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Rachel Valença

Rachel Valença

CARNAVAL. Carioca, historiadora, filóloga e jornalista. Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense. Coautora do livro "Serra, Serrinha, Serrano: o império do samba". Pesquisadora do projeto de elaboração do dossiê "Matrizes do samba no Rio de Janeiro", para registro do samba carioca como patrimônio cultural do Brasil. No Império Serrano há 40 anos, foi ritmista e vice-presidente da escola.

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20/10/2016 10h13

Vamos falar de Carnaval?
Rachel Valença

Daqui a dez dias os eleitores do Rio de Janeiro escolhem novo prefeito, que nos próximos quatro anos tomarão decisões que afetarão diretamente a nossa vida. No que nos diz respeito, já que o Carnaval ocupa um lugar tão importante em nossas preocupações cotidianas, aqui neste espaço é impossível ignorar a importância dessa eleição no destino da cidade e no nosso próprio destino.

Portanto, não é de política que estamos falando aqui. É de Carnaval que vamos falar. Carnaval de rua, dos blocos e bandas, que têm uma pauta própria de reivindicações. Carnaval de escolas de samba, não tanto as poderosas, que têm quem olhe por elas, mas as menores, desde sempre entregues à própria sorte, apesar de sua relevância cultural. Carnaval de empreendedores, que dependem do sucesso da festa para que suas atividades tenham retorno compensador.

Nos debates públicos que reúnem os dois candidatos, é óbvio que o Carnaval não pode competir com outras pautas mais urgentes, como saúde e educação. Ontem mesmo, pela Rede TV, o candidato Marcelo Crivella respondeu a uma pergunta sobre Carnaval sem lhe dar a devida atenção, tomando um ar jocoso e bonachão para falar... da Liesa. Ora, Carnaval é muito mais que isso e merece dos candidatos uma reflexão mais ponderada. Para nós e para muita gente nesta cidade, Carnaval é coisa séria.

Por isso, considero uma ótima oportunidade para discutir o assunto o encontro com o candidato Freixo, na próxima sexta-feira, dia 21, a partir de 18 horas, no Cais da Imperatriz, ali na Gamboa. Vou estar lá para ouvir e perguntar e aconselho todo mundo que tem alguma contribuição a dar sobre o assunto a comparecer também. Às vezes uma pergunta despretensiosa traz à baila um assunto ainda não pensado pelo candidato e contribui para sua reflexão sobre isso.

Um candidato - ou um prefeito - não precisa ser um expert em Carnaval. Não precisa tocar tamborim nem usar chapéu para se fazer passar por sambista que não é. Mas precisa, antes de mais nada, levar o assunto a sério, como parte da cultura da cidade que governará. Como cultura popular, ele não tem espaço para discriminação e intolerância, por seu caráter inclusivo e libertário. É fundamental que não se trate o Carnaval com preconceito e cabe a nós, eleitores, aprofundar essa discussão para que a sociedade nos entenda e nos respeite.

Se você tem uma pergunta ou um comentário, pode expressá-lo aqui. Mas, se mora no Rio, não custa muito ir até a Gamboa, ouvir e se fazer ouvir. Enquanto é tempo.

Foto: Reprodução de vídeo


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