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José Armando Vannucci

José Armando Vannucci

Jornalista multiplataforma com atuação no rádio, televisão, internet e veículos impressos. Especialista em TV brasileira e com acesso a todas as emissoras do país, em seu trabalho une informação de bastidores com a crítica imparcial sobre o que é exibido pelas TVs abertas e fechadas.

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20/10/2016 15h24

Experiência interessante para quem gosta de televisão, novela e comportamento

Um dos clássicos da teledramaturgia brasileira voltou ao ar nesta semana através do Canal "Viva".

"Pai Herói" é um texto de Janete Clair e foi exibido durante o primeiro semestre de 1979 com grande sucesso.

Assim como outros títulos da autora, essa novela tem no drama sua principal via de condução, além de uma interpretação mais marcada. Tony Ramos, o mocinho, chega ao Rio de Janeiro disposto a conhecer sua própria história e provar que seu pai era um homem bom, ou quase inocente.

Foto: Reprodução de Internet

"Pai Herói" tinha também paixão pela mulher errada, desencontros, vilanias e tentativas de golpes. Ou seja, todos os elementos do bom folhetim. Desde sua estreia, o Canal "Viva" tem registrado índices interessantes de audiência e repercussão nas redes sociais, principalmente de jovens que se depararam com o texto da mulher que determinou as características da teledramaturgia brasileira.

Assistir a "Pai Herói" é uma das experiências mais interessantes para quem gosta da televisão, novela e comportamento humano. Em apenas alguns segundos, é possível reparar como muita coisa mudou. É gritante como a forma de produção é outra.

O sucesso de Janete Clair não contava com tantas externas e, quando elas aconteciam, o som era absolutamente diferente ao do captado em estúdio, algo que jamais acontece nos dias atuais. Os cenários, mesmo os das famílias mais ricas, eram pequenos, estreitos e sem profundidade porque a estrutura física das emissoras não permitia mais do que isso.

Quem assistiu ao terceiro capítulo de "Pai Herói" deve ter percebido em duas cenas com Lélia Abramo e Rosamaria Murtinho a presença de uma mosca, com direito a pouso na testa da atriz. Algo que, nos dias atuais, seria cortado na edição ou refeito, já que nada pode atrapalhar a bela fotografia digital.

Assistir "Pai Herói" é reparar como o comportamento mudou em pouco mais de 35 anos. Na novela de Janete Clair as mulheres eram submissas, mas as matriarcas mandavam em absolutamente tudo.

Numa das cenas, Januária esculhamba suas noras e todas saem da sala absolutamente caladas porque não podem colocar o casamento em risco. Aceitam tudo porque não pode haver separação. Os preconceitos também são outros e o julgamento é implacável. Nos dias de hoje, essas personagens e temáticas só existiriam em novelas de época.

E olhe lá!!!

A teledramaturgia avançou muito em sua técnica, texto, interpretação e cenografia e atualizou os conflitos humanos, que não estão tão distantes dos anos 1970, mas se apresentam com outros preconceitos.

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