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Celso Sabadin

Celso Sabadin

CINEMA. Jornalista, crítico de cinema, professor, escritor, curador e cineasta. É autor dos livros "Vocês Ainda Não Ouviram Nada - A Barulhenta História do Cinema Mudo", "Éramos Apenas Paulistas", biografia do cineasta Francisco Ramalho Jr., e "O Cinema como Ofício", biografia do cineasta Jeremias Moreira. Roteirizou e dirigiu o longa metragem "Mazzaropi", lançado em 2013, e o curta "Nem Isso", a partir da obra de Luís Fernando Veríssimo, lançado em 2015. Corroteirizou e codirigiu a série de TV "Mazzaropi, Uma Série de Causos", exibida no Canal Brasil. É editor do site "Planeta Tela", especializado em Cinema, e sócio-fundador da Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

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19/10/2016 13h38

Belíssimo 'O Último Tango' registra meio século de paixões
Celso Sabadin

Não sou um grande fã de dança. E fiquei absolutamente encantado com o trabalho de direção de Wim Wenders no documentário "Pina". Se ele fez o que fez num filme cujo tema não me é próximo, fiquei imaginando o que ele faria - desta vez não como diretor, mas como produtor - em outro documentário correlato, "O Último Tango". Pois de tango eu gosto. E muito. Não deu outra: saí da projeção fascinado.

O Último Tango. Foto: Divulgação

"O Último Tango" relata a trajetória de dois dos mais famosos dançarinos da história deste ritmo-símbolo da alma argentina: María Nieves Rego e Juan Carlos Copes. A questão não é "somente" - repare as aspas - contar esta bela história, mas antes e principalmente a inventividade da forma como ela vem à tela.  Temos aqui um registro humano e espontâneo dos dois protagonistas que, de coração aberto (ela mais, ele menos), expõem suas lembranças não a um entrevistador ou ao diretor do filme (o alemão Germano Kral), mas a toda equipe de produção. O documentário registra com intimidade amplas conversas que Maria e Juan - sempre separadamente - travam com diversos membros que participam das filmagens, com destaque para o elenco que representará a ambos nas belas reconstituições dramático-musicais que permearão com cores ficcionais os caminhos dos depoimentos documentais.

O resultado carrega consigo a dimensão passional do próprio tango em si que, claro,  jorra na tela aos borbotões, para a alegria dos fãs. Eu incluído. São histórias de amores, mágoas, traições, paixões, fidelidades e infidelidades que costuram uma carreira de quase meio século dedicado à música e à dança.

Coproduzido por Argentina e Alemanha, "O Último Tango" esteve na seleção oficial do Festival de Toronto, e ganhou prêmio de público como Melhor Documentário no Festival de Washington. Uma belíssima viagem romântico-dramático-musical que estreou em 6 de outubro e continua em cartaz.


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