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19/10/2016 11h25

Tudo que as mulheres precisam saber para cuidar da saúde das mamas

Quais alterações merecem atenção?

Toda alteração palpável na mama deve ser avaliada. O ginecologista ou mastologista devem ser procurados para indicar o melhor método diagnóstico, baseado no exame clínico, sexo, idade e fatores de risco. Alguns sinais e sintomas merecem atenção especial, segundo as diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil, elaborada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), em parceria com o Ministério da Saúde. São elas:

- Nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos ou em mulheres com mais de 30 anos, que persiste por mais de um ciclo menstrual;
- Presença de secreção saindo pelo mamilo, fora da gestação e do puerpério (período pós-parto);
- Lesão inflamatória da pele que não responde a tratamentos tópicos;
- Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de inchaço e com a pele com aspecto de casca de laranja;
- Retração na pele da mama;
- Mudança no formato do mamilo.

Quando a mulher deve realizar os primeiros exames das mamas?

Não existe um consenso mundial sobre a idade e a periodicidade dos exames para a investigação do câncer de mama nas mulheres assintomáticas. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que mulheres entre 50 e 69 anos façam mamografia a cada dois anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a mamografia a partir dos 40 anos, anualmente. O National Comprehensive Cancer Network (NCCN) recomenda mamografia anual, a partir dos 40 anos. Já na Europa, o Programa de Rastreamento da Inglaterra convoca as mulheres para realização da mamografia a partir de 47-50 anos até 69-73 anos, a cada 3 anos.

O exame clínico é suficiente?

O exame clínico das mamas por um médico treinado é um complemento essencial para avaliação das doenças mamárias, podendo ser usado para diagnóstico diferencial de lesões palpáveis da mama. Nas pacientes sem sintomas, pode ser uma alternativa ou um complemento ao rastreamento com mamografia, principalmente nas mulheres jovens. Vale ressaltar que não há recomendação favorável ou contra sobre a eficácia do rastreamento com o exame clínico, pois ainda falta respaldo científico.

Quais os principais exames para diagnóstico do câncer de mama?

Mamografia Digital

Principal método para o diagnóstico precoce do câncer de mama, identifica lesões muito pequenas, muitas vezes não palpáveis. Funciona como uma a radiografia da mama. Realizada no mamógrafo digital, equipamento que utiliza radiação de baixa energia (raios-X) e possui detectores extremamente sensíveis, possibilita o envio imediato das imagens para a tela do computador, principal diferença com a mamografia convencional. O exame é realizado por uma técnica de radiologia em duas incidências convencionais, sendo necessária a compressão de cada mama por duas vezes. A compressão melhora a qualidade da imagem, permitindo que todos os tecidos fiquem totalmente visíveis, minimizando a sobreposição de imagens. Apesar do desconforto, a compressão é rápida e não gera qualquer lesão na mama, sendo imprescindível para o diagnóstico preciso. Não há necessidade de preparo para realização da mamografia, mas deve-se evitar o uso de desodorantes.

Tomossíntese mamária

É a mais nova tecnologia da mamografia digital que permite a visualização tridimensional da mama, aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA) desde 2011. É uma das recomendações atuais do National Comprehensive Cancer Network (NCCN) para o rastreamento do câncer de mama por permitir o diagnóstico precoce com menor exposição à radiação. Nesta técnica, o tubo de raio-X se movimenta, resultando em imagens sequenciais. Essas várias imagens, bem finas e em diferentes ângulos, são analisadas pelo médico radiologista em computadores de alta resolução. O posicionamento e a compressão são os mesmos da mamografia digital, podendo os dois exames serem realizados na mesma compressão. Para a realização da tomossíntese não há necessidade de preparo, mas a paciente deve evitar o uso de desodorantes. A técnica minimiza os efeitos da sobreposição de tecido, sobretudo nas mamas densas, permitindo a melhor caracterização das lesões, reduzindo o número de complementações, reconvocações e número de biópsias desnecessárias.

Ultrassonografia das mamas

Na ultrassonografia, as imagens são formadas por ondas sonoras de alta frequência, portanto não utiliza radiação ionizante, que é um fator de risco para o câncer de mama. Não há necessidade de preparo para realizar o exame e não gera qualquer desconforto ao paciente. É uma importante ferramenta complementar à mamografia e à tomossíntese mamária no rastreamento do câncer de mama, principalmente nas pacientes com mamas densas, pois a densidade mamária não altera a sensibilidade do método. Permite diferenciar nódulos sólidos de cistos, muitas vezes fundamental para definir o diagnóstico das doenças mamárias. A avaliação de nódulos palpáveis em mulheres jovens é um exemplo de indicação bem estabelecida na prática clínica, assim como método de imagem para guiar biópsias mamárias.

Fatores de risco genéticos

Relacionados às mutações em determinados genes transmitidos na família (BRCA1 e BRCA2). As mulheres que carregam mutações nestes genes têm um risco de câncer de mama de até 85%. São também consideradas de risco para mutação genética as judias de origem Ashkenazi e mulheres com história de câncer de ovário em idade jovem na família. Além disso, as mulheres com história de câncer de mama em familiares em idade jovem, doença bilateral, em familiares de 1° grau e múltiplos casos de câncer de mama em homem, merecem maior atenção. A densidade mamária também é considerada como um dos principais fatores de risco isolados.

Fatores comportamentais/ambientais

O sobrepeso (índice de massa corporal (IMC) entre 25-29,9) e a obesidade (IMC maior que 30) na menopausa são considerados fatores de risco para o câncer de mama. Outros fatores como o consumo de álcool e tabagismo têm um efeito relativamente pequeno no risco, ainda com resultados contraditórios na literatura.

Fatores de risco hormonais

Relacionados ao estímulo do hormônio estrogênio endógeno, produzido pelo próprio organismo ou consumido. A primeira menstruação (menarca) antes dos 12 anos e a menopausa após os 55 anos aumentam o risco por prolongar a exposição ao estrogênio endógeno. Não ter filho ou ter a primeira gestação após os 30 anos também são considerados fatores de risco.

Reposição hormonal

A terapia de reposição hormonal combinada na menopausa por mais de cinco anos, ou por curto período nas pacientes com história familiar, está associada ao aumento do risco de câncer de mama. O risco aumenta cumulativamente (1-2% ao ano), mas desaparece no prazo de cinco anos, após o término do tratamento.

Pílula anticoncepcional

O uso de pílulas anticoncepcionais e o aumento do risco para o câncer de mama ainda é controverso. O risco parece estar relacionado às dosagens elevadas de estrogênio, uso por longos períodos e associação com outros fatores de risco hormonais/endócrinos, como por exemplo nuliparidade (não ter filhos).

Silicone de mamografia

Próteses de silicone não impedem a realização da mamografia. Existem manobras específicas para realização do exame em pacientes com próteses mamárias, permitindo assim o diagnóstico precoce do câncer de mama neste grupo de pacientes.

Testes genéticos

Entre 50% e 85% das mulheres que apresentam as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 desenvolverão algum tipo de câncer de mama durante a vida. Essas mutações também podem estar associadas a outros tipos de câncer como o câncer de ovário, que pode ocorrer em 15% a 45% das mulheres. Para realizá-lo não é preciso nenhum preparo especial e o teste já pode, inclusive, ser realizado em amostras de saliva. A ocorrência de câncer de mama em familiares não significa a existência da mutação. O teste é indicado apenas em situações especiais de maior risco, como diagnóstico de câncer de mama ou ovário em três ou mais membros da família, em qualquer idade; diagnóstico do câncer de mama antes dos 50 anos em pelo menos um familiar de 1º grau, câncer de mama em homens, entre outros. Não existe ainda um consenso, cada caso deve levar em conta os prós e contras e ser exaustivamente discutido entre médico e paciente.

Fontes: Dra. Marcela Balaro, médica coordenadora de Imagem Mamária do Richet Medicina e Diagnóstico (RJ) especializada em Radiologia no Instituto Nacional do Câncer (INCA). Dr. Helio Magarinos Torres Filho, patologista clínico, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica - RJ e diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico (RJ).


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