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Clarimundo Flôres

Clarimundo Flôres

CERVEJAS. Carioca, formado em jornalismo e profundo apreciador de cerveja. Dedicou quase seus cerca de 20 anos de profissão atuando, essencialmente, nas áreas de economia e política, mas também com passagens pelo meio ambiente e de hotéis, restaurantes e gastronomia. Colaborador/consultor, em cervejas, do Prêmio Maravilhas Gastronômicas do Estado do Rio de Janeiro.

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14/10/2016 18h04

Os muitos passos dentro do Mondial de la Biérre
Clarimundo Flôres

O Mondial de La Biérre deste ano estende-se por três armazéns do Píer Mauá, com 13 mil metros quadros onde podemos encontrar nada menos que 130 expositores e ter acesso a mais de mil rótulos de cerveja, além de produtos acessórios e foods trucks. Posso dizer que gasta-se muita sola de sapato e é preciso saber dosar bem as degustações para dar conta do recado. Mas o que faz o principal festival de cervejas do Brasil estar 30% maior que no ano passado em meio a uma crise econômica aguda e a uma redução que deve ficar em 3% do mercado cervejeiro do país?

Entre grandes, médias e pequenas cervejarias há de tudo um pouco, como lançamentos exclusivos para o Mondial, apresentação de novos rótulos para o mercado, criação de temáticas divertidas ou a simples presença da marca como forma de se dizer presente num evento que atrai, entre especialistas, formadores de opinião e leigos uma infinidade de pessoas em busca de algo que possa ser especial no universo da cerveja.

Consultorias contratadas pelas grandes cervejarias acreditam que o mercado deve ser pensado como um só, ou seja, a divisão entre cervejas especiais ou artesanais e as chamadas populares não traz qualquer benefício ao segmento. As grandes costumam culpar as pequenas e médias por se posicionarem como as detentoras do purismo. Já as grandes, opinião nossa, mantêm uma estratégia mercadológica predadora e que atenta contra a livre concorrência.

Tratar desiguais como iguais pode gerar uma série de problemas. Um dos quais e principal é a carga tributária que atinge a todos, sem distinção de tamanho, de forma igualitária e injusta. Este é um assunto, aliás, que as grande negam-se a comentar e fazem imenso lobby para não ser modificado. É justo uma cervejaria de porte pequeno ou médio pagar a mesma carga tributária, por exemplo, da Ambev?

Pelos corredores do Mondial podemos ver uma variedade de marcas de cervejas de diversos pontos do país expondo seus produtos de forma heroica. Não há qualquer incentivo para que eles possam existir. A questão da utilização comum das garrafas pelas empresas parece assunto proibido.

Sim, falar em uma grande campanha unindo todo o segmento cervejeiro é importante, mas, antes, é preciso tratar dos miasmas que corroem um segmento que, internamente, funciona ainda de forma cartorial.

Enquanto isso, que consigamos ter acesso aos bons ventos cervejeiros que a indústria especial e artesanal insiste em nos presentear.

 

Saúde!


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