SRZD


19/03/2009 11h18

Profissionalismo no carnaval
Luiz Fernando Reis

Na matéria que noticiava a ida do Mestra Átila para a Vila Isabel pude ler alguns comentários que me indignaram. Até quando nós imaginaremos um evento da magnitude do carnaval carioca sendo feito de forma amadora? É muita inocência imaginarmos um mestre de bateria de uma escola do Grupo Especial ou mesmo em algumas do Grupo de Acesso não ter um comprometimento de seriedade e trabalho que implica num compromisso profissional. 

Um mestre de bateria, assim como um casal de mestre-sala e porta-bandeira e um primeiro intérprete de samba-enredo ensaia, pelo menos, três ou quatro noites por semana. Esses ensaios normalmente começam às 21h e se estendem no mínimo até a 1 da madrugada. O abnegado integrante da escola espera um ônibus, se ainda estiver circulando, e chega em casa por volta das 3 da manhã, dorme até às 5h, levanta e vai para o batente de verdade. 

Ele consegue seus R$ 800 mensais... Esse relato ainda acontece em escolas dos grupos de acesso B, C, D e E. Claro numa rotina bem menos exagerada, mas não há dinheiro e ele vai na empolgação mesmo, mas espera que um dia essa experiência o leve ao sonho "Especial" e de onde seu talento possa lhe valer o tão sonhado profissionalismo.

Um carnaval merece seriedade e responsabilidade de quem ocupa uma função, seja ela qual for, e isso merece ter um preço. A esse preço chamamos profissionalismo. Quem paga pode cobrar e quem recebe sabe que precisa justificar seu ganho. Só com o profissionalismo o nosso carnaval deu o necessário salto de qualidade. E esse salto será tão maior quanto maior for a profissionalização de nosso carnaval. 

E numa boa; imaginar amadorismo de um evento que rende em torno de 4 milhões-ano por escola de samba é muito romantismo pro meu gosto.

Indignação

Sempre acompanho todos os comentários aqui postados e confesso que alguns me deixam bastante indignado. Seja pela falta de conhecimento de causa e até mesmo pela falta de sensibilidade de compreender o que rola de verdade no mundo do samba. 

Inveja de Uruguaiana

Bastou o Eugênio Leal colocar da inveja que sentira ao assistir, como julgador, ao carnaval de Uruguaiana e presenciar, assim como eu, a alegria e paixão com que as arquibancadas recebiam suas escolas de coração. Os aplausos entusiasmados quando da apresentação dos casais de mestre-sala e porta-bandeira e a receptiva alegria ao perceberem um notável do carnaval carioca, ou mesmo de Porto Alegre, desfilando em suas escolas. A proximidade das arquibancadas da pista de desfile nos deu inveja. Inveja da fantástica interação público - componentes. O samba era cantado e público respondia cantando ainda mais alto. Mas não sentimos inveja do carnaval de Uruguaiana, percebemos, apenas, que o nosso carnaval carioca tem problemas e o maior deles é o afastamento do público assistente dos componentes de nossas escolas, e isso, em Uruguaiana é simplesmente emocionante.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


Comentários
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    25/03/2009 11:10:19CesarAnônimo

    Torno suas palavras, as palavras de todo apaixonado pelo carnaval carioca. Parabéns, sempre coerente em suas palavras!!!

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    22/03/2009 08:08:19Edson SiqueiraMembro SRZD desde 31/07/2012

    Ã?timo tópico Luiz Fernando. Porém, o amigo não acha que o "excesso" de profissionalismo tenha afastado o verdadeiro público da Sapucaí? Digo isso pq nas escolas que desfilam na Intendente Magalhaes, a seriedade e responsabilidade tb são grandes, mas o povão está lá. Esta é a minha percepção. Grande abraço! Sou seu fã desde Caprichosos 1983!!

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    21/03/2009 09:37:10UNIÃ?OAnônimo

    Também concordo com o Luizinho da Cuíca, os ritmistas merecem mais respeito, tanto dos diretores de bateria como de seus auxiliares, que adoram esculachar um ritmista para mostrar que tem poder, que também mandam na bateria, como se fossem Mestre. Quanto a profissioanlização, é claro que os ritmistas tem direito a uma quantia do que é distribuído para alguns, como um salário, e eles ritmistas nada recebem. Isso tem e deve acabar, ritmista tambem deve ser tratado como um profissional, porque não, se presidentes ganham, e muitos nada conhecem de carnaval, porque os que fazem pulsar o coração da escola nada recebem, não é justo. O ritmista é muito mais sambista que muitos que estão no meio mordendo uma fatia do bolo, e ele ritmista só baba, isso é muita maldade. RITMISTAS ESTÁ MAIS DO QUE NA HORA DE VOCÃ?S SE UNIREM PARA REINVINDICAR, PELO MENOS O DA PASSAGEM, JÁ QUE COMPRA DE CASA DE PRAIA, CARRÃ?ES E OUTRAS COISAS MAIS FICAM A CARGOS DAQUELES QUE SÃ? SE APROVEITAM DE VOCÃ?S, A HORA Ã? ESSA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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    20/03/2009 22:34:52MARCELOAnônimo

    Pode ser Profissional para alguns, mas para os ritimitas NÃ?O, porque isso é sim sacanagem, concordo com você Luizinho, o ritmista pode e deve, primeiro ter seu valor muito mais reconhecido, e porque não receber algum, já que muitos recebem !???

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    20/03/2009 22:27:44LUIZINHO DA CUÍCAMembro SRZD desde 07/04/2009

    ainda hoje em dia, Gerente de Barracão e cada vez mais novos cargos e funções são definidos por diretorias e presidentes, isso não é profissionalizar nosso carnaval ? Julinho me defina isso então ! E sabendo que todos esses "profissionais" recebem, porque os ritmistas não tem direito a uma fatia desse bolo, porque a maioria das escolas não lhes pagam ao menos a passagem ?

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    20/03/2009 22:26:31LUIZINHO DA CUÍCAMembro SRZD desde 07/04/2009

    ainda hoje em dia, Gerente de Barracão e cada vez mais novos cargos e funções são definidos por diretorias e presidentes, isso não é profissionalizar nosso carnaval ? Julinho me defina isso então ! E sabendo que todos esses "profissionais" recebem, porque os ritmistas não tem direito a uma fatia desse bolo, porque a maioria das escolas não lhes pagam ao menos a passagem ?

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    20/03/2009 22:24:29LUIZINHO DA CUÍCAMembro SRZD desde 07/04/2009

    Julinho, receber um salário de R$ 5.000,00, como muitos mestres de bateria recebem, R$ 300.000,00 como alguns carnavalescos recebem, não é profissionalizar, é o que, um pro-labore, ou um bicho ( como no futebol ) pago para realizar um trabalho, que pode ou não ser reconhecido ? E nós ritmistas, que fazemos tudo isso acontecer, que fazemos a fama de "mestres" acontecer, que fazemos também o carnaval acontecer é o que ? Muitos de nós não são reconhecidos, alguns não tem se quer o dinheiro para voltar para a casa depois de um ensaio, seja técnico ou na quadra, muito menos para poder beber ou comer algo. Te contarei agora uma passagem minha pela Porto da Pedra no ano de 2006. Mestre Louro assumiu a bateria de lá, e me pediu para ajudar na ala de cuícas. Levei cuiqueiros de Madureira, Tijuca, Bangú, e etc., eram cerca de 20. Eles compareceram a cerca de 2 ensaios técnicos lá em São Gonçalo, só de passagem alguns, assim como eu, gastavam cerca de R$ 15,00 reais, além disso a direção da escola na época, se quer lhes dava uma garrafa de água para beber. Me desculpei com Louro após algumas reclamações, e despensei e me desculpei também, com os cuíqueiros, que estavam indo até lá, para somar junto a escola, mas i aí, diminuir no bolso... ? A troco de que, maus tratos, insignificâncias que não estavam valendo apena, pois o reconhecimento daquele presidente, à época, não pagaria nem o gosto de tocarmos nosso instrumento, e o jeito foi se afastar. Julinho como pode um carnavalesco receber o que recebe, e os ritmistas, que fazem pulsar o coração de qualquer escola de samba, muitas vezes, como já assisti em diversos lugares, não terem o devido valor e respeito. Se receber salário antes, durante e após o Carnaval, e sobre-viver dele, não é profissão, é o que ? Todas as escolas pagam hoje a - Carnavalesco, MS e PB, Comissão de Frente, Diretor de Carnaval, Diretor de Bateria ( e seus auxiliares ), e todo o pessoal do Barracão, temos

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    20/03/2009 15:35:30paulo henriqueMembro SRZD desde 13/04/2009

    Caro Fernando. A grande verdade é que o carnaval carioca chegou ao limite. Não por falta de grana para as escolas, não por falta de capacidade dos carnavalescos e demais integrantes das escolas, mas simplesmente pela falta de visão da LIESA, da RIOTUR, do governo estadual e da União. Ã? inadmissivel que vejam o carnaval como um evento isolado do quase fim de verão, ora em fevereiro ora em janeiro. O carnaval é uma industria e como tal de ve ser administrado e fiscalizado. Deveriam criar um calendária, obrigando as escolas ao menos do grupo especial e do grupo A para que divulguem os enredos já em abril. Outra ponto a ser levantado, a marques de sapucai é pequnea para o espetaculo. Construída as pressas, com estremo cunho eleitoreiro ela não foi projetada para proporcionar conforto ao publico e aos componentes. Ou coloca-se a amrques no chao e se constrói outra ou enbtão vamos construir outra próximo à cidade do samba. Mas que dessa vez o publico seja valorizado. A capacidade deve ser de ao menos 120 mil lugares, buscando-se copnstrir arquibancadas cobertas, concentração coberta, sem viaduto para atrapalhar, sem curva fechada para ser vencida e com a diposiçaõdas arquibancadas suficientes apra proporcionar uma visaõ ampla do desfile e também para os julgadores. Outro detalhe importante fechar um fundo de investimento para manter as escolas ao longo do ano. O que a globo paga é uma esmola. é inadmissivel que as escolas sejam tratadas como prostitutas, onde cafetões ficam com a maior fatia e as migalhas com as escolas. Um abração e sou teu fã.

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    20/03/2009 15:12:01julinho di ojuaraMembro SRZD desde 13/04/2009

    Luiz discordo de você, o carnaval do Rio não é nem será profissionalizado nunca, graças a Deus. A maior gritaria em relação a notícia do Átila na Vila, não foi pelo dinheiro recebido, mas sim pela incopetência da Vila de formar em 30 anos, alguém capaz de substituir o Mug. A semi-profissionalização do carnaval aconteceu graças aos carnavalescos, que na década de 80 chegaram a sugerir, que parte dos valores pagos aos compositores de samba fossem destinados a eles como co-autores dos sambas. Imagina vc Luiz, se todos os ritmistas resolvessem Arrear as Peças e só voltar a tocar mediante ao pagamento de salários ?. Conheço estórias de Instituições de Desfile (não podem ser chamadas de Escolas de Samba), que contratam "mestres" desde que eles levem no mínimo 120 ritmistas !. Assim como no futebol, o carnaval devia voltar a adotar o chamado "Bicho" (premio por participação e colocação), querer ou apioar o Profissionalismo no carnaval é querer seu fim.

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    19/03/2009 22:41:32LUIZINHO DA CUÍCAMembro SRZD desde 07/04/2009

    neste caso, para mim também, totalmente capitalista, porque quem tirou o Átila do Império, foi o dinheiro, que falou até mais alto que o "amor" que ele sente por sua escola, e a que altura chegou, esse tal "profissionalismo", que está acabando, e magoando muita gente no mundo samba, mas infelizmente o homem precisa sobre-viver, e é aí que o "amor" é deixado de lado, fazer o que ......?!

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    19/03/2009 22:38:40LUIZINHO DA CUÍCAMembro SRZD desde 07/04/2009

    Caro Professor, lembra-se daqueles carnavais, criados por você na Caprichosos de Pilares - E por Falar em Saudade, 1985. Aqui o povão ainda participava, cantava conosco, vibrava conosco, e também chorava conosco, de alegria, amor e emoção, adjetivos que estão, aos poucos desaparecendo do nosso carnaval. Você fala em profissionalizar ? Não achas que um carnavalesco ganhando hoje R$ 300.000,00 por um carnaval, não é profissionalização ? O que achas de um interprete com vencimentos em torno de R$ 5.000,00 por mês ? E um "Mestre", apesar de alguns não o serem", também com salários de R$ 6.000,00, Um Mestre-sala e Porta Bandeira ganhando 3.000,00. E te pergunto onde fica o Ritmista nessa salada, alguns aqui falam em uma cervejinha, outros em ajuda de custo, mas quando é que ele, o ritmista, será considerado de suma importância para uma Escola de Samba, quando será tratado como profissional também, ou será que alguém aqui irá dizer que uma escola pode desfilar sem ele, a capela ? E quanto aos ensaios, quem segura a onda, nos enaios, durante 6:00 hs, muitas vezes direto, é o ritmista ! Sobre essas trocas, tipo Átila indo para a Vila, considero, apesar de seu carater e do profissional que é, pois é remunerado, e por isso é considerado como tal, triste, pois tenho certeza, que na Vila existe alguem capaz de substituir o Mug, não necessitando ir pegar em uma co-irmã alguem para este lugar, que deve ser ocupado por uma pessoa da casa, alguem que conheça as caracteristicas de sua própria bateria. Será que o Átila não fará a Vila perder suas tradições e caracteristicas que são próprias dela, que só sua bateria tem, assim como a Mangueira que quando todos a ouvem, sabem que é a Mangueira, o Império, que quando ouvimos os agogos, sabemos que é o Império, as terceiras da Mocidade, e aí por diante ..... A comparação, debatida por você e pelo Alsan sobre esse "profissionalismo", para alguns, é sim neste caso, para mim também, tota

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    19/03/2009 21:11:47Luiz Fernando ReisMembro SRZD desde 11/04/2009

    Caro Alsan................Concordo contigo e respeito muito suas opiniões....................Mas profissionalismo não é sinônimo de capitalismo, no Socialismo tambem existe o profissionalismo. Essa pasteurização é uma preocupação real e as mudanças mais complicadas são realmente dos mestres de bateria.................Não sou e nem quero ser o dono da verdade, por isso leio os comentários aqui postados e te confesso aprendo muito com cada um deles.....................Comentarista como você sempre serão respeitados por aqui...................Um abraço ...................................LFR

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    19/03/2009 21:04:21Luiz Fernando ReisMembro SRZD desde 11/04/2009

    Caro Gilberto Carvalho... O ingresso custa R$ 100,00 pelas três noites. Os turistas são apenas de cidades próximas. Mas a interação público - componente é realmente fantástica........Mas Gilberto não estamos enaltecendo Uruguaiana a toa. O que queremos é rever em nosso carnaval a frieza e a falta de emoção dos nossos desfiles atuais... E nós que amamos o carnaval carioca, eu, vc o Eugênio estamos querendo é alertarmos para o caminho que o carnaval tem tomado....... Um abraço..........LFR

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    19/03/2009 20:32:20Alsan MatosMembro SRZD desde 08/04/2009

    Por isso eu postei na notíca da tranferência do Átila sobre a PASTEURIZAÃ?Ã?O DO RITMO. Não estou dizendo que seja ruim (embora o ache), mas, mesmo o LFR que é tão afavor do "profissionalismo" tem que admitir que esse caminho "profissional" está matando a alma do samba e do carnaval. Apolo apunhala Dionísio, ano após ano. Espero, LFR, que minha msg não tenha sido uma daquelas que te deixou indignado, já que há muito fundamento. Ã? só ler todos os posts abaixo, os quais assino em baixo. Tudo muito bem embasado, com conteúdo, escrito por pessoas que amam o Samba, e não ligam nem um pouco pro espetáculo. Como um dos smigos disse: essa fórmula de espetáculo pasteurizado dura, no máximo, mais dez anos, depois vai falir, saturado. E aí, o que o povo apaixonado pelo samba como nós vai fazer? Vai fazer samba e vai começar tudo de novo, como há 90 anos atrás... O SAMBA AGONIZA MAS NÃ?O MORRE!!! Já o capitalismo...

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    19/03/2009 19:45:50Tiago SalesMembro SRZD desde 14/04/2009

    Gentileza A questão é humana, bateria não é só ritimo...vide a cubango nos ultimos anos Profissionalismo só com regulamentarização fora isso........

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