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14/10/2016 16h02

Próxima semana será marcada pela queda dos juros
João Gomes*

Após o último Relatório de Inflação e o resultado do IPCA de setembro, a Selic está acima do razoável. Não há mais justificativa coerente para sua permanência no atual patamar.

Analisando os condicionantes que têm justificado o conservadorismo do Banco Central e o balanço entre os prós e contras da decisão de continuar a pressão sobre a taxa básica da economia, não faz mais sentido 14,25%.

Foto: Reprodução de Internet

Sabemos que além da descompressão dos preços do grupo alimentação dentro do IPCA, os itens mais sensíveis à política monetária começam a perder força de uma forma mais consistente. Os núcleos e índices de difusão também têm apresentado resultados até historicamente favoráveis. Pelo lado fiscal, apesar das dificuldades, o processo continua na direção certa. O ajuste virá. A questão é tempo.

Tempo que a economia não tem. O preciosismo de esperar as condições perfeitas dentro de uma tempestade MAIS que perfeita pode prejudicar ainda mais a situação do país. Precisamos entrar 2017 com uma expectativa positiva fortalecida. A redução dos juros pode fazer isso além de trazer outros benefícios, inclusive fiscais, ajudando também a melhora dos números de um dos pontos de preocupação da Autoridade Monetária.

Como calculado pelo economista Eduardo Velho e divulgado no Globo do último sábado, a cada 0,5 ponto de queda na Selic, ao longo de 12 meses o governo deixaria de gastar R$ 18 bilhões em pagamento da dívida. Agora imaginem com a Selic a 10% no final de 2017 o quanto será economizado? Além disso, juros elevados elevam custo das famílias e empresas que estão muito endividadas. Com juros mais baixos, quantas renegociações não seriam feitas? Não seria possível aumentar o fluxo de pagamentos fazendo com que a inadimplência sofresse um impacto de baixa melhorando a saúde da economia? Por que não ajudar a desinflamar uma questão tão espinhosa como a fiscal? O Banco Central pode sim começar este movimento.

E para engrossar ainda mais o coro das notícias positivas na direção da queda ainda neste mês da Selic, a Petrobrás reduziu o preço da gasolina e do diesel pela primeira vez desde 2009.

Diante deste movimento destacamos dois pontos: primeiro o impacto direto na inflação que irá desacelerar ainda mais por impactos diretos e indiretos e o segundo relacionado à nova gestão na empresa já surtindo seus efeitos possibilitando este movimento.

Portanto, com o fim dos choques dos alimentos, contínua desaceleração dos preços onde há o alcance da política monetária, uma consequente desaceleração robusta dos preços que pode fazer com que o Banco Central não estoure a meta para o IPCA (6,5%), algo inesperado ao longo de todo ano, além das projeções abaixo do centro da meta para 2017 e 2018, não há mais como negar a clara e ampla janela para a queda do juro básico da economia brasileira. A próxima semana será marcada pela queda da taxa Selic. Mais um movimento que reforçará o sentimento de que os ventos a favor estão chegando!

* João Gomes é economista formado pela PUC Rio e Mestre pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas. Foi Superintendente de Economia e Inteligência de Negócio do Senac Rio. Atualmente atua como Assessor Especial de Estudos Econômicos na Secretaria de Fazenda do Estado do Rio.

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