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29/10/2016 15h19

Especialistas argentinos desaconselham sistema de urna eletrônica

Especialistas em sistemas de informática pediram ao Congresso Argentino para não autorizar o uso de computadores para votar. Eles alertaram que a sua utilização abre a porta à fraude, porque "elimina a possibilidade de controle" por parte dos cidadãos.

Os especialistas e os sistemas universitários públicos de todo o país manifestaram-se contra o projeto de reforma eleitoral na qual o Governo Federal pretende implementar a urna eletrônica nas eleições legislativas de 2017.

O projeto tem a aprovação preliminar na Câmara dos Deputados, onde os aliados do atual presidente Maurício Macri teve o apoio da Justicialista e Renovação Frente Block, e na próxima semana vai começar a discussão em comissão no Senado. 

"Especialistas em informática, professores e pesquisadores dedicam o seu tempo, sua paixão e energia para esta disciplina, acreditamos que a tecnologia tem muito a contribuir para a sociedade. No entanto, também sabemos as suas limitações e por isso estamos conscientes de que é praticamente impossível construir sistemas que fornecem máximas garantias de inviolabilidade como necessitando de um sistema de votação ", diz o documento, "NÃO ao Voto Electrónico".

Foto: Reprodução

"Se aprovada essa lei não terá possibilidade de investigar o seu funcionamento e poderia tornar-se tratados como criminosos apenas fazendo nosso trabalho", diz o documento assinado pelos departamentos de poderes de computação pertencentes a universidades nacionais de Córdoba, Buenos Aires e Rosário.

"Mesmo sistemas auditados do mundo têm falhas que permanecem não detectadas por muitos anos", explicou. "Em um sistema de votação, essas falhas podem permitir adulterar os resultados (especialmente em eleições próximas) ou identificar os eleitores", alertam também especialistas das Universidades de Rio Cuarto, Comahue e membros da Internacional Franco Argentino Centro de Ciências Informações e Sistemas (Conicet/UNR)

"Um software de auditoria de segurança e hardware envolvido em um sistema eleitoral exige longos períodos de tempo nas mãos de um grupo de especialistas e, em seguida, um mecanismo eletrônico para verificar se cada câmara escura software e hardware correspondem exatamente ao que foi auditado anteriormente. Qualquer pequena mudança pode alterar o seu comportamento de forma maliciosa. Este tipo de verificação é inviável na prática ", dizem os acadêmicos.

O documento salienta que qualquer máquina de votar "é um dispositivo programável que tem memória, o que poderia permitir vários mecanismos de identificação do eleitor ou adulteração de resultados, algo que há provas contundentes internacional". Explica que, pelas razões mencionadas, "uma minoria" de países utilizam dispositivos eletrônicos em seu sistema de votação, porque "a complexidade que a própria tecnologia de controle elimina a possibilidade de que qualquer cidadão deve ser capaz de exercer".

"Por conseguinte, pedimos ao Congresso Nacional não autorizar a utilização de equipamentos de informática para o voto", conclui.

 

*Artigo publicado originalmente no jornal Página 12


Comentários
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    29/10/2016 17:37:53ALEFAnônimo

    BASTA VER O RESULTADO DE 2014.ONDE DIZEM QUE AS URNAS FORAM ¨VACINADAS " NA VENEZUELA

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