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Aurora Seles

Aurora Seles

CARNAVAL. Jornalista, com especializações no Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero. Bacharelanda em Direito. Professora e profissional de comunicação. Foi assessora de imprensa da Tom Maior, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Coautora do livro SOFIA Belas Artes - Encontro de Saberes: Artes, Arquitetura, Saúde, Ciências Sociais e Humanas, lançado em dezembro/2015.

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15/10/2016 00h01

Docência segue um caminho escasso
Aurora Seles

Em 516 anos de história, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, mostram que o Brasil ultrapassa mais de 206 milhões de habitantes e, desse número, 13 milhões são analfabetos (não leem e não escrevem).

A informação representa 8,7% da população acima de 15 anos. Analfabetos funcionais, que conhecem letras e números, somam 27%. Para diminuir esses índices faz-se necessária uma política de educação mais atuante, porém, o déficit de professores aumenta significativamente.

Docência segue um caminho escasso. Foto: Arte

O cenário é delicado. Há poucos que pretendem seguir a carreira de professor.

Embora seja uma profissão elogiada e fundamental, tem despertado cada vez menos o número de interessados no Brasil. Alguns motivos, podem ser justificados pelos baixos salários, falta de ascensão na carreira e reflexos de problemas sociais dentro da escola.

A última estimativa divulgada pelo Ministério da Educação, MEC, dá conta de que faltem 170 mil docentes nos níveis fundamental e médio no país e, mesmo quando estão nas salas de aula, muitos deles não têm a qualificação necessária para a formação dos estudantes.

Nas escolas públicas do Brasil, 200.816 professores lecionam em disciplinas nas quais não têm formação, isso equivale a 38,7% do total de 518.313 professores na rede. Os dados estão no Censo Escolar de 2015 e foram divulgados pelo MEC.

Na outra ponta, 334.717 mil posições, ou 47,2%, são ocupadas por docentes com a formação ideal, ou seja, com licenciatura ou bacharelado com complementação pedagógica na mesma disciplina que lecionam. Mais 90.204, 12,7% de posições, são ocupadas por professores que não têm sequer formação superior.

Fica muito difícil melhorar a qualidade da educação sem investir no professor.

No dia 15 de outubro de 1827, o Imperador Pedro I decretou a criação de escolas elementares em todas as povoações brasileiras. Curiosamente, passados 189 anos, ainda não conseguimos ensinar letras nem mesmo aos professores. Triste realidade! A data deveria ser feriado nacional - e não pelo dia de descanso -, mas sim pela importância da profissão.

Sala de aula. Foto: Reprodução

A base, a raiz de tudo, começa pelas mãos de um professor, educador, instrutor ou, permita-me caro leitor, de um mestre.

Ensinar é um dom, uma oblação. E para saudar esse dia vale lembrar que é o professor quem contribui para a descoberta do pensamento, do raciocínio e do saber viver. E reitero os quatro pilares da educação, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco: conhecer, fazer, conviver e finalmente, ser. Uma profissão totalmente humana.

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