então, dão uma criação ao Daniel, mas conhecido no mundo do samba como Dandan, o mais normal possível.

O samba corre nas veias

Acostumado a desfilar no Carnaval e se relacionar muito bem com as escolas de samba, Dandan deu o primeiro grande susto no pai em 2005, quando ele concorria pela Caprichosos de Pilares. Na ocasião, Daniel, ainda não muito popular, foi acompanhar de perto um ensaio, na época comandado pelo saudoso mestre Louro. Entre tantas conversas e uma distração, Manfredini por alguns segundos se viu sem o filho. "Fiquei desesperado, procurei o menino por toda parte. Até que bateram no meu ombro e disseram: 'Fique calmo, ele está na bateria tocando tamborim'. Era mestre Louro acalmando o coração de um compositor", confessa Manfredini. A partir daí, Dandan não parou mais.

No dias atuais, o menino é figurinha fácil nos eventos de Carnaval, principalmente na quadra da Unidos da Tijuca, escola que o acolheu. As aparições na Caprichosos, Salgueiro, às aulas de tamborim e cavaco renderam uma vaga no carro de som da Tijuquinha do Borel e lá permanece até hoje. O convite surgiu através do ex-presidente Élcio Paim.

Transitar pelos eventos das escolas de samba, Sapucaí, fotos com as passistas e estar no palco da Unidos da Tijuca é rotina do pequeno sambista, que não nega o ritmo carioca na hora de se referir às passistas da Tijuca, "Elas são maravilhosas, tem como não gostar de tirar fotos com ela?", pergunta o sambista mirim.

Dandan acompanha de perto a carreira dos intérpretes, sabe todos os gritos de guerra. Todo sábado quando sobe ao palco para participar da disputa de samba-enredo na Unidos da Tijuca junto com a parceria do pai Manfredini, age como um veterano, atuante e observador. Antes do grito de guerra dos cantores que gravaram o samba, Dandan chama o público: 'Alô, Tijuca, meu Borel, vai pura cadência!'. Durante a apresentação, assim como os outros compositores, fica com os nervos à flor da pele, oscila entre cantar e comandar a Pura Cadência, de mestre Casão.

Desde 2011, com a ida de Manfredini para a Unidos da Tijuca, o sambista mirim participa ativamente das disputas de samba-enredo. Incapaz de faltar a uma apresentação, ele participa das reuniões de composições, cantarola melodias e até arrisca com alguns "pitacos". Campeões em 2012 e 2015, Dandan, que participa da parceria 13 da Unidos da Tijuca, espera ser vencedor pela terceira vez na bicolor do Borel, ao lado dos compositores Fadico, Totonho, Dudu e Sérgio Alan.

Foto: Divulgação

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