SRZD


21/05/2009 23h26

O xixi dos antigos carnavais
Luis Carlos Magalhães

Vendo e ouvindo toda essa polêmica em torno dos xixis dos blocos de carnaval da cidade, fico me perguntando: mudou a composição bioquímica do xixi ou mudamos nós?

Nunca é demais repetir que para a história e para a vocação foliã da cidade, para seu carnaval, nada há de mais importante, animador, representativo e comemorável do que a forte e cada vez maior presença de blocos nas ruas do Rio de Janeiro.

Em recente encontro a entidade que congrega os mais badalados blocos da cidade, zona sul e centro - a Sebastiana - organizou importante debate com a presença da Secretária de Cultura, do Presidente da RioTur e do Prefeito da cidade.

Os blocos do Rio de Janeiro experimentaram na década de 1920 o que podemos chamar de sua primeira geração: Arengueiros, Baianinhas de Oswaldo Cruz, inúmeros outros de cada morro das cidade e que tiveram depois  a suprema função de se transformarem em nossas escolas de samba.

O "Arengueiros" deu na Mangueira, O "Baianinhas" deu na Portela  e assim por diante.

A segunda geração chega lá pelos idos da virada da década dos anos 1960/1970 quando as avenidas centrais da cidade se tornavam estreitas para tantos índios do "Cacique" e para tantas onças do "Bafo". Depois para os "Bohemios" que vinham de Irajá.

Se os da primeira geração tiveram fim glorioso o mesmo não podemos dizer daqueles da segunda geração. Se é verdade que viveram dias de glórias hoje resistem, ou melhor, sobrevivem do heroísmo de seus comandantes, sobretudo Bira Presidente, do Cacique, e Capilé, do Bafo da Onça. O "Bohemios" deu uma morridinha de dez anos e depois voltou.

Dias de glória em que a televisão não parecia ser uma alternativa mesmo para o folião mais acomodado. Os desfiles das escolas mal começavam a atrair a classe media e as emissoras de TV.

O carnaval, meu irmão, era na rua.

Ao contrário do que ocorre atualmente, com os blocos de terceira geração, os sambas do Cacique e do Bafo saíam de suas quadras, em Ramos e no Catumbi, incendiavam seu colossais desfiles pela Rio Branco e ainda invadiam os bailes das cidades, mesmo os mais requintados.

O Bafo foi o pioneiro, e isso faz tanto tempo que nem sei. Só me lembro que ninguém da minha rua dava muita pelota para a televisão. Naquele tempo, meu irmão, as crianças brincavam era na rua.

Já mais para o finzinho da tarde havia um programa que ninguém, jovens e adolescentes, perdia: "Musicas na Passarela", na Rádio Tamoyo.

Era assim: de 16 hs. até 17 hs. desfilavam alternadamente músicas brasileiras e estrangeiras. Cada uma era identificada por uma cor: música azul, música rosa, música ciclâmen, esta última até hoje não consegui identificar.
 
És 17 hs. parava tudo para que as campeãs do dia fossem apuradas pelos telefonemas-votos que recebiam nos trinta minutos seguintes. Das 17, 30 às 18 hs. desfilavam as preferidas. Quem gostava de música - tocava muitíssimo pouco samba - ficava "colado".

Ali foi a primeira vez que um samba "de morro" furou o bloqueio daquele programa. Os poucos sambas que tocavam já eram estilizados, com arranjos  com alguma sofisticação e  com intérpretes.

Naquele dia, não.

Era um samba de morro mesmo. Contava a história de um "malandro" que queria "encontrar alguém", mudar de vida, deixar a malandragem. Capilé, Presidente do bafo, conta hoje que este samba antecede a fundação do bloco. Era um samba que já era muito cantado ali pelo Catumbi e que depois foi com seu autor para o Bafo:

Quero ser feliz
Construir um lar
Mas o destino não quis.
Quero ter alguém
Que me compreenda bem
E que me faça um dia feliz.
Teremos crianças
Seremos carinhosos
Nas horas de alegria e da dor
Eu hei de ser um chefe de família exemplar
Amor, amor, amor.

Seu autor foi um moreno conhecido por 'Mistura' e o intérprete foi Oswaldo Nunes ambos de perfil muito distante daqueles autores e cantores que freqüentavam o "Músicas na Passarela". Neste mesmo samba já chamavam a atenção daqueles que achavam ser isto impossível:

Não tem razão
Quem assim diz
Que o malandro não casa
Que o malandro não é feliz..

Depois até Elizeth gravou, ela que era a mulata maior. Beth Carvalho também gravou. Muito antes delas, a partir da gravação de Oswaldo Nunes e do "Músicas na Passarela", o Bafo se torna conhecido do grande público e seus sambas passam a ser cantados  em outra escala, culminando com o samba Éba , do mesmo Oswaldo que aí, já para todo o país pelo mesmo programa, anunciava:

Esse é o Bafo da Onça
Que eu trago guardado no meu coração
É o bom, é o bom, é o bom
Nessa onda que eu vou (...)

Assim foi o Cacique de Ramos.

Entraram em nossas casas, em nossos coretos, em nossos bailes sambas inesquecíveis como Água na Boca, aquele outro do Noca que deixava todos "Caciqueando na avenida". Ou Vou festejar, do Jorge Aragão, Chinelo Novo, de João nogueira e Niltinho Tristeza e tantos outros.

Era universo da folia, povoado ainda, e não menos, pelo lendário Chave de Ouro do Engenho de Dentro, pelo Bola Preta e por tantos outros dos bairros. Na minha memória de menino ficaram o "Coração das Meninas", Canarinho das Laranjeiras,  Vai se quiser, Vai Quem Quer, Foliões de Botafogo e Arranco. 

Até que um dia passou um furacão.

Podem dizer o que quiserem, mas para mim foi a televisão.

É claro que a abertura do Túnel Santa Bárbara acertou em cheio a alma do Bafo. Dividiu o bairro do Catumbi em dois e, além disto, tornou muito difícil para o bloco atravessar a pista de alta velocidade. 

Eu vivi bem este momento. 

Era um tempo em que era muito difícil assistir o desfile, No meu caso, em termos de escolas de samba, o carnaval acabava no último ensaio, o ensaio geral. Para se comprar ingresso era preciso dose inimaginável de paciência e resignação. Desfiles que se alongavam até tarde do dia seguinte sob sol impiedoso de verão. 

Com a chegada da TV, muita gente boa, folião da antiga, ia para casa assistir sua escola tomando cervejinha. Nada contra, era muito bom, pura novidade, mas os blocos minguavam.

Depois veio o Clube do samba, da turma do João Nogueira e a banda de Ipanema. no embalo retumbante da aura de humor e resistência trazida pelo jornal o Pasquim .

Filhos desse clima , dessa atmosfera, surge a nova geração de blocos a partir do Simpatia è Quase Amor, Barbas, e Suvaco do Cristo.

Agora, todos sabemos: a impressão que fica é a  de que a cada minuto, a cada esquina um bloco. É assim por toda a cidade, mas a avalanche vem da zona sul carioca dando às autoridades públicas o que pensar, a cada ano. 

Sendo a parte da cidade mais adensada não é de estranhar que parta dali a maior reação. Uns reclamam do trânsito, outros do barulho e outros do xixi.

Considerando que o bloco "anda" e os banheiros "não andam", este é o mais difícil problema a resolver. E aí me vem a lembrança de situação semelhante vivida por quem, como minha avó, que morava em uma rua com feira livre semanal.

Pois saibam vocês aí que sou desse tempo. Dia de feira era absolutamente insuportável. Lixo de toda sorte mais aquele cheiro de peixe inconfundível. Pois hoje podemos tranquilamente passar ou morar em uma rua com feira, com atropelos mínimos. A Comlurb passa por ali, lava, joga alguma coisa química e ...tá pronto: lavou, tá limpo.

Será que dá para fazer isto com os blocos?

Tá certo que ninguém fazia xixi na feira, mas também ninguém limpa peixe enquanto o bloco desfila. O que quero dizer é que só acredito em solução química, com muito jato d'água  e muitíssima boa vontade municipal.

Mas e quanto aos antigos carnavais?

Como era o xixi nos antigos carnavais? Fico lembrando minha recente leitura do tão saboroso quanto surpreendente "Inventando Carnavais" de Felipe Ferreira que nos faz viajar ao tempo em que a folia carioca era originalissimamente inventada.

Coisas de fim  de século. O Entrudo, então senhor absoluto de nossas acanhadas ruas, era combatido pela elite carioca que queria seu carnaval à moda parisiense: bailes de máscara e passeios de préstitos, coisa finíssima.

Em 1855 a cidade assistia o primeiro desses passeios das Sociedades dançantes da época: O Congresso das Sumidades Carnavalescas saia dos salões e tomava as ruas.

E assim, com a força policial a seu favor, as "Sociedades" empurravam o "entrudo" para a periferia do centro colonial e desfilava soberana.

Soberana? Será? Que nada! 

Os desfiles eram seguidos de bailes que começavam à meia -noite. Na segunda feira "ninguém era de ferro" e descansava. Enquanto isto a galera voltava ás ruas inventando seu próprio carnaval, inventando novas formas de brincar não tanto à entrudo, não tanto à "Grandes Sociedades".

Em seus desfiles grandiosos os chamados  préstitos organizavam roteiros selecionando ruas por onde passar, deixando outras e outras, inclusive na periferia do centro,  para que cada uma tivesse seu espaço  de exibição.

Segundo Felipe, cada sociedade partia de sua sede e desfilava até um teatro  onde os sócios passavam a se divertir nos bailes. O roteiro era de livre escolha e só era alterado pelo alto grau de interesse demonstrado pelos moradores em receber os  desfiles em suas ruas. Era comum naqueles dias moradores alugarem as janelas e  as sacadas coloniais de suas casas como se fossem camarotes privilegiados  com belíssima vista para o desfile.

Era assim que ruas inteiras do velho centro eram decoradas para atrair os préstitos com custos rateados entre moradores e comerciantes. Arcos superiores a 35 palmos eram exigidos para a boa passagem dos carros triunfantes. Na largura outros tantos.

E janelas eram anunciadas no Jornal do Comércio daquele dia 9 de fevereiro de 1875, conta Felipe Ferreira. Pode ? E não para por aí. Com o passar do tempo o simples desfile continuado não bastava. Era exigida uma permanência naquele local propiciando homenagens as mais diversas e criativas.

No livro são selecionados e mostrados dez roteiros.

Mas e o xixi?

Que mistério, ou que composição tinham os xixis daqueles carnavais que não incomodavam os moradores?

Por que razão, ao invés de evitar e até execrar os blocos como hoje, os moradores da cidade procuravam atraí-los para perto e homenageá-los. Mais do que isto, disputá-los a cada carnaval, a cada terça ou quinta a partir das dezessete ou dezoito horas?

Mudou o xixi ou mudamos nós? Com a palavra a Sebastiana ...
 
Sugestão para ouvir agora:

Samba ama - Samba ama

Samba: Amor, amor, amor
Autor: Mistura
Bloco: Bafo da Onça
Voz: Marly
Disco: Bafo da Onça-Ontem e Hoje
Referência bibliográfica:
Inventando Carnavais; o surgimento do carnaval carioca no século XIX e outras questões carnavalescas. Felipe Ferreira; Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2005.

 


Comentários
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    27/01/2015 12:39:24Marcos Pinto da SilvaAnônimo

    vivi o inicio do bafo da onça no botequim do seo monteiro e acompanhei o tiao maria na confecçao das baquetas para os instrumentos de percussao na oficina da policia na rua barao de iguatemi. participei da bateria como percussionista e começamos a ficar conhecidos depois de apresentaçoes no programa do jaci campos na extinta tv tupi.

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    29/05/2009 23:34:36Laerte GuliniAnônimo

    A falta de opções para o povo brincar o carnaval sem gastar quase está acabando com o retorno dos blocos de rua. Antigamente, com os coretos e as bandas nas ruas, os blocos de sujo e os bailes das ruas pelos bairros da cidade, descentralizava toda a festa carnavalesca, os danos e tumultos eram menores. O poder público centralizou a festa somente nas imediações da praça XI quando o sambódromo foi inaugurado e a população passou a ter somente esta opção de carnaval, assim toda a estrutura serve somente esta região. Ao começar a ressurgir os blocos carnavalescos, a população começou a redescobrir mais opções para brincar o carnaval sem gastar muito. Acontece que estes blocos estão também centralizados em uma mesma região que é a zona sul e o poder público ainda não descentralizou da área da praça XI suas políticas públicas para o carnaval. Nõ basta somente fazer programações de desfiles para o blocos de modo que não saiam nos mesmos dias e horários, é preciso que estes blocos também descentralizem seus desfiles das mesmas áreas e dividam com a população a sua verdadeira (se é que existe) motivação para que forem recriados, o resgate do carnaval de rua, que desfilem em outras áreas e que as políticas públicas também se dividam para tal. Abs. Laerte

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    26/05/2009 22:56:04Giuliano NascimentoMembro SRZD desde 16/06/2009

    Belíssimo texto, áudio impecável. Quanto ao xixi exite sim é uma grande hipocrisia e o xixizinho só deve incomodar quem é infeliz, pois felicidade aos olhos dos infelises é uma afronta. Em Salvador/BA o mijarada é geral e ninguém reclama. Até as meninas se agacham, puxam de ladinho suas éças íntimas e regam o asfalto sem problemas.

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    24/05/2009 20:12:41joseluizcostaferreiraMembro SRZD desde 06/03/2014

    Xará. Parabéns pelo artigo belo manifesto de quem e pra quem como nós,Cariocas da gema e do ovo(Não era assim que que orgulho- samente nos chamavam)nos emociona e faz acreditar que esta cidade ainda tem o jeito que nem todo defeito me fará mudar. Um grande abraço.

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    22/05/2009 22:05:36RENATO SAMBOLAMembro SRZD desde 13/04/2009

    PARABENS pela matéria !!!!!!!!!!! Parece que o Rio de Janeiro está revivendo um pouco esta época Maravilhosa , que ainda cheguei a curtir um pouquinho.

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    22/05/2009 18:50:24VICENTE VENANCIOMembro SRZD desde 20/08/2009

    PARABENS GRANDE COLUNISTA,CONTINUA NOS AGRACIANDO COM OUTRO GRANDE TEXTO SOBRE O NOSSO CARNAVAL,QUE SAUDADE. ABRAÃ?OS VICENTINHO.

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    22/05/2009 18:33:07jorge lopesAnônimo

    Continuação: naturalmente, vendo os bem mais velhos do que eu (58)cantando, com empolgação, ao lado de filhos, netos, vizinhos, curtindo muito. Voltou tudo, parece que o tempo tinha voltado. Esse é o nosso Rio Carnavalesco. Pura emoção e alegria.

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    22/05/2009 18:27:01jorge lopesAnônimo

    No século XIX, não havia saneamento básico, o que só aconteceu no princípio do século XX, no período da belle époque, de cultura afrancesada, quando a cidade sofreu um "choque sanitário" e a educação social era outra. Ninguém se aliviava como fazem os "mijões" inescrupolosos de hoje. Mas a saída e a mais fácil, o banheiro químico portátil. Viu a foto de um "comerciante do Carnaval" oferecendo o ralo público, fechado por um plástico azul, a R$0,50 (cinquenta centavos). Assim, a Prefeitura, até duas horas antes (concentração) e mais quatro horas (limite máximo de desfile), levaria esses "banheiros", muito mais leves e portáteis, para as concentrações e no trajeto dos desfiles, colocando, com regularidade, pelo menos, um pouco de creolina, após o uso de, v.g, 2 pessoas, para finalmente, quando for lavado o percurso, encher os bueiros de água. Agora, sobre os blocos e sambas, como é gostoso ler a sua coluna. Peguei esse período maravilhoso da Rio Branco, da Presidente vargas, da Cinelândia, e nos bairros, todas decoradas e muito bonitas. Decoradas, sim, e até com desenhos de Debret. E os blocos? Além dos que você mencionou, ainda lembro do Eles que digam, Fala meu Louro, Unidos de São Cristóvão, Unidos do Morro do Pinto, Teimoso da Riachuelo, etc. Eu poderia escrever mais de cem nomes. Que beleza! Que saudade! Só uma estorinha para terminar. Há dois anos um amigo me levou ao Santo Cristo, para tocar tamborim no GRGC Pinto Sarado, que busca "reeditar" os maravilhosos carnavais da Saúde, Gamboa, daquele pedaço carnavalesco do Rio. Comecei a tocar na bateria do Mestre Capoeira e passei a prestar atenção nos sambas, nas letras e nas melodias, que eles relembravam e que foram compostos para o Fala Meu Louro, Unidos do Morro do Pinto, Eles que digam, etc. Chegou a um momento que eu não aguentei. Eram tantos sambas bonitos, até verdadeiras crônicas melodiosas, que eu parei. Parei de emoção, especialmente vendo os bem mais velho

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    22/05/2009 11:41:25Gustavo MonteiroAnônimo

    O grande Roberto Ribeiro também gravou "Amor, amor, amor" acredito eu, no disco "Corrente de Aço", de 85.

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    22/05/2009 10:30:58julinho di ojuaraAnônimo

    Havia também na década de 70 dezenas de blocos em um dos bairros mais foliões da cidade, que era Botafogo. Lá pela Voluntários da Patria, Rua da Passageme Arnaldo Quintela passavam verdadeiras multidões. ´Porém estou com o Luizinho o que mudou não foi o Xixi, foi e Mijão, a educação, o respeito aos outros. Como bem disse o Luiz, estes blocos antigos passavam em locais onde o comércio em geral ficava aberto. Cansei de ir para Banda de Ipanema com meu pai Cachimbo e todos os bares da região ficavam abertos esperando a banda passar (literalmente), hoje se ficar sofre arrastão. Falta respeito e malandragem as pessoas. Eu disse malandragem, pois bandidagem tá sobrando !!!

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    22/05/2009 10:26:31Ellis PinheiroMembro SRZD desde 02/12/2010

    Acompanho seus comentários já tem algum tempo, mas hoje me tocou lá no fundo quando você citou o samba Amor, Amor, Amor... Vou fazer 54 anos em junho e vivi boa parte disso no Catumbi. Meu tio Carlinhos cantava no Vai Quem Quer e me levava para o bloco. Lá via o Aníbal comandando a bateria com seu famoso apito. No largo de Catumbi, víamos os blocos Vai Quem Quer, Bafo da Onça, Gelo, Jará; famílias inteiras sentadas no meio-fio assistindo, comendo sanduíches de carne assada e tomando refresco de groselha. O Bafo da Onça concentrava e saía da Rua Valença, já o Vai Quem Quer, da Rua Padre Miguelinho. Que carnaval. Alguns anos depois, além dos blocos, criamos o Zapata, ali na Chichorro, um grupo de jovens fantasiados para brincar à noite no Astória ? Clube do bairro? com mais de 200 pessoas ao som ensurdecedor de seus tamancos. Chegamos a desfilar no Vai Quem Quer. O Catumbi naquela época era o melhor lugar para viver. Com a inauguração do túnel, as desapropriações, o bairro praticamente morreu. Tenho dois LPs em 78 rotações, um do Bafo da Onça e um do Vai Quem Quer. No ano de 1979, eu e alguns amigos do Catumbi começamos a frequentar um bar na Ilha do Governador, lá se apresentavam o Elymar Santos e o grupo Exportasamba. Quando chegávamos, o Exportasamba, que era do Catumbi, cantava Amor, Amor, Amor em nossa homenagem. Cantávamos, nós e o Exportasamba, até explodir, os outros frequentadores não entendiam tanta empolgação. Cheguei a reencontrar o Capilé no Quadrado da Urca, ele tem um barco que aluga para pescaria. Passamos boa parte da pescaria relembrando pessoas e fatos daquela época. Sua coluna me transportou para a época em que era criança, quando brincava o carnaval de rua ouvindo sambas de bloco ainda presentes na minha mente. Obrigado por eu estar revivendo estes instantes na manhã desta sexta-feira, que vêm e vão sem parar. Um grande abraço Ellis Pinheiro (Peteco)

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    22/05/2009 10:25:55Antonio LimaAnônimo

    Caro amigo LCM amigo do bom canraval, o XIXI continua o mesmo, o povo é que mudou e pra pior falta educação e tambem existe muita violência essa mistura faz com que as pessoas se afastem desse festa. Vejo um nº crecente de blocos nas ruas mas a qualidade esta bem dinstante dos anos de glórias que você mencionou acima ao passar dos anos houve uma grande perda do carnaval de rua isso porque o carnaval passou a se chamar Escolas de Samba onde há milhões de reais em jogo tornando-se um jogo muito lucrativo. Entidades representantes e poder público tem que estar presente e discutir todos os pontos de vista para que o carnaval de rua não desapareça ao passar dos anos. Aos amantes do carnaval de rua façam alguma coisa com urgência porque estamos caminhando pra ficar enterrados em paginas de livros e virar histórias como essa contado por LCM.

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    22/05/2009 10:24:55silvinho fernandesAnônimo

    Luis, eu acho que o xixi está mais fedido do que nunca,porque ingerimos agrotoxicos, gordura trans, e outras substãncias químicas que antes não existiam.Sempre passei longe dos blocos,porque gosto de fantasias.O que precisa é educar esse povo ou distribuir fraldas descartáveis para os foliões.

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    22/05/2009 10:08:54Paulo Henrique da Silva PereiraMembro SRZD desde 07/04/2009

    Não frequento bloco carnavalesco por gostar muito mais de desfilar no sambodromo e por isso passo o dia a descançar para a noite estar em forma. Mas os blocos do Rio de Janeiro são maravilhosos. Temos o melhor carnaval do Brasil historicamente. Tenho acompanhado nos ultimos anos a alegria dos blocos e dizer que há confusão é exagero. Afinal são mais de 500 mil pessoas em grandes blocos e é toleravel uma confusão de pequno porte. Ã? muito mais tranquilo ir para um bloco de carnaval do que tentar sair em plena Presidente Vargas no horário comercial. A probabilidade de ser assaltado é muito maior na Pres Vargas. Quando colocamos o poder público com pessoas querendo aparecer dá nisso choque de ordem no povo pois os poderosos continuam estacionando em calçadas em frente a hoteis e tudo mais. Quero dizer com isso que deveria haver uma fleibilidade maior por parte do poder público e dar a infra estrutura necessaria ao bom funcionamento do espetaculo. A passagem de um bloco alem de levar alegria leva trabalho, esperança e confiança em um ano diferente aos que debaixo do sol estão vendendo os seus refrigerantes, cervejas e agua. O Xixi poderia ser facilmente resolvido com instalação de area de micção como fazem no terreirão do samba. Se tivessemos pontos estratégicos de banheiros e ao longo do percursso alguns quimicos ajudaria muito. E quimicamente faando o xixi de quem está num bloco é sem odor pois é pura cerveja, não é uma urina concentrada. Que tal uma limpeza igual é feita apos o reveillon em Copacabana ? A diferença que no reveillon existe o loby dos hoteis e do turismo e nos blocos as pessoas são locais a maioria. O dia que alguem começar a ganhar dinheiro com os blocos arrumaram uma forma de limpar tudo na hora.

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    22/05/2009 01:02:53LUIZINHO DA CUICAAnônimo

    Isso hoje em dia, sobre os Blocos de Rua, melhorou e muito. Sabemos que o numero aumentou, e muito, graças a Deus, mas infelizmente o que vem diminuindo é a educação do povo que acompanha o Bloco, seja na Tijuca, em Santa Tereza, em Ipanema ou no Centro da Cidade. Todos assistiram nos noticiarios, o alto indice de tumultos, brigas e "os mijões" de plantão. Mas tudo isso pode ter acerto, atraves da conscientização, e educação do nosso povo, e até servir de exemplo aos turistas, tanto nacionais, como internacionais. Sinceramente Luiz Carlos, meu unico receio é com relação ao tal "CHOQUE DE ORDEM", e o dominio do poder público, entenda-se aí "Prefeitura", de querer inibir esse crescimento, e dar um "tiro no pé", não só na nossa cidade, mas tambem no nosso Carnaval. Já temos aí uma regulamentação para o ano que vem, do bloco só poder desfilar no bairro onde nasceu, 15 (quinze) dias antes do Carnaval. Só gostaria de entender o porque ? No que isso atrapalha ? Sinceramente considero tudo isso, um espelho da nossa administração, desses que nos governam, da bagunça e falta de respeito, com que eles tem para conosco. Tudo isso que acontece hoje, é justamente pela falta de organização do poder público, ou seja da Prefeitura, para poder organizar esses Blocos pela Cidade. Porque não demarcam uma rota para um bloco ? porque não aumentar o número de banheiros quimicos, nessa rota dos blocos ? Todos nós sabemos que muita gente, ganha um dim-dim, e forte, nessa época. Em que isso atrapalha a Prefeitura, o dia a dia da Cidade ? Parece-me que falta, o que eles chamam em política de, " vontade política", que para mim resume-se em babaquice, e falta de vergonha na cara, desses que nos governam. Só nos reta torcer, para que os que lá em cima estão, pensem não só na lucratividade, mas tambem, e eu sei que isso parece dificil, mas pensem na paixão que o Carioca, principalmente, tem nos Blocos de Rua !

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